Filmes e Séries

É preciso incluir a inclusão em nossa vida: A bela mensagem por trás do curta metragem Cuerdas

O curta metragem espanhol Cordas (Cuerdas) retrata uma bela história sobre inclusão, mostrando a relação de amizade entre Maria, uma menina muito especial, e Nicholás, um garoto com paralisia cerebral. Falar em inclusão é falar em amor, acolhimento, igualdade e solidariedade. Vamos falar um pouco sobre esse tema?

Inicio esse assunto com as palavras de Alfredo Veiga Neto ao afirmar que “… A educação inclusiva é vista como o, digamos, caminho para que na Escola caibam todos no mundo. Acho que essa chamada é muito feliz, porque nós estamos vivendo um momento muito sensível em nosso país.”¹

Assim sendo, a inclusão é o caminho para que no mundo caibam todos. Que possamos olhar para a inclusão com os olhos da querida Maria que não mediu esforços para acolher o amigo, Nicholás.

Inclusão é olhar para a pessoa que está ao meu lado e respeitá-la por completo. E respeitar é compreendê-la a partir da sua subjetividade e saber que como todo ser humano, ela também tem as suas limitações e não é isso que a fará menor ou maior do que alguém, pois somos todos iguais. E assim pensou a pequena Maria, ao perceber das limitações do querido Nicholás ela encontrou todas as formas possíveis de incluí-lo nas atividades divertidas que todas as crianças sentem prazer em participar.

Maria recria as atividades para que o seu amigo possa participar, e dessa forma ela ensina e emociona a todos que assistem ao curta metragem e resume o que é inclusão/educação inclusiva através da existência do amor em suas atitudes.

O Curta metragem “Cuerdas” provoca à reflexão diante de uma questão que por muito tempo perpassa o nosso país e nosso mundo: a desigualdade entre os homens gerada pelo egoísmo desacerbado. Diante desse contexto surge a necessidade urgente de implantarmos a inclusão, começando por incluir a inclusão em nossos lares, escolas, reuniões entre amigos, vizinhança, ruas, cidades, estados, países e assim, o mundo.

Talvez você pense: Mas minha atitude solidária frente ao outro é tão pequena diante da imensidão do mundo que não provocará nenhuma mudança. E eu digo através das palavras da nossa maravilhosa Madre Teresa de Calcutá: “Por vezes sentimos que o que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”

O sentimento de inclusão diante de um mundo tão diversificado precisa começar dentro de mim e dentro de você, para que com nossa atitude possamos ser exemplos para tantas crianças, adolescentes, adultos e idosos. Precisamos nos incluir para incluir nosso próximo. Quando isso acontecer, iremos nos dá conta de que a pessoa que está ao meu lado é o meu semelhante e por ser meu semelhante, naturalmente eu preciso respeitá-lo por inteiro, levando em conta as suas limitações. Isso acontece através do amor e do cuidado recíproco.

Leia Mais: Costurando, juntos, a colcha da inclusão

Maria retrata maravilhosamente o conceito de inclusão, tão falado, mas tão pouco praticado entre nós: É permitir-se entrar no mundo do meu semelhante com toda sensibilidade e criatividade que existir em meu ser e possibilitar que ele se sinta incluído através do amor e alegria ofertados. E como podemos colocar essa postura em prática? É uma atitude, meus caros, que acontece de dentro para fora, ou seja, acontece quando estamos de coração aberto a compreender que todos somos semelhantes uns aos outros.

Quando nos darmos contas que o caminho prazeroso da vida é o auxílio e amparo que podemos ofertar aos nossos irmãos, o egoísmo não mais existirá e tantos problemas atuais em nossa sociedade cessarão. Quando percebermos que eu não sou melhor do que o outro e o outro não é inferior a mim e que todos precisamos um dos outros, a miséria não existirá. Quando descobrirmos que o dinheiro não compra tudo nem todos, a ambição será abolida e os nossos políticos governarão exclusivamente pelo bem e união dos povos. Enfim, quando a inclusão se tornar atitude comum entre os seres humanos, a exclusão não existirá mais.

Comece hoje, em você mesmo, a transformação que deseja ver no mundo. Você precisa ser exemplo para que outras pessoas tenham a mesma atitude e vá passando de pessoa para pessoa. Nossas crianças de hoje precisam desse exemplo por parte de vocês para que se tornem adultos com visão mais ampla e apta a respeitar as diferenças.

¹Palestra intitulada de “Quando a inclusão pode ser uma forma de exclusão”.

Luanna Lustosa

Psicóloga. É colunista do Fãs da Psicanálise.

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Luanna Lustosa

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