Quantas vezes nos deparamos com o problema do tempo?
Gostaríamos de ter mais tempo para fazer mais coisas!
O quanto não sonhamos com um futuro feliz! Sonhamos em encontrar a pessoa dos nossos sonhos, almejamos um emprego melhor, o carro do ano, tudo o que venha nos trazer felicidade…no futuro!
Ou quantas vezes nos pegamos lamentando o passado, lembrando de nossas infelicidades, quando nossos corações foram partidos, quando fomos agredidos, abandonados, ou nos pegamos pensando em coisas que deveríamos ter feito, mas não fizemos.
O tempo cronológico é uma invenção da consciência. Nosso ego, nossa mente é capaz de se locomover pelo para o passado e para o futuro. E o que é pior, vivemos constantemente neles. Raramente estamos no presente.
Ekchart Tolle, em O Poder do Agora comenta;
“Para o ego, o momento presente dificilmente existe. Só o passado e o futuro são considerados
importantes. Essa total inversão da verdade explica por que, para o ego, a mente não tem função. O ego está sempre preocupado em manter vivo o passado, porque pensa que sem ele não seríamos ninguém. E se projeta no futuro para assegurar a continuação de sua sobrevivência e buscar algum tipo de escape ou satisfação lá adiante.
Ele diz assim: “Um dia, quando isso ou aquilo acontecer, vou ficar bem, feliz, em paz”. Mesmo quando o ego parece estar preocupado com o presente, não é o presente que ele vê, porque constrói uma imagem completamente distorcida, a partir do passado. Ou então reduz o presente a um meio para obter o fim desejado, um fim que sempre consiste em um futuro projetado pela mente. Observe sua mente e verá que é assim que ela funciona.”
Portanto nosso ego está estruturado para representar e estabelecer o mundo, e as coisas dentro do espaço e tempo.
Mas isso não existe no inconsciente. Todos os conteúdos que surgem no limiar de nossa consciência advindos do inconsciente se encontram simultaneamente no presente.
Para Carl Jung no inconsciente existe a relatividade do espaço e do tempo. Além disso, de acordo com a neurociência o inconsciente nos “protege”, o que nos permite andar na rua ao mesmo tempo em que falamos ao celular e em que pensamos no que vamos comer no jantar, sem com isso sermos atropelados.
Quantas vezes você estava dirigindo e pensando na vida quando milagrosamente chegou ao seu destino, sem saber exatamente como¿
Isso aconteceu porque o inconsciente está no presente!
Nós, seres humanos, com o nosso ego, vivemos em um estado de nostalgia e torpor. Ansiamos pela profundeza materna, pelo seio acalentador e fugimos do presente, constantemente. E muitas vezes fazemos isso nos anestesiando com drogas, comida, sexo, jogos e compras em excesso.
Ora vivemos pensando no passado, ou ansiamos por um futuro milagroso. Tentamos conservar a infância e a eterna juventude, e fugimos da vida. Mas essa só acontece no momento presente. E a realidade é que vamos definhar. Cabelos brancos aparecerão, a pele enrugará.
Negamos à libido o fluxo da vida quando negamos os estágios inevitáveis da vida. Amadurecer em nossa sociedade atual é um grande problema, pois negamos a morte. Como diz Jung, a fuga da vida não nos liberta da lei do envelhecimento e da morte.
É por isso que atualmente, doenças psíquicas como a depressão e a ansiedade crônica, atingem números alarmantes.
Em sua obra Símbolos da Transformação, Carl Jung alerta sobre o perigo de ignorarmos o inconsciente. E esse perigo se encontra na invasão.
“A invasão do inconsciente torna-se um perigo real para o consciente quando este não é capaz de captar e integrar compreensivamente os conteúdos trazidos.”
“Os conteúdos que então invadem o consciente representam, de forma arquetípica, aquilo que o consciente deveria ter vivenciado para não estacionar.”
O que o inconsciente deseja é que vivamos o presente, da forma que a vida se apresenta, assim diminuímos expectativas e frustrações.
A transmutação da realidade está em aceita-la e ser vivida em sua plenitude.
Esse é o sacrifício que deve ser feito! E você verá que não existe passado nem futuro, só o Agora!
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