Dia desses entrei na sala onde fica a máquina de café, daquelas que determina o tamanho pelo desenho. Pequeno, médio e grande. Como era extra forte como gosto, apertei o grande. Só que a xícara era pequena e, cumprindo muito bem o que havia sido programado, começou a encher rapidamente.
Como não haviam outras xícaras à vista, peguei o primeiro copo que vi, plástico, e coloquei no lugar da xícara que já começava a transbordar.
Lógico que primeiro derramou na cafeteira e quando ao mesmo tempo me virava para colocar a xícara transbordando na mesa ao lado, bati na ponta da mesma e a xícara virou em cima de alguns papéis de certa importância, que ficaram molhados e bem manchados.
Tomei o que deu para salvar juntando com o resto do copo plástico e fiquei observando como resolver aquela bagunça. E aí me perguntei: Porque derramei o café duas vezes? E a primeira explicação que me veio foi: Porque regulei mal a máquina, coloquei uma xícara pequena e porque me precipitei ao colocar a xícara transbordando na mesa, enquanto posicionava o copo plástico. Correto?
Resposta errada: Eu derramei o café porque o café estava na xícara. Se tivesse água ou outra coisa, essa outra coisa é o que teria derramado. O que estivesse dentro da xícara é o que sairia.
Isso faz lembrar que, muitas vezes são nesses pequenos “contratempos” que a vida nos mostra uma lição, porque o que houver dentro de nós é o que vai sair, é que vai ficar exposto, vai mostrar nosso comportamento e afetar aos outros.
Quando a máquina da vida nos dá um tranco, quando as vezes transborda, o que se manifesta em nós? Reflexão, aceitação, humildade, agradecimento, paz e aprendizado ou raiva, amargura, palavras e ações ofensivas?
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Você escolhe como encher seu copo. E é do que você escolher que ele pode transbordar.
Comparativamente, quando amigos ou pacientes se queixam dos outros, geralmente os pais ou um deles, que não deram o suficiente amparo, não foram suficientemente cuidadosos, não tiveram o contato físico e emocional necessário para fazer aflorar o amor em cada um, lembro do acidente na cafeteria e que só podemos dar aquilo que temos.
E reforço com um exemplo matemático: se alguém tem apenas 10 não adianta esperar ou pedir 20. Ao contrário, se receber 10 lembre-se que a pessoa está oferecendo TUDO o que ela possui, que está lhe dando o máximo e quem sabe aprendemos a ficar gratos e comovidos pelo que recebemos. Pelo esforço feito por quem não tinha o que esperávamos.
No final, não é o que fizeram de nós que deve nos conduzir, mas o que vamos fazer do que fizeram de nós. O passado não nos pertence mais, o futuro vai ser o que fizermos no presente, no aqui e agora, único momento e lugar onde podemos ser felizes e plantar o que queremos colher mais tarde. Plantar é opcional, mas colher é compulsório porque vamos colher de qualquer maneira, melhor tomar cuidado com os desejos, pensamentos e ações AGORA!
O que iremos transbordar quando o recipiente for menor que a carga que recebemos?
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