Terapia

7 motivos para fazer psicoterapia

Confesso, escolhi esse título clichê com as seguintes intenções: apresentar o tema do texto, estimular a sua curiosidade e demonstrar o quanto somos “fisgados” por táticas de marketing que se aproveitam da nossa falta de autoconhecimento. Portanto, não, você não encontrará nenhuma “lista com N motivos para isso ou aquilo”.

Muita coisa nos impede de fazer psicoterapia, entre elas a ideia de que é “coisa de louco” ou só serve para quem está sofrendo muito. Para quem nunca fez, pode ser difícil reconhecer que, na verdade, é indicada para qualquer um. Afinal, pessoas “normais” também se sentem confusas, ansiosas, estressadas e incomodadas por questões de relacionamento — ou não? Para fazer terapia, basta ser humano.

Há também uma certa desconfiança por se tratar de uma situação nova (ou estranha): ficar a sós com alguém totalmente desconhecido para falar sobre suas questões mais íntimas. Não seria mais fácil conversar com um amigo? Talvez. Uma coisa substitui a outra? Não. De qualquer modo, é importante esclarecer dois pontos: primeiro, amigos não são treinados para ouvir e, portanto, tendem a te interromper ou não prestar atenção; segundo, é mais fácil falar francamente, sem qualquer receio, com alguém que não sabe nada sobre você e não tem nenhuma expectativa.

Além do mais, psicólogos jamais vão te julgar, pois enxergam o ser humano de uma forma muito mais abrangente. Eles sabem o quanto somos complexos e diferentes, especialmente em questões mais íntimas, como sexo e ansiedade. Após anos de estudo para entender a mente, o psicólogo não se assusta com o que sentimos, falamos ou fazemos, pelo contrário, o incomum desperta sua curiosidade e motivação — afinal, é por isso que se tornou psicólogo. Em resumo, o psicólogo se interessa pela saúde mental.

O quanto se investe em um psicólogo é, em média, proporcional ao que gastamos para nos divertir. Mas preço é algo subjetivo e, portanto, depende muito do valor que atribuímos às coisas. A psicoterapia se torna valiosa à medida que revela o quanto nossos conflitos são frutos da falta de consciência sobre o conteúdo da nossa própria mente: desejos, anseios, medos e os motivos que nos levam a fazer o que fazemos, especialmente quando tomados por um determinado sentimento.

O objetivo da terapia é o autoconhecimento adquirido num tipo especial de conversa, uma em que se fala bastante para alguém que não só ouve atentamente, mas também intervém de maneira apropriada no momento oportuno. Empatia é uma qualidade fundamental dos bons psicólogos, descrita por Chuang-Tzu da seguinte forma:

“O ouvir que se limita aos ouvidos é um. O ouvir da compreensão é outro. Mas o ouvir da alma não se limita a nenhum sentido ou capacidade, seja audição ou pensamento. Portanto, requer o esvaziamento de todas as capacidades. Quando esvaziamos nossas percepções e sentidos, passamos a ouvir de corpo inteiro. Então alcançamos algo que estava ali, diante de nós o tempo todo, mas que nunca seria captado pelos ouvidos ou compreendido pela mente.”

Ao longo das sessões, descobrimos muito sobre nós mesmos e passamos a reconhecer alguns padrões: um jeito peculiar de lidar com relacionamentos ou fracassos, um ciúme que parece incontrolável, uma briga com seus pais ou irmãos que terminou em rancor ou aversão. Falar sobre os próprios conflitos significa utilizá-los como matéria-prima para a construção de uma relação mais harmoniosa consigo mesmo e com os outros; significa reconhecer nosso “lado negro” e nos tornarmos íntimos de nós mesmos; significa aceitar a si mesmo por inteiro e, assim, deixar de viver no “piloto automático”.

Viver plenamente de acordo com os próprios valores, tendo consciência de si mesmo e suas relações, não é algo instintivo. Não nascemos sabendo e tampouco somos encorajados a aprender — especialmente numa época em que se explora emoções e sentimentos em nome dos negócios. Daí a importância da psicoterapia como processo de aprendizagem e aperfeiçoamento dessa habilidade que chamamos de “viver plenamente”.

Procurar terapia não é sinal de desequilíbrio ou doença, na verdade, é o primeiro sintoma de lucidez em direção a um compromisso maduro em prol da saúde mental.

Bruno Braz

Engenheiro Químico (UFSCar-SP) e graduando em Psicologia (FMU-SP). É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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