O design da poltrona é o segredo das paixões platônicas.Ele se curva como um leque. Um sabre. Não se preocupa com a posição. Não precisa encolher o ventre, disfarçar as sobras.
Liberada da aparência, tem tempo livre para amar. E o psicanalista é o beneficiado do contexto.
Divã é sofá de magro. Sofá feito de osso, sem celulite e estria.
Mulher nasceu para posar ali, mexendo levemente os cílios. Fica linda. Se todo o marido visse sua esposa no divã, teria de volta o arrebatamento do namoro.
As sessões de terapia mereciam salas envidraçadas para a mirada terna dos esposos do lado de fora. Seria um berçário do amor. A fragilidade devolveria o interesse.
Homem é que escolhe assento fundo e macio. Despreza sua barriga.
Homem se afunda nas almofadas. Adota superfícies abauladas, verdadeiros cestos de roupas, poços de traseiro. Ele se dobra no excesso de peso.
Homem detesta divã. O que ele quer é seu sofá para se descadeirar.
Homem nasceu para o desleixo. Prefere o conforto a preservar sua imagem. Ele deita no espaldar e estica as pernas. É um horror aeróbico.
Já a mulher não senta sem cuidar de qualquer detalhe do corpo. Sentar não é um descanso, mas um exercício.
Mulher não senta para relaxar, e sim para observar a si mesma.
Sentar é uma arte, uma profissão, uma autocrítica.
Não significa finalmente suspirar, porém atender exigências da etiqueta.
Mulher senta como quem usa salto alto. Não é para ser agradável, é para estar exuberante.
As costas retas, a postura na altura da almofada, o olhar adiante: ela senta como quem caminha (o homem senta como quem nada).
Um cuidado extremo, de quem já se acostumou a mergulhar os pés na bacia para pintar as unhas jamais inclinando a cabeça.
Mulher dobra as pernas com convicção. De um lado é sim, de outro é não. Um braile educado. Um baile poético.
A trupe masculina, por sua vez, cruza as pernas por distração. Nem repara a direção de seus sapatos. É analfabeta da cintura para baixo.
O homem até agora não assimilou que mulher detesta colchão d’água. Nenhum perfil feminino é bonito no colchão d’água. Nenhuma silhueta é esbelta.
Ela deita e se desmancha. Deita e se espalha.
Disforme, estranha, gorda.
Colchão d’água é para baleia. Não ouse convidá-la a nadar de noite.
Suas prioridades não são as dos outros. Suas verdades não são as dos outros. Então…
O sofrimento não é uma escolha pessoal; ninguém escolhe a dor ou o isolamento emocional…
Prolongar o tempo na cama por mais alguns minutinhos, logo após acordar, ou tirar algumas…
Forças malignas sempre te impedem de cumprir prazos? Entrar no mestrado está sendo mais difícil…
Ficar nervoso ou ansioso em algumas situações da vida como, por exemplo, antes de uma…
Gentileza gera gentileza. Pois é, mas acho que ser gentil não é ser bem educado,…