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O seu amor tem que ser também o seu melhor amigo

Amor bom é amor amigo, porque os laços que a amizade constrói resistem à passagem do tempo, à velhice, à doença, enfim, a tudo o que a vida traz, na tempestade e na bonança.

O sexo um dia acaba, a beleza vai embora e o que restarão serão as conversas, a cumplicidade, a lealdade, o comprometimento. As pessoas querem amar, aguardam o amor de suas vidas, o amor que acompanhará o seu coração. Mas amar não é tudo, amar é o princípio.

Não basta encontrar o amor, temos que fazer o amor dar certo. Regar, cuidar, importar-se, reciprocidade, sem isso, sentimento bom não fica. As pessoas acabam perdendo-se entre si, perdendo umas às outras, sem perceber, aos poucos, gradativamente.

Não é de repente que o amor nasce ou morre, a gente vai perdendo as pessoas nos detalhes, no que falta, no que deixa de ser, no que se distrai onde não podia, onde nunca deveria.

As pessoas deixam de perguntar, de olhar nos olhos, de dar as mãos.

Deixam de deitar juntinho, abraçadinho, de dormir de conchinha. Deixam de rir das bobagens, deixam de rir de si mesmas. Deixam de mandar mensagens, de deixar bilhetinhos, de lembrar os momentos, de relembrar as lutas.

Muitos casais permitem que a loucura do mundo lá fora entre em seus lares, em suas vidas íntimas. Muitos casais levam para suas casas toda frustração e toda raiva que não têm nada a ver com quem espera o seu retorno. Muitos casais se distraem demais, não percebendo o corte de cabelo, a unha pintada, o elogio descompromissado, o beijo roubado, a dança da valsa.

E vão se afastando. E vão se anulando e praguejando e xingando e se lamentando. E vão criticando, menosprezando, diminuindo, sendo irônicos. Tratamento que não se faz, não se faz com quem ama, não se faz com ninguém. E cresce o abismo afetivo, distanciando os pares a uma distância perigosa, letal.

Casais que se destratam, que se maltratam. Casais que se ignoram, que mal se cumprimentam.

Casais que se separam, mesmo juntos, numa solidão acompanhada que corrói mais a alma do que a solidão por si só.

Ruim não é estar sozinho, mas sim acompanhado e, mesmo assim, sentir-se sozinho. Ruim não é amar, é não se dispor a amar, não querer nem aprender a amar.

Tesão não basta, atração não basta, amor sem tempero não basta. O seu amor tem que ser também o seu melhor amigo. O sexo um dia acaba, a beleza vai embora e o que restará serão as conversas, a cumplicidade, a lealdade, o comprometimento.

Amor bom é amor amigo, porque os laços afetivos que a amizade constrói resistem à passagem do tempo, à velhice, à doença, enfim, a tudo o que a vida traz, na tempestade e na bonança. E é assim que o amor fica.

(Imagem: sept commercial)

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Prof. Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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