Muitos pacientes podem sentir medo ou preocupação por não incomodar ou ofender seu psicoterapeuta quando transmitem abertamente sua insatisfação com algo que os incomodou com a terapia ou o terapeuta.
É essencial lembrar que o relacionamento terapêutico é um tipo de relacionamento unilateral em que o psicoterapeuta está disponível para o paciente e concentra toda sua energia para ajudá-lo a lidar com os problemas que o levaram à terapia.
A consulta torna-se um espaço seguro, privado, único, irrepetível e exclusivo para o paciente melhorar, não para o terapeuta se sentir bem ou buscar seu próprio bem-estar.
Seja direto quando algo o preocupa ou incomoda
Em 2016, a revista acadêmica Counseling Psychology Quarterly publicou um estudo que descobriu que 72,6% dos pacientes haviam mentido para o psicólogo sobre sua experiência em terapia. Entre as mentiras mais frequentes, estavam: fingir que concordavam com as sugestões e atividades propostas pelo terapeuta, fingir que o tratamento havia sido útil e ocultar suas opiniões sobre o terapeuta (Blanchard e Farber 2016).
A prevenção e ocultação de informações pelo paciente podem prejudicar seriamente a eficácia do tratamento e o bem-estar do psicólogo.
Não tenha medo de expressar sua insatisfação quando as recomendações do seu psicólogo não forem úteis, quando você tiver alguma dúvida sobre o tratamento, quando o terapeuta falar excessivamente sobre si mesmo ou sobre suas próprias experiências, quando ele não explicar como o tratamento se desenvolverá ou quando você se sentir ofendido por algum comentário feito pelo terapeuta.
Por exemplo, você pode dizer: “Sinto-me chateado / magoado com o que você acabou de dizer” ou quando você compartilha muitas informações pessoais e não oferece espaço para conversar, você pode dizer: “Prefiro que, neste momento, nos concentremos em mim e não tanto em suas histórias pessoais”.
Analisar a resposta do terapeuta
Os terapeutas são humanos, não somos perfeitos e sabemos que podemos cometer erros no processo terapêutico, por isso devemos ser receptivos ao feedback do paciente. Com essas informações, podemos não apenas melhorar a terapia, mas também abrir uma oportunidade para o paciente praticar habilidades de comunicação e coragem.
Ao proporcionar um ambiente aberto e franco, o terapeuta está abrindo o caminho para melhorar os relacionamentos terapêuticos e de colaboração. Em vez disso, o terapeuta pode causar mais danos se sua resposta for defensiva, irritada ou questionar o paciente por transmitir seu feedback. Se for esse o caso, é melhor para o paciente procurar um terapeuta diferente.
Encontre uma solução colaborativa
Uma vez que o paciente possa expressar suas preocupações, é importante que, junto com o terapeuta, eles possam buscar soluções para os problemas ou obstáculos do tratamento. Para isso, o terapeuta pode validar a preocupação, raiva e frustração do paciente e aproveitar essa oportunidade para melhorar o relacionamento terapêutico e trabalhar em direção aos objetivos estabelecidos. Ao receber feedback, o terapeuta também pode aproveitar a oportunidade para reforçar o fato de que o paciente tem pleno direito de compartilhar seu desconforto ou preocupação.
Revise os objetivos
O tratamento psicológico envolve a modificação de certos padrões de comportamento que podem estar profundamente enraizados nos pacientes. Muitas vezes a terapia pode levar tempo e esforço. Isso pode desencadear ainda mais a preocupação e a ansiedade do paciente, mesmo depois de compartilhar seu feedback com o terapeuta.
Uma prática muito saudável no processo terapêutico é que, juntos, os objetivos acordados quando o psicólogo propôs o plano de tratamento possam ser revistos, assim como a avaliação da eficácia e utilidade do terapeuta. Nesses casos, o paciente pode dizer: “Gostaria de revisar meu progresso na terapia” ou “posso lhe dizer no futuro se não me sinto entendido?”
Fonte: The New York Times
*Texto traduzido e adaptado com exclusividade para o site Fãs da Psicanálise. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.
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