Há muito tempo e em outros textos publicados aqui no Fãs da Psicanálise eu me apresentei. Disse, então, que eu sou bailarino e que há cerca de vinte anos fiquei com metade do corpo parcialmente paralisado por conta de uma cirurgia neurológica. Depois de muita fisioterapia clássica resolvi me reaproximar da dança e há pouco mais de dois anos faço aulas de educação somática com Henrique Schuller.
Um dos exercícios usados por ele se chama elevação da perna. O exercício é oriundo dos Batternieff Fundamentals que, por sua vez, fundamenta-se sobre o Sistema de Análise do Movimento de Laban, que é a base técnica principal do seu trabalho.
O exercício se dá com a pessoa deitada de costas, com a planta dos pés bem apoiada no solo, e com joelhos, pés, coluna e cabeça alinhados. Então, ela eleva um dos pés até a altura dos joelhos. Para tanto, traz a coxa da perna que está sendo elevada para cima do abdômen, em direção ao rosto e ao externo (osso do meio do peito).
Enquanto isso, mantém o alinhamento, o apoio da bacia no chão e a distância atrás dos joelhos. Sustenta também a aderência do outro pé no chão, a ativação da musculatura abdominal, a fluência da respiração e o relaxamento dos ombros, rosto e mãos. Depois, retorna a perna ao solo para a posição original e repete o exercício com a outra.
Embora esse pareça um movimento sem nenhuma relação com o dia a dia, com o corpo ereto, vê-se que ele tem relação com as elevações da perna a cada passo e com a articulação dos joelhos na marcha.
Ora, meu padrão de marcha é o seguinte: eu mal articulo o joelho da perna afetada e compenso isso elevando o quadril para fazer uma circundução periférica com ela e a fim de realizar essa ação, eu ativo a musculatura da região lombar em excesso.
Por esse exemplo, é possível ver que eu não distribuo o esforço entre cada parte do corpo, o que significa que nele tudo se esforça muito ou pouco; tenciona de mais ou relaxa em excesso.
Ao fazer o exercício, eu consigo um crescente e gradual alinhamento dos pés, pernas, coxas e olhar; uma distribuição do meu peso de forma mais equilibrada pelos dois lados do corpo e, assim, apoiá-lo e sustentá-lo com mais eficácia. Igualmente, por voltar a utilizar as partes do corpo até então negligenciadas, é possível relaxar aquelas solicitadas em excesso e entregar o peso delas à gravidade.
Isso sim melhora, e muito, a minha estabilidade e equilíbrio, bem como as minhas passadas, que se direcionam mais para frente e para trás e ficam mais alinhadas com o eixo da coluna.
Concluindo, Henrique emprega comigo uma técnica de modo a re-educar meus padrões básicos de movimento.
Agora, entendo igualmente que o corpo é o que permite a interação entre as realidades interna e externa. Vejo, então, que ele também trabalha com isso, e percebo que a manipulação, manobra, organização e desorganização do espaço onde o corpo está e dos objetos com os quais interage acontecem durante o processo. Isso comprova essa certeza; a de um processo que ocorre entre corpo, emoções, ambiente e objetos.
(Autor: Roger C. Migliorini)
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