Café e amor devem ser servidos e consumidos quentes, depois de frios, ambos perdem suas melhores características. Hoje eu vim para falar de amor, então puxa a cadeira, senta, aproveita e traz junto um café quente, forte e doce, que é para combinar com o sentimento.

Se é para falar de amor a gente tem que falar primeiro da essência, porque nos últimos anos ela tem se perdido. Meu bem, desde quando amor é verso? Amor é prosa toda! É poesia completa, em redondilha maior, que só consegue entender quem transborda flores na alma. Mas a gente teima em ler poesia como se fosse enunciado de problema matemático; lemos sem vontade, sem atenção e já sabendo que não vamos entender nada. Por isso a essência se perde; é impossível solucionar aquilo que já é solução.

Agora vamos falar do corpo. Amor não pode ser virtual; amor não é touch screen. Amor é corpo inteiro, é sangue que ferve, é pupila que dilata, é suor que escorre, é pele que arrepia. Amor é abraço, é cheiro, é risada alta, é cabelo solto para o outro mexer. Mas a gente acha que amor é “emotion”, reticências, frase de status, foto de perfil. Por isso o corpo adoece; ele é tratado como tela de celular, quando racha, fica por isso mesmo, depois a gente compra outro.

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E por último vamos falar da mente. Ah, meu bem, amor não é pensamento, é a criatividade em pessoa! Amor é dormir sorrindo por ficar relembrando aquele “oi” gostoso que recebeu quando chegou; é caminhar na rua rindo para o sol imaginando a hora em que se encontrar para continuar aquela conversa; é fantasiar uma vida inteira sem nem ao menos ter começado algo. Mas a gente encara o amor como um cérebro que só serve para armazenar informações.

Ora, pois como pode algo tão natural trabalhar feito engrenagem mecânica que só gira para aquele lado? Tem que se libertar e deixar a mente conduzir as coisas da forma como ela sabe que é melhor.

Por hoje chega, foi uma longa conversa. Se o café esfriou pegue outro. Café e amor devem ser servidos e consumidos quentes, depois de frios, ambos perdem suas melhores características.

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Raquel Gonçalves
Há quem diga que os olhos são a janela da alma, então, no meu caso, eles são uma janela bem grande e aberta. Amante das artes, do universo e das palavras, necessito de música para viver, dos astros e estrelas para pulsar e dos versos para existir. A publicidade me escolheu; por isso anuncio paz, promovo sorrisos e transmito intensidade. Sou colunista do Fãs da Psicanálise.

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