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Empatia: sim, você também precisa

Pare e pense agora: Você se sente superior a alguém?

Quando falamos sobre convivência, o ser humano, em sua complexa forma de estar no mundo, interage com os demais na tentativa de ser aceito pelo grupo em que vive. Existe dentro de todo mundo uma necessidade premente de aprovação e isto faz com que algumas vezes se precise sustentar disfarces para encontrá-la.

Este anseio em apresentar uma imagem ideal tem sua raiz em questões emocionais muito profundas e todos nós o carregamos. Até mesmo as pessoas mais sinceras ou mesmo as que vivem na defensiva também precisam deste reconhecimento e de valorização externa para se sentirem bem.

Por causa deste desejo de ser aceito, amado e acolhido por seu entorno, alguns indivíduos não percebem a camuflagem do medo interior de não agradar e sobem em um pedestal. Querem sustentar uma máscara de superioridade para realçar seu próprio valor. A insegurança traz este comportamento. Quem tem certeza de seu valor interno não vê esta necessidade e interage com todos em sincera condição de igualdade. Mas quem ainda tem medo e vergonha de si, escondendo suas vulnerabilidades e se acovardando diante das buscas internas, precisa simular uma pretensa supremacia para conquistar algum prazer.

A grande questão é: pessoas assim não conseguem conectar-se profundamente com ninguém. E sofrem muito por isto.

Já foi comprovado pela ciência que a plenitude de um ser humano está intimamente ligada a qualidade dos relacionamentos que ele constrói. E relacionamentos só podem ser saudáveis quando se estabelecem em níveis profundos, com pessoas que saibam nos ouvir com o coração, sem julgamentos. Amigos e entes queridos que nos apoiem e aceitem incondicionalmente e com quem a gente possa abrir o coração sem reservas nem máscaras para falar o que se passa escondido na alma.

Quando existe o sentimento de superioridade não se consegue alcançar profundidade nestes vínculos, pois existe o medo de transparecer vulnerabilidade e descer do pedestal, demonstrando suas fraquezas.

Receio de soltar o disfarce de força e poder e mostrar que por trás estão sentimentos que poderiam ser atribuídos a uma criança indefesa.
Isto dá muito medo de se perder status e fama de “bonzão”.

Só que não se pode falar em felicidade sem que esta fragilidade venha à tona de alguma forma. Todo ser humano é dotado de forças, potencialidades natas que podem o levar ao topo do mundo, mas também de hesitações e dúvidas a seu próprio respeito. Sem aceitar a própria humanidade fica impossível de encarar o que precisa ser melhorado.
Enquanto se varre para debaixo do tapete e finge que nada está acontecendo, por puro orgulho ou medo de ser pego, o que está errado e desconfortável continua parado no mesmo lugar.

Não se transforma aquilo que não se aceita. E assim, o relacionamento consigo mesmo e com os outros não melhora e as conexões bacanas não se estabelecem. Pode até se dizer feliz pelas coisas legais que se conquistou ao longo do caminho, sejam elas sociais ou materiais, mas a felicidade inquestionável e autêntica está nas trocas sadias e positivas com quem se convive. O resto é ilusão.

Semadar Marques

Semadar Marques, palestrante, educadora e analista em inteligência emocional. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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