É moda, é liberal casais que dormem em quartos separados. Só se encontram na mesma cama para namorar. Em alguns casos mais avançados, cada um tem a sua casa. Trata-se de uma forma de manter a independência dentro do casamento e não se incomodar com os problemas do parceiro.
É o amor de hotel, confortável, de solidões defensáveis, em que estar com o outro não é estar sempre grudado.
Não me serve a regra. Não consigo ser moderno. Nem teríamos dinheiro para sustentar duas residências. Nosso amor deve ser de bangalô.
O que mais gosto é a possibilidade de dividir os travesseiros com a minha esposa. Não deixamos a distância crescer entre nós. Sou viciado no cheiro do cangote dela, dependente de seu perfume e de sua pele macia, de seus rituais de copo de água na cabeceira e de seu sotaque mineiro no boa-noite.
Quando durmo sozinho, durmo mal. Não encontro posição confortável. Meu corpo é feito para o corpo dela. Ele se encaixa perfeitamente em suas pernas e braços. Unicamente a conchinha e abraço apertado me garantem paz.
O casal que dorme em quarto separados livra-se do ronco, das manias de televisão e de abajur para a leitura de sua companhia, dos fusos diferentes de sono, das levantadas ao banheiro ou dos alarmes do celular discordantes, do bruxismo e das conversas sonâmbulas, mas perde a cumplicidade inestimável dos pés dados debaixo dos lençóis. Mas perde a possibilidade de ouvir o eu te amo durante o sono. Mas perde o remédio aos pesadelos que é ser confortado no meio da noite com um colo. Mas perde a chance do sexo que não foi agendado, que não foi planejado, vontade súbita dos encantamentos da carne. Mas perde a ternura que é retirar os óculos e o livro das mãos da esposa quando ela cochila lendo. Mas perde a sabedoria de dividir os pensamentos que eliminam as preocupações.
Mas perde de enxergar como está o humor de quem nos acompanha. Mas perde o tempo de socorrer no momento de angústia. Mas perde o teatro nô de pôr a camisola e o pijama. Mas perde a gentileza de vencer a preguiça e buscar mais uma coberta ou fechar a janela. Mas perde as brincadeiras “tire as mãos frias de mim” ou a “sua bunda está gelada”. Mas perde as risadas do inverno e as corridas loucas do banho. Mas perde a expectativa de Cristovão Colombo na hora de abrir as cortinas e revelar se há sol ou chove. Mas perde o tempo raro de proximidade em rotinas de emprego tão separadas.
Dormir junto é acordar junto. O ontem é hoje e é amanhã, os dias também são casados. E os sonhos nunca serão solteiros.
(Autor: Fabrício Carpinejar)
(Fonte: Perfil pessoal do autor no Facebook)
Suas prioridades não são as dos outros. Suas verdades não são as dos outros. Então…
O sofrimento não é uma escolha pessoal; ninguém escolhe a dor ou o isolamento emocional…
Prolongar o tempo na cama por mais alguns minutinhos, logo após acordar, ou tirar algumas…
Forças malignas sempre te impedem de cumprir prazos? Entrar no mestrado está sendo mais difícil…
Ficar nervoso ou ansioso em algumas situações da vida como, por exemplo, antes de uma…
Gentileza gera gentileza. Pois é, mas acho que ser gentil não é ser bem educado,…