Você tem um filho com deficiência. Então, cabe a você levantar a bandeira da inclusão e mudar o mundo. Junte-se a quem está mais ou menos na mesma situação e movam, juntos, as montanhas. Certo? Mais ou menos. Não tem de ser assim. Incluir pode ser como costurar uma colcha de retalhos, onde cada pedacinho é único e indispensável.

A inclusão não precisa ser uma demanda apenas de quem tem deficiência ou algum parente com algum tipo de deficiência. Ela pode ser uma bandeira de qualquer um. Ela pode ser levantada por quem está em desacordo com a invisibilidade de algumas crianças dentro da escola ou com o descaso que muitos jovens enfrentam ao longo da vida.

Ela pode aparecer quando você reclamar que uma pessoa com
cadeira de rodas não conseguiu entrar num restaurante porque as instalações estão inadequadas. “Francamente, seu gerente…” Ela pode surgir quando você defender de questionamentos ao redor aquele pai que, com seu filho com autismo, se colocou na fila preferencial do supermercado. “Francamente, dona Maria…” Ela pode vir à tona quando você mandar um bilhete na agenda para entender o porquê de, no livro com a produção dos alunos, o trabalho de Ciclano, com paralisia, ter ficado de fora. “Francamente, professora…” Fácil, né? Não. Difícil pra caramba.

Difícil porque tem a ver com encarar o mundo por uma outra perspectiva. Pela lógica do outro. De um outro tido, muitas vezes, como menor, desimportante, quase invisível.

Significa sair do seu mundo, daquela zona do conforto do umbigo e olhar diretamente para aquele que você viraria os olhos na rua. Significa entender o que dói nesse outro.

Uma dor que pode vir da indiferença, da negligência ou da falta de amparo. Significa ter mais interesse por aquele que não é o seu par. Significa se expor. Significa se posicionar. Sem piedade do outro, nem de si próprio.

Sigo em frente. Tenho esperanças.

(Autora: Fabiana Ribeiro)
(Fonte: paratodos.net.br )

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