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O Sono na Primeira Infância

No início da vida, o sono e a alimentação encontram-se muito relacionados e por esta característica quando o bebê tem necessidade de sucção, neste momento, juntamente ao ato de sugar propicia uma auto hipnose (relaxamento muscular tão intenso que remete ao sono). Após a criança ter maior controle de sua vida de vigília, adormecer passa a ser “um ato de libertação, uma inibição voluntária de vigília.” (Gesell).

Segundo o autor citado, “A função biológica do sono é a de preservar a integridade de todo o organismo e todo o seu ciclo da vida.”. Neste sentido, o sono é de primordial importância para todo o desenvolvimento harmonioso. Se a criança não dorme bem, consequentemente, seu processo fisiológico de amadurecimento está comprometido.

O sono é mais intenso nos primeiros meses de vida devido ao amadurecimento acelerado do sistema nervoso. A partir dos 3 meses, o bebê já consegue dormir cerca de 9 horas ininterruptamente. Caso este sono não esteja ocorrendo, é importante conversar com especialistas infantis para organizar estratégias que facilitem o sono do infante.

Como a criança se desenvolve no mundo a partir do estímulo e relação que estabelece com seus responsáveis, os mesmos devem ter total atenção a este aspecto, proporcionando um ambiente tranqüilo no qual a criança possua o seu espaço para dormir, evitando fazê-la dormir no colo ou na mesma cama com o adulto, pois essas atitudes prejudicam o sono e causam desconforto e indisposição física. O bebê que dorme no colo, além de não estar numa posição adequada, fica com o corpo dolorido. Outra ressalva é quanto a alimentação durante o sono. Especialistas da área, bem como alguns pediatras e otorrinolaringologistas orientam a não adaptar a criança ao hábito da mamadeira noturna, pois a mesma, além de prejudicar o crescimento, minimiza a qualidade do sono, compromete o desenvolvimento fisiológico dos sistemas respiratórios e auditivos, além do sistema digestivo que não tem uma pausa em seu funcionamento.

O sono do feto é diferente do sono do adulto, bem como de cada uma das fases da infância. No feto o sono é profundo, a respiração é regular, o tônus é frouxo e o corpo está imóvel. Com o crescimento, ocorrem algumas modificações quanto ao momento do sono. Em seu primeiro ano de vida, de modo geral, a criança dorme 8 a 12 horas a noite e tira cochilos de 20 a 120 minutos por dia. No primeiro ano, “o bebê come para dormir e acorda para comer.” (Gesell).

Aos 12 meses, a vida do bebê é tão intensa de descobertas e brincadeiras que ele já começa a evitar a dormir, mas é vencido pelo cansaço. Assim, a tranqüilidade do adulto para acalmá-lo, bem como a rotina de horários para dormir, banhar e comer, são primordiais.

Aos 21 meses o bebê começa a inventar dispositivos preparatórios para este momento, querendo seus bonecos ou bichos de pelúcia. Aos dois anos torna-se mais dependente do adulto, pois não consegue adormecer com facilidade, estabelecendo assim rituais rígidos. Nesta idade a criança não quer dormir para brincar e assim, devido a sua dependência para com a mãe, em alguns casos, Gesell sugere que é preferível que outra pessoa coloque a criança para dormir, reduzindo assim a inflexibilidade quanto aos rituais. Tranqüilidade, firmeza nos horários de sono e rotina, são os grandes norteadores do hábito de sono saudável para adultos e crianças.

O desenvolvimento da linguagem é muito ativo e desta forma, aos 30 meses, a criança fala inclusive quando está dormindo.

Tais variações denunciam a complexidade do sono como comportamento. “O sono perfeito deve, pois, ser definido como uma forma de inibição positiva que abarca todo o organismo e realiza, da melhor maneira, a proteção das suas necessidades desenvolvimentistas.” (Gesell).

Dos 5 aos 10 anos, a criança dorme de 10 a 11 horas por noite, não necessitando mais dos cochilos a tarde.

É importante ressaltar que como o sono é natural para o desenvolvimento do ser humano, os horários estabelecidos pelos bebês e crianças são o da natureza: dormir quando escurece e acordar ao amanhecer. Devido a rotina dos pais, é normal que a criança até os 4 anos adormeçam por volta das 20:30, 21:00 horas e acordem após às 6:30 horas com muita disposição para brincar.

Melodias calmas, luz diminuídas, ambiente tranqüilo, temperatura agradável, bem como a tranqüilidade do adulto, são primordiais para um sono adequado.

Comportamentos denominados pelo adulto de hiperatividade, nervosismo, impaciência, falta de coordenação motora e de atenção, estão ligados a falta de qualidade no sono.A hiperatividade realmente possui como uma de suas característica, o fato da criança não conseguir dormir em períodos superiores a 2 horas, ficando agitada e irritada desde o seu nascimento, mas este fator isolado não diagnostica sozinho esse transtorno.

Transtornos respiratórios também comprometem a qualidade do sono, bem como a oxigenação cerebral. Atualmente, as rinites têm sido consideradas dentro de uma normalidade assustadora, sem levar em consideração as repercussões físicas que as mesmas ocasionam.

Para que todos, adultos e crianças tenham uma qualidade de vida ampliada é necessário que as noites de sono sejam adequadas.

Como cita Honoré de Balzac, “Não há dor que o sono não consiga vencer.”

Rachel Cantelli

Psicóloga. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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Rachel Cantelli

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