Muitas pessoas se questionam sobre os motivos de escolhas amorosas erradas e que, geralmente, acabam sendo repetidas ao longo da vida.

Além disso, não é rara a experiência de iniciar um relacionamento que parece satisfatório, mas que com o passar do tempo se direciona para uma dinâmica conjugal destrutiva, onde as mesmas insatisfações de outros relacionamentos do passado são sentidas.

Jeffrey Young, criador da Terapia do Esquema, explica que a busca pela manutenção de padrões aprendidos nas relações primárias, principalmente com os cuidadores, é um componente fundamental na escolha amorosa. Isso acontece em um nível muito mais emocional do que racional, o que pode ser entendido por “química” da atração.

O autor salienta que a coerência cognitiva e perpetuação de esquemas mentais levam a uma forte atração por relações que mantenham sensações e crenças já existentes em nós (crenças sobre si mesmo, sobre outros e sobre as relações).

Com isso, as escolhas amorosas e a permanência em relacionamentos danosos, por exemplo, podem estar baseadas na química que é sentida pela ativação de um ou mais esquemas mentais disfuncionais, que são formados por crenças profundas e sensações decorrentes, principalmente, de experiências nocivas na infância e adolescência com figuras parentais ou com outras relações significativas.

A dinâmica conjugal tende a acontecer de forma que contribua para a manutenção desses esquemas disfuncionais. Situações vivenciadas no relacionamento (situações gatilho) desencadeiam uma interação esquemática entre o casal, que pode aparecer como um padrão autoperpetuado e destrutivo, envolvendo um ciclo complexo de respostas cognitivas, comportamentais, emocionais e biológicas (Yoosefi et al., 2010).

Deste modo, uma espécie de ciclo esquemático de ativações de respostas emocionais, cognitivas e comportamentais infantis pode estabelecer uma interação destrutiva entre o casal. Como uma espécie de círculo vicioso, a utilização de estratégias de enfrentamento desadaptativas frente às insatisfações sentidas no relacionamento não permite que as necessidades emocionais sejam compreendidas e satisfeitas na relação.

Por outro lado, Young (1990) entende que as relações íntimas, quando conseguem ser satisfatórias, podem ter um papel fundamental na cura dos esquemas disfuncionais. Com isso, um objetivo importante na terapia individual focada nos esquemas é ajudar os pacientes a realizarem escolhas amorosas mais saudáveis e que consigam modificar um padrão de relacionamento prejudicial.

Já a terapia conjugal pode ajudar os parceiros a identificarem e reprocessarem as emoções relacionadas aos esquemas, desenvolvendo estratégias saudáveis para alcançarem suas necessidades emocionais infantis e adultas na relação atual.

(Autora: Kelly Paim, Psicóloga na Wainer Psicologia Cognitiva)

(Fonte: flaviohastenreiter)

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