Terapia

Vamos falar de terapia?

O mundo é corrido. Estamos sempre ocupados. Resolvemos o problema que é mais urgente. Essa não é uma descoberta. Nem uma avaliação pessoal. Qualquer profissional de saúde pode atestar isso.

A prevenção na medicina, a profilaxia na odontologia, o desenvolvimento pessoal na psicologia são os sonhos dos profissionais, mas não a realidade.

Como psicóloga, creio que, como categoria, adoraríamos que as pessoas procurassem terapia antes do problema se instalar. Não porque não haja preparo, mas sim para evitar sofrimento e dor para quem nos procura. Recebo no consultório pessoas que sofrem há anos com situações que poderiam ser amenizadas e talvez nem teriam existido se houvesse trabalho anterior.

Um incômodo, um conflito que, a princípio, não parecia prejudicial é deixado de lado. Aos poucos, sua interferência aumenta a ponto de causar grande angústia e desenvolver outras comorbidades.

Uma das razões pelas quais isso ocorre, especificamente no trabalho do psicólogo, é a falta de conhecimento sobre o que ele faz. Os filmes e seriados apresentam uma ideia incipiente de uma pessoa que conversa e que resolve os problemas. Ou romantizações da profissão, rotulando de experts em mentiras ou comportamentos desviantes.

Psicólogos são profissionais que tem como objeto de estudo o comportamento humano e uma das maneiras de atuar é como terapeuta.

Tendo isso em vista, é importante entender o que é a terapia e descobrir se você pode se beneficiar dela. Vamos lá?

Terapia é prevenção: O processo terapêutico é, em essência, de autoconhecimento. Conhecer a si mesmo propicia entendimento, clareza e maior responsabilidade. O paciente, ou cliente, é ator do que ocorre consigo. Compreendendo quem é, o sujeito pode agir de forma a buscar sua saúde e bem-estar, desenvolvendo seu repertório.

Terapia é tratamento: Se existe um problema instalado, a terapia também pode ajudar. A descoberta das origens do problema, o desenvolvimento de habilidades para lidar com ele, o aprendizado de novas maneiras de viver, a extinção do problema, entre outras são possibilidades do processo terapêutico. A definição e análise de quais são adequados e o que é possível é feito pelo profissional e o paciente.

Leia Mais: O que aprendi após seis meses de terapia

Terapia é para quem deseja: ainda há o estigma de quem faz terapia é fraco, porque precisa de ajuda para lidar com seus problemas. Somos ensinados de que alguns problemas “se resolvem em casa”, de que sendo adulto “já sabe o que o faz” e que “pode cuidar do próprio nariz”. A terapia é para quem deseja se desenvolver como pessoa, então qualquer um pode fazer. Não é necessário ter um problema psi para fazer terapia, mas se há um problema é recomendado.

Terapia é processo: a maioria dos problemas, se não todos, se instalam com tempo, portanto não é possível modificar e “curar” em apenas uma sessão.

Existem várias modalidades: Não há apenas uma maneira de fazer terapia. Existem diversas contribuições teóricas, também chamadas de abordagens, que embasam a atuação do terapeuta. Cada pessoa, de acordo com sua história de vida, preferências e demandas, tem perfis diferentes e portanto se adaptam, melhor a uma ou outra postura. Encontrar um terapeuta é como encontrar um bom par de sapatos, você precisa testar, avaliar. Se um par não se adequar, não se pára de usar sapatos, procura-se um par diferente.

Só a terapia não faz milagre: Uma pessoa não é apenas psicológico. É social, biológico, químico, antropológico, físico. Os comportamentos alvo, ou sintomas, não se constituem apenas por fatores psicológicos, portanto para resolvê-los é necessário atuar em todas as frentes.

Terapia não é conversa: A análise do discurso é um método terapêutico, não o objetivo em si. As perguntas, as pontuações do terapeuta ou analista tem o objetivo de investigar, atuar ou intervir na demanda.

Da mesma maneira que vamos, ou deveríamos ir, ao médico para check-ups semestrais, a academia para exercícios, ao nutricionista para comer melhor, ia a terapia é cuidado, amor a si mesmo. Caso a dificuldade seja financeira, existem ONGs em várias cidades que realizam atendimento psicológico e também nas universidades. Informe-se. Uma mente sã não é privilégio, é direito!

Liediani Medeiros

Psicóloga. Colunista do site Fãs da Psicanálise.

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