Comportamento

Muita gente falando de amor e pouca gente sabendo amar

Nessa autoria desconhecida e cheia de razão, um resumo de como temos levado nossa vida. O desamor virou praxe, justamente neste tempo em que temos visto e feito declarações de amor com facilidade e pouco critério, nas diversas redes sociais onde interagimos.

É curiosa a forma como nos comportamos na teoria, cheios de afeto e gentilezas, como se o amor fosse a bola da vez ou a palavra da moda.

E nos munimos de discursos motivadores, de que é preciso amar como se não houvesse amanhã, tentando convencer a quem nos ouve de que somos assim, cheios de amor para dar e vender.

Na prática, o amor parece cada vez mais falado e menos sentido. O que mais temos visto é o famoso “farinha pouca, meu pirão primeiro”, enquanto a televisão e as demais mídias nos dão prova de que estamos indo muito mais para o lado do cada um por si, sem amor para todos.

É bonito e interessante o amor que temos lido e distribuído em nossas telas. Ele tem alguns encantos, é verdade. Não é totalmente nulo ou vazio. Mas precisamos muito mais do que isso, porque não podemos cultivar sentimentos apenas nas pontas dos dedos.

Como sobreviveríamos sem calor humano, sem a energia gerada num aperto de mão caloroso ou num abraço carinhoso?

É bacana repassar mensagens de bom dia para a família, às 06:00 da manhã; mas é muito mais bonito tirar um tempo para estar perto, tomar um café e ter um dedinho de prosa, pra saber como as coisas vão indo.

É mais bonito e construtivo desejar estar por perto, sentir junto, na saúde e na doença, em todas as circunstâncias e não apenas na celebração; é lindo querer ser presença nesse mundo que tem sido feito de ausências.

Precisamos ser amor em todos os lugares, em todas as direções; saber conjugá-lo em todos os tempos, envolvendo o eu, o tu e o ele e todos os plurais. Não podemos mais continuar analfabetos de amar.

Carecemos de menos amor digitado, copiado e colado. Menos amor pra cumprir tabela, pra agradar, amor tipo balela. Amor não é nada disso; estamos à procura de amor genuíno e original.

Mais sentimento da boca pra dentro, porque da boca pra fora já esgotamos nossa cota. Digamos sim aos sentimentos que enobrecem, esclarecem, motivam, libertam; transmitamos esperança; tenhamos mais brilho nos olhos, mãos estendidas, braços abertos.

Sejamos amor verdadeiro, porque de falsas boas intenções dizem que o inferno está cheio. Aprendamos a amar com equilíbrio, usando a balança do bom senso pra dosar o real e o virtual, a ação e a reação.

Porque sem isso continuaremos com nossas prioridades invertidas, sem entender nada sobre o que é amar de verdade e na ânsia eterna de amar sem medida.

Alessandra Piassarollo

Administradora por profissão, decidiu administrar a própria casa e o cuidado com suas duas filhas, frutos de um casamento feliz. Observadora do comportamento alheio, usa a escrita como forma de expressar as interpretações que faz do mundo à sua volta. Mantém acessa a esperança nas pessoas e em dias melhores, sempre! É colunista do site Fãs da Psicanálise.

Share
Published by
Alessandra Piassarollo

Recent Posts

As suas necessidades não são as dos outros

Suas prioridades não são as dos outros. Suas verdades não são as dos outros. Então…

3 semanas ago

Quando nosso cérebro escolhe não sentir para não sofrer

O sofrimento não é uma escolha pessoal; ninguém escolhe a dor ou o isolamento emocional…

1 mês ago

Uma doença pouco conhecida que pode ser confundida com preguiça

Prolongar o tempo na cama por mais alguns minutinhos, logo após acordar, ou tirar algumas…

1 mês ago

Pare de mimimi e vá à luta!

Forças malignas sempre te impedem de cumprir prazos? Entrar no mestrado está sendo mais difícil…

1 mês ago

Os 5 Sinais do Transtorno de Ansiedade Generalizada

Ficar nervoso ou ansioso em algumas situações da vida como, por exemplo, antes de uma…

1 mês ago

Gentileza é a gente deixar o outro ser de carne e osso

Gentileza gera gentileza. Pois é, mas acho que ser gentil não é ser bem educado,…

1 mês ago