Quando um relacionamento termina, um misto de emoções toma conta dos nossos pensamentos: culpas, fracassos, decepções, alívio, arrependimento. Não é fácil para nenhum dos parceiros, com certeza você já vivenciou algo semelhante e sabe que seja para quem termina ou para quem não queria que acabasse, a ruptura causa várias feridas emocionais.

A sensação da perda é tão delicada, que muitas vezes é preciso recorrer à terapia ou para tratamentos médicos especializados. Independente do motivo do término, da duração do relacionamento ou de quem resolveu terminar, esse é um momento ímpar que merece atenção e respeito.

Se a adaptação e aceitação do término de um relacionamento já é trabalhosa, imagine se ela se finda durante uma gravidez. Agora imagine se este homem simplesmente some após saber que será pai. Afinal, durante a gravidez, a mulher tem alterações hormonais, ficando mais sensível e com necessidades extras de cuidado com o seu organismo e com seu equilíbrio mental.

A psicanalista Natthalia Paccola explica que a gestação é um dos momentos mais marcantes na vida de qualquer mulher, mas quando essa mulher não pode contar com o apoio do pai da criança, o impacto emocional negativo pode ser muito grande. “Quando uma relação acaba, as duas partes sofrem, mas para a mulher que está gravida existe uma preocupação extra, que é com o bebê e com toda mudança que acontece junto da sua chegada”, afirma.

As opiniões que chegam são as mais diversas, desde de que o casal deveria continuar unido, de que a grávida precisa convencer e pedir ao homem para que a relação não termine, que deveria ter se prevenido melhor, até chantagens de todo o tipo. A mulher ainda é vista como a única responsável pela gravidez em uma sociedade que persiste em ser na maioria, machista. Esse tipo de pensamento cria uma pressão na gestante e gera sentimentos de culpa e dependência que não fazem bem, nem para a mulher, nem para o bebê que ela gera.

A realidade é que não existe uma reação correta, mas será preciso muita coragem. Enfrentar o contexto de uma gravidez solitária pode ser uma grande vitória emocional e a mulher pode vivenciar isso com plena capacidade e sair ainda mais fortalecida.

Nesse texto não vamos julgar os motivos que fizeram esse homem abandonar uma grávida, nem se é certo, errado…Você encontrará algumas dicas que podem ajudar nesse momento tão íntimo e marcante.

1. Não se sentir culpada
Apesar dos julgamentos externos que a mulher poderá sofrer, Natthalia Paccola lembra que o ato de gerar um filho foi feito por duas pessoas, mas, como estará sozinha, é a grávida que terá que reunir suas forças para enfrentar a realidade. “Não há motivos para que ela sinta culpa, o fato ocorreu, pode ter sido prazeroso e agora é hora de olhar para as consequências, assumir a gravidez e acolher com amor essa criança que está sendo gerada. Procurar culpados só causará ainda mais sofrimento, a mulher precisa de apoio e não que lhe apontem o dedo”.

A grávida não pode carregar o peso de se sentir culpada por ter sido abandonada durante a gravidez. Não podemos julgar o que fez esse homem preferir se distanciar do que estar por perto, mesmo que sem um relacionamento, mas como um companheiro amigo, dando apoio emocional e financeiro, tão necessários.

Leia Mais: A saúde mental na maternidade

2. Não ficar em um relacionamento que não faz bem
Acabou? Olhe para frente e vislumbre a vida que terá de agora em diante. Essa ideia de que uma gravidez aproxima o casal nem sempre condiz com a realidade. Se a convivência do casal não está indo bem e o relacionamento não for saudável, terminar pode ser a melhor opção. “Quando um bebê nasce, junto dele podem vir noites sem dormir, dores para amamentar, cólicas, prisão de ventre, depressões, dentre inúmeros fatores que apenas um casal unido é capaz de vivenciar com maturidade“, explica a psicanalista.

O bebê e a mamãe necessitam da paz de um ambiente tranquilo para que se adaptem à essa nova convivência. Um local equilibrado não tem necessariamente mãe e pai morando juntos.

3. Pensar no bebê, mas também pensar em si
Não há uma só prioridade, na gravidez mãe e bebê estão ligados intimamente. Assim, é natural pensar nas necessidades da criança com um término durante a gravidez todavia, é imprescindível que a mulher também pense em si mesma e leve em consideração suas próprias necessidades.

Estar grávida não priva a mulher de continuar a trabalhar, estudar, ter amigos, frequentar sua religião e se cercar daquilo que lhe faz bem. Um companheiro se foi, mas outro para toda a vida está nascendo.

4. Buscar apoio
Uma dica para aliviar a dor que gerar uma criança sem o pai por perto pode causar, é ter com quem contar. O equilíbrio entre a saúde física e a saúde emocional é essencial durante a gravidez.

Por isso, procurar apoio faz toda a diferença nesse momento – ter alguém com quem desabafar, dividir as preocupações. Contar com a ajuda da família e de amigos ou optar pelo acompanhamento de uma psicoterapia podem ser grandes passos para enfrentar a situação. Não esquecendo, é claro, de todo acompanhamento médico do pré -natal.

“A grávida pode procurar um grupo de apoio até mesmo no Facebook para compartilhar seus sentimentos junto de outras mães que estão solteiras ou com os companheiros ausentes”, lembra Natthalia Paccola.

5. Adaptar-se à nova realidade
Lidar com mudanças não é algo fácil, principalmente durante uma gravidez. Mas é necessário adaptar-se e flexibilizar algumas dependências, principalmente com aquilo que se tinha como o ideal. “O ideal é uma ilusão, a mulher deve olhar para a realidade“, diz a psicanalista.

Somente essa mulher que está grávida deve fazer suas escolhas, sem influências externas. O fato de ter terminado um relacionamento durante uma gravidez não significa que a mulher permanecerá solteira: encontrar uma nova pessoa e começar novos relacionamentos é algo completamente possível e normal. Se ela assim desejar. Preferir continuar solteira e criar o bebê sozinha, é igualmente possível e normal. A mulher não deve se sentir constrangida ou obrigada a seguir um dos caminhos por motivos que não sejam seus. Ser mãe sozinha ou entrar em um novo relacionamento é uma escolha que cabe somente a ela.

Imagem: Camila Cordeiro

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