Leia com atenção as frases abaixo. Consegue perceber a similaridade entre elas?

“Sabe o que acontecerá se você não fizer o que eu disse? O Demônio irá escrever teu nome no inferno.”

“Sua mãe está tremendo de desgosto em ver você assim, você me envergonha e envergonha ela sempre.”
“Você foi um menino bom este ano, o homem do saco não vai te pegar.”
“Eu e sua mãe não aguentamos mais você. Não vejo a hora de você partir.”

Acredite, essa atitude é a mais comum em plano século XXI. E no adulto, este receio e medo tomam formas diversas, entre elas distanciamento social devido à depressão e fobia, sensação de que a existência é tenebrosa e cheia de “armadilhas”. Isso por quê? Porque a maioria dos sujeitados a tal forma de educação transportam para o mundo e as coisas o temor desta infância e a mensagem de que o “demônio da meia noite” está à espreita esperando qualquer deslize; Um relatório não entregue; uma tarefa não cumprida; um objetivo não alcançado.

Nietzsche já se referia a isso em outras palavras: “Prestai auxílio, vós que sois prestativos e bem-intencionados, essa única obra: Afastar do mundo o conceito de castigo, que se alastrou sufocando o mundo inteiro! Não há pior erva daninha!”. Ainda completa no final de seu texto: “É como se os fantasmas dos carniceiros e vergudos tivessem guiado, até agora, a educação do gênero humano.”

O motivo pelo qual ainda vigoram tais medidas é fácil de compreender. É bem mais fácil educar pelo medo. Dê um extremo temor a um fato ou ação infratora e pronto. Não há necessidade de explicação nem de argumento para que o jovem, o pequeno, ou até mesmo o adulto sinta-se ameaçado.

Você questionaria talvez: O adulto? Sim, mas aí muitas vezes o “demônio da meia noite” está na fala: “Falei com nosso superior e se você não melhorar, será demitido por justa causa”. A educação pelo medo como forma de alterar comportamento pode ser efetiva a curto prazo e somente para satisfazer os pais da trabalhosa tarefa de educar de maneira efetiva.

Qual modo parece mais educador: 1 – “Filho, se você atravessar a rua sem olhar para os lados, os carros podem te atingir, e vai te machucar muito e eu e sua mãe vamos ficar muito preocupados. Quando você crescer vai atravessar sozinho muitas ruas e ficaremos muito orgulhosos se você aprender isso hoje”. Ou: 2 – “Se você atravessar a rua vai morrer atropelado e desgraçar a vida da sua mãe e a minha”. Uma paciente certa vez disse ao filho de cinco anos a segunda frase. O filho com dez anos temia ruas, estradas e qualquer viagem de carro ou ônibus.

Leia Mais: Sobre medos inexplicáveis e sensações estranhas

Mas o “Demônio da meia noite” jaz dentro dos próprios pais que praticam tais atos. Por isso Nietzsche estava certo ao afirmar na frase anterior que o castigo alastrou e contaminou o mundo inteiro. Ele correu nas gerações e está em nós. Termino nosso pensamento deste mês com uma afirmação da psicanalista infantil Françoise Dolto: “Criar um filho não é repreendê-lo por seus comportamentos que nos angustiam. Que violência cometemos, por exemplo, contra uma criança que quer correr! “Você vai ficar com calor, e depois, com frio”, dizem certas mães! O medo da doença pode tornar-se obsessivo e atar de pés as mãos a criança.”

O filme deste mês remetem ao medo. E aqui vou trazer um medo de uma criança, ao perceber o “demônio da meia noite” na própria figura de um dos pais.

No enredo do longa “Boa Noite, Mamãe”, uma família vive em uma residência isolada em meio a árvores e plantações de milho. Após dias afastada por conta de cirurgias plásticas, a mãe (Susanne Wuest) volta para casa e não é reconhecida pelos filhos gêmeos. As crianças, de nove anos, duvidam que a mulher de rosto coberto seja realmente sua mãe e a partir de então nada será como antes.

Reflita como o filme trabalha, através do gênero suspense psicológico, algo bem atual: fragilidade materna e a desestrutura do seio familiar na contemporaneidade e qual a ressonância disso nos filhos. A fragilidade filmes de terror nos fazem pensar em como nós mesmo adultos carregamos antigos medos da infância. Existem diversas obras de suspense e terror que remetem a figura do pai neste aspecto da mesma forma.

(Autora: Pamela Greco)

(Fonte: paisqueeducam)

*Via nosso site parceiro.

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