Categories: Amor

Onde quer que você esteja, estou te mandando amor

No passado, assistindo pela primeira vez ao filme “Her”, prestei específica atenção e dediquei algumas posteriores reflexões a uma cena em que Theodore, o personagem principal, destina as seguintes palavras para aquela com quem já teve um relacionamento amoroso: “Seja lá quem você se tornou, onde quer que você esteja no mundo, estou te mandando amor.”

Mandar amor. Existe evidência mais forte de que alguém preencheu de forma bonita a nossa alma e a nossa história – ainda que não caminhe mais ao nosso lado, pelo motivo que for, e que os trajetos separados o tenham transformado em alguém que já não mais sentimos conhecer – que o amor que emanamos quando ele visita nosso pensamento? Que o desejo que grita – daquele que coloca sorriso nos olhos e lágrima no rosto – de que ele e sua incontável coleção de detalhes carregados de pureza, que um dia já soubemos de cor, nunca deixem de estar bem?

Ainda que não exista mais a proximidade que antes permitia ser o abraço nas horas difíceis, é desejar que nunca lhe falte o amparo necessário para que a dureza da vida traga discernimento e amadurecimento, mas jamais caleje a inocência do seu sorriso.

Mesmo que as metas já não sejam mais rabiscadas no mesmo papel, é alegrar-se pelo sucesso do outro como se ele fosse também nosso; é vibrar pelos passos daquele que é dono da dedicação meio torta, mas cheia de vontade de ser feliz, daquele cujas lágrimas de medo e tentativas frustradas ainda evaporam de nossas camisetas.

É desejar que ele encontre os filmes e as músicas que o toquem e jogos novos que o divirtam; para que não dê problema no carro e sobre um dinheirinho no final do mês; para que, principalmente, sua vida sempre esteja permeada com a serenidade e coragem suficientes para sentir e aprender com as diferentes cores do mundo.

É carregar a paz que é, sem esforço algum, ser capaz de – genuinamente e com uma força absurda- mandar amor para uma vida, simplesmente pela certeza de que, independente do tipo ou do tempo de relação, foi exatamente a beleza dele que ali existiu, afinal, ainda que não se brinque mais da sincronia dos passos, haverá eternamente muito daquele que amamos impresso em nosso caminhar.

(Autor: Patrícia Pinheiro, escritora e revisora)

Patricia Pinheiro

É colunista do site Fãs da Psicanálise.

Share
Published by
Patricia Pinheiro

Recent Posts

As suas necessidades não são as dos outros

Suas prioridades não são as dos outros. Suas verdades não são as dos outros. Então…

2 meses ago

Quando nosso cérebro escolhe não sentir para não sofrer

O sofrimento não é uma escolha pessoal; ninguém escolhe a dor ou o isolamento emocional…

2 meses ago

Uma doença pouco conhecida que pode ser confundida com preguiça

Prolongar o tempo na cama por mais alguns minutinhos, logo após acordar, ou tirar algumas…

3 meses ago

Pare de mimimi e vá à luta!

Forças malignas sempre te impedem de cumprir prazos? Entrar no mestrado está sendo mais difícil…

3 meses ago

Os 5 Sinais do Transtorno de Ansiedade Generalizada

Ficar nervoso ou ansioso em algumas situações da vida como, por exemplo, antes de uma…

3 meses ago

Gentileza é a gente deixar o outro ser de carne e osso

Gentileza gera gentileza. Pois é, mas acho que ser gentil não é ser bem educado,…

3 meses ago