Enrique Rojas, em seu trabalho “O Amor Inteligente”, cita o psiquiatra espanhol Maranõn a respeito de como possivelmente teria emergido o nascimento do sentimento amoroso:
“ O primeiro amigo íntimo do homem foi, sem dúvida, a mulher: a mulher quando era só fêmea, escolhida ao acaso, para satisfazer a fome do instinto, à medida que este mostrava urgência. Mas, numa manhã remota e memorável, quando o homem se levantou, bronco e hirsuto, do seu leito de ervas, depois de ter realizado com a fêmea, que estava ao seu alcance, a lei do instinto; repousado pelo sono daquela tristeza que invade o animal depois de amar, ele sentiu-se invadido por uma tristeza maior que era ter que deixá-la. E, voltando-se para ela, que ainda dormia, brilhou em seus olhos, do fundo das cavidades redondas, pela primeira vez na história do mundo, a luz maravilhosa do amor; que só se acende quando o ímpeto do instinto está apagado, porque foi satisfeito”.
É possível conjeturar também que a partir da instituição dos clãs fraternos, e somente a partir daí, começou-se na espécie humana a lenta e progressiva mudança das forças instintivas em suas respectivas e consequentes pulsões (que são a soma das demandas instintivas com as afetivas e ideativas).
A conceituação básica dos instintos os têm como forças derivadas de necessidades biológicas herdadas filogeneticamente numa mesma espécie animal, a pedir mesmas satisfações o mais rápido possível. Assim, os instintos da sede, fome, da autopreservação e o sexual demandam solução o mais prontamente possível: beber, comer, salvar-se e dar-se ao ato sexual na primeira oportunidade, senão surgida, procurada com presteza.
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Os instintos implicam, pois, mesmas respostas para demandas equivalentes nos indivíduos daquela mesma espécie animal. Com a evolução de determinado povo ocorrendo numa determinada época, sua evolução faz mudar o modo pelo qual tais necessidades instintivas passam a ser satisfeitas.
As possibilidades externas ao indivíduo, a disposição da outra pessoa em satisfazê-lo, os próprios códigos de conduta internalizados ao nível individual e coletivo, as normas que passam a reger, entre ele e os outros, suas posturas e atos, colaboraram para que ele tenha uma possibilidade de reflexão e tempo de espera entre o desejo emergente e sua satisfação requerida.
Portanto, nem todas as pessoas do mundo, descendentes de povos e em situações civilizadoras diferentes responderão da mesma forma aos mesmos estímulos pulsionais, conquanto vivendo na mesma atualidade. Entre suas demandas e respostas estará toda a história de seu povo, transmitida e modificada através das várias gerações.Aos Instintos (Instinkts, em alemão) assim modificados, Freud denominou-os Pulsõesgerações (Triebs, também em alemão) e sintetizou muito bem tal transformação com a expressão “as pulsões são, por assim dizer, os instintos domesticados”.
Sei que é um tema polêmico e esta distinção entre Instinto e Pulsão, que acabo de fazer, é uma das leituras aceitas. A polêmica prende-se muito à questão da tradução do original em alemão para a Standard Edition (inglesa), da qual veio nossa primeira versão em português, aqui no país. Inclusive duas novas versões da obra de Freud estão sendo lançadas agora, enfocando, cada uma delas, o modo de ver de dois tradutores que pensam diferentemente entre si.
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Todo maior esclarecimento é bem vindo, não discuto. Mas, para mim o mais importante é saber se tal ou qual manejo de um conceito encontra suporte na prática. E aí sou claro quanto a aceitar uma distinção entre Instintos (existentes entre todos os animais, incluindo o homem – quanto à autoconservação) e as Pulsões (também de origem biológica e filogenética, a que se acoplaram as influências do meio, hábitos e grau de civilização de determinado grupo humano). E a criação do sentimento de amor deriva destas todas influências, as herdadas e as adquiridas.
O amor e sentimentos dele decorrentes é que sustentam uma relação de longo prazo entre, por exemplo, os membros de um par , uma vez que englobam também as necessidades biológicas por eles demandadas.
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