Nas literaturas pertinentes à psicologia sempre houve um foco na relação do bebê com a mãe, pois sem sombra de dúvidas a figura materna é a primeira a promover a sobrevivência deste, desde o útero. Desde a concepção, o bebê tem uma ligação única com essa figura, que reconhece seus sinais e choros de cada necessidade específica. Contudo, conforme o bebê se desenvolve a figura paterna passa a ganhar um papel fundamental: o do desenvolvimento social.

Pensando na história da família brasileira, construída em uma sociedade patriarcal, a mãe sempre teve o papel de educar e cuidar dos filhos em tempo integral, enquanto o pai sempre buscou promover a segurança e o sustento de sua família. Embora tenham ocorrido mudanças significativas nesse sentido (como ingresso das mães no mercado de trabalho) podemos perceber que o papel da figura materna continuou sendo os mesmos, enquanto o papel paterno foi colocado em check.

Desta forma, é evidente que o papel do pai não é única e exclusivamente promover o sustento e segurança de sua família, mas também é a primeira pessoa externa a relação mãe-bebê que o indivíduo tem contato. Logo, a forma como nos relacionamos com a figura paterna desde o início de nossa vida influência no modo como iremos nos relacionar com outros indivíduos na escola, no trabalho, no relacionamento amoroso e outros.

Segundo Winnicott, quando a criança passa a reconhecer que a mãe não está ali em tempo integral para cuidar dela e satisfazer suas necessidades básicas é um momento importante da entrada do pai em cena que permitirá ao filho o reconhecimento de outras pessoas além dessa relação mãe-bebê, possibilitando dessa forma o seu ingresso nas relações sociais. Espera-se, portanto, que o pai ensine seu filho a relacionar-se com outras pessoas e a existir.

Além disso, a figura paterna é fundamental desde a gestação, promovendo proteção e tranqüilidade para que a mãe possa se dedicar ao bebê em um primeiro momento, mas na medida em que este cresça, é a figura paterna que deve auxiliar a mãe a sair da simbiose com o bebê, reconhecendo que além da figura materna ela precisa ser esposa e retornar as atividades.

Portanto, o nosso desenvolvimento psicossocial depende igualmente da figura paterna e materna, de modo a promover proteção e cuidados básicos para que possamos nos sentir aceitos e pertencentes a essa família. É esse sentimento de aceitação e pertencimento que nos auxiliará a nos posicionar no mundo enquanto indivíduos.

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Isabella F. Batista
Psicóloga (CRP 06/129341), com experiências nas áreas: Clínica, Social e Organizacional. Amante da arte e da vida, gosta de compartilhar experiências e de conhecer vivências novas. Atualmente trabalha com treinamento e desenvolvimento, possui consultório particular e é colunista do site Fãs da Psicanálise.



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