O que é o amor? Por que o amor, de todos os sentimentos, parece ser o mais complicado e que gera mais dúvidas entre as pessoas? Por que amar causa tanto sofrimento?
Segundo Skinner (2009), amor é reforçamento positivo. E reforçamento positivo é toda consequência sobre um comportamento que aumenta sua frequência. Então amor seria toda consequência que aumenta a frequência de uma gama específica de comportamentos – os comportamentos de amar.
E o que seriam os comportamentos de amar? Se estamos falando de amor romântico (entre duas pessoas, com a finalidade principal de união permanente e geralmente com intenções sexuais), então os comportamentos de amar seriam aqueles característicos à pessoa que se ama: desejo de estarem juntas, pensar com frequência na outra pessoa, sentir-se confortável na presença do outro e diversos outros comportamentos que, por se tratar da definição skinneriana de amor, são mutuamente reforçados.
Outros tipos de amor (entre pais e filhos, entre pessoas e outros animais ou quaisquer outras circunstâncias em que se pode, de maneira leiga, classificar como amor) também podem ser analisados da mesma forma. Para simplificar o argumento do texto, falarei apenas sobre o amor dito romântico (ou a definição Philia, empregado pelos gregos antigos e explicado por Skinner (1991), como “amor” e “amizade” no contexto popular, ou seja, o sentimento no qual duas pessoas reforçam comportamentos agradáveis e prazerosos mutuamente).
Mas, então, que dizer sobre as pessoas que “sofrem por amor”? Se amor é reforço positivo (aparentemente de bons e agradáveis comportamentos), por que sofremos por amor? Sofre-se, afinal, porque se perde o reforçamento do outro indivíduo.
Comportamentos de “sofrer por amor” estão em processo de extinção ou estão em um esquema de reforçamento intermitente com taxas muito baixas. Por exemplo: procurar a outra pessoa e não ser correspondido ou ser correspondido algumas vezes e outras não; desejar estar perto do outro e não poder ou só poder em momentos raros determinados pelo outro.
Lembrando que um comportamento “em extinção” é aquele que não recebe mais consequências que irão ‘fortalecê-lo’ e isso fará com que ele perca força aos poucos até deixar de existir ou se tornar muito fraco. Talvez por isso seja mais fácil uma pessoa esquecer a outra se for totalmente ignorada, não tiver contato com a outra pessoa e tiver um comportamento alternativo sendo reforçado (encontrar um novo amor, quem sabe).
Por outro lado, no esquema de reforçamento intermitente o comportamento se torna mais forte e duradouro, ou seja, se de vez em quando o outro atende a ligação, algumas vezes o outro aceita sair ou se raras, mas existentes vezes o outro reforça os comportamentos de amar – então é possível que o sujeito neste caso tenha mais dificuldades em deixar de amar essa pessoa e sair desse ciclo repetitivo e muitas vezes doentio (ir atrás do amado, ser recusado a maioria das vezes e ser aceito poucas vezes).
Esquecer alguém é mudar comportamentos e circunstâncias. É ser reforçado por outras situações (e pessoas). Amar é comportar-se e, portanto, caracteriza um repertório moldado por diversas circunstâncias da vida da pessoa – isto é, o amor também pode ser previsto, analisado, corrigido e controlado, apesar de todas as complicações – e delícias – que envolvem a busca e o encontro (ou fuga) de um amor.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SKINNER, B. F.. Walden II: uma sociedade do futuro. 2. Ed. São Paulo: EPU, 2009.
_______, B. F. (1991). Questões recentes na análise comportamental. Campinas, SP: Papirus.
(Autor:PETRUS EVELYN, é graduado em Comunicação Social e pós-graduando em Neuropsicologia. Atua nas áreas de coaching, hipnoterapia e consultoria corporativa. É sócio proprietário da Academia de Modificação do Comportamento e autor do livro Programa de Modificação do Comportamento)
(Fonte: http://comportese.com/author)
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