Essa não é uma crônica bonita, com flores ou uma linda trilha sonora. Não, não é. Também não vou florear esse jardim de palavras com rosas sem sentido. Não. Essas palavras são, por ora, de recusa. Essas letras em papel de internet são, neste momento, uma preguiça, uma ausência de interesse. Porque se eu quisesse mesmo saber de ti, te escreveria. Talvez se eu quisesse estar com você agora, eu estaria. Mas essa é uma crônica sobre aquele que não quer saber de você.

Sim, afinal, existe coisa pior que enviar uma mensagem para alguém que se deseja e ela visualizar sem responder? Sabe, a falta de resposta também é uma resposta. O silêncio diz muito neste momento. Não, não vou te dar uma desculpa. Não estou ocupado demais com o trabalho. Não é o cinema, o bar, tampouco o mal estar da noite passada. Também não estou ocupado demais com a família, cuidando do filho pequeno de seis anos da prima da minha tia. Não. É que eu realmente não estou afim de te responder agora e espero que você entenda.

Uma seta no seu whatsapp significa que a mensagem que você enviou saiu do seu celular. Duas significam que suas palavras chegaram até o meu aparelho. Uma dupla de setas azuis significa que li essa mensagem. E essa mesma dupla sem resposta diz que não quero saber de você neste momento. Não é por mal. Isso não significa que eu seja vilão. Eu só não quero falar com você. Eu só não quero estar com você agora.

Eu sei, nossa semana foi tão linda. Tivemos um dos encontros mais doces dos últimos meses, eu sei. Mas para mim foi até aí, nessa rua bloqueada que me coloquei e que prefiro não ultrapassar. Não irei em frente. E se por um acaso eu dei a entender que teríamos algo mais, sinto muito. Acho que você viu algo além do que demonstrei. E me perdoe. Muitas vezes quem tem dificuldade de expor que não pretende mais te ver não consegue expor pra si mesmo o que realmente quer.

É o famoso “vamos marcar!”. Quem quer acontecer faz acontecer e, neste momento, não quero acontecer com você. Sim, porque embora você tenha me dito por A mais B que adoraria me ver novamente, ficamos os dois em papel de pão gasto, numa lembrança doce do que fomos, talvez, em um dia por algumas horas e numa incerteza amarga do que somos. E nem somos. Mesmo.

E vou parar por aqui. Se fosse para ser, estaria na sua porta agora, talvez. Se fosse para ser, talvez te ligaria neste minuto, entre o jantar e o filme na hora de dormir, dizendo que queria ouvir sua voz. Se fosse para ser, você me diria que quer me ver e me veria.

Se fosse para ser, eu visualizaria sua mensagem e te responderia agora mesmo. Mas hoje não é.

(Autor: Denis Araujo)

(Fonte: deuruim)

*Texto publicado com a autorização da administração do site.

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