Quanto mais sabemos sobre nós mesmos e a respeito do mundo que nos cerca, mais nos damos conta do quanto falta nos apropriarmos.

Aprender nos transforma.  Uma criança que descobre a “magia” de juntar letras e, por meio dessa junção, inclui em seu universo palavras e seus significados, apropriando-se de informações que servem de base a outras mais sofisticadas, enriquece a própria subjetividade. Um engenheiro que define, por meio de cálculos, o peso e a pressão que determinada superfície suporta é capaz de construir cidades. Há, porém, aprendizados menos óbvios, mais sutis. Alguns deles se consolidam permeados por reflexões e vivências, modificam perspectivas, nos permitindo olhar outras coisas – ou, talvez, as mesmas, mas sob novas perspectivas. Há nesse movimento, porém, um aparente paradoxo: quanto mais sabemos sobre nós mesmos e a respeito do mundo que nos cerca, mais nos damos conta do quanto falta nos apropriarmos.

Tanto do ponto de vista do indivíduo quanto do coletivo, a aprendizagem pode ser entendida como a mudança de comportamento decorrente da experiência obtida pela intervenção de fatores neurológicos, relacionais e ambientais. Seguindo esse raciocínio, o aprender seria definido como resultado da interação entre as estruturas mentais e o meio.  É, portanto, algo vivo – e, assim como nosso cérebro, em constante mudança. Nesta edição de Mente e Cérebro, a proposta é aproximar descobertas da psicologia e da neurociência das salas de aula.


Em várias partes do mundo, cientistas têm se empenhado em compreender os mecanismos que concorrem para esse processo, o que o acelera e facilita ou o dificulta. E já que o assunto é aprendizagem, a verdade é que sabemos pouco a esse respeito – ou, pelo menos, não tanto quanto gostaríamos. Pior: apesar de os professores serem grandes interessados no tema, infelizmente não é nada raro que não tenham acesso a descobertas que poderiam facilitar muito seu trabalho – e também a vida dos estudantes (e não apenas de escolas convencionais ou de universidades, mas de qualquer área, inclusive a técnica).

Embora seja impossível deixar de lado as dificuldades práticas entre educadores e cientistas, certamente há interesse na proximidade entre quem ensina e quem estuda sobre como ensinar de modo mais eficiente. E parece inegável que conhecimentos sobre os mecanismos psicológicos e cerebrais interessem à ciência, bem como a prática do ensino diga respeito direto à ciência. Precisamos de troca – de conteúdo, experiência, teoria e prática. Mas, antes de tudo, é indispensável que haja desejo de saber. E isso, felizmente, também se aprende. Boa leitura!

 (Autora: Gláucia Leal)

(Fonte: Este artigo foi publicado originalmente na edição de março de Mente e Cérebro, disponível em: http://bit.ly/1RA98mI)

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