A relação entre mães e filhos começa errada logo no nascimento. Geralmente, são separados de uma forma abrupta justamente num momento importante de identificação, dos primeiros contatos, do primeiro cheiro, do primeiro olhar. Quando saem da maternidade, vem o segundo erro: pensar que devem ficar eternamente juntos.

A crença de pensar que mãe é para sempre também é um pecado. Em todas as espécies, as mães cuidam dos filhos enquanto eles precisam de cuidados. No caso dos homens, não. Ninguém está preparado para esta separação. Ao contrário, é cada vez mais comum encontrar marmanjos vivendo dentro da casa da mãe santa e eterna, com tudo à mão. E, o que é pior, ela adora isso.

O terceiro tabu está em querer amar todos os filhos da mesma forma, como se eles não tivessem individualidades que os tornassem diferentes.

     A cisão entre o discurso e a prática
O problema está entre a cisão entre o discurso e a prática. As mães mudaram muito. Estão mais independentes, não exercem mais tanta influência sobre os filhos e estão mais tempo fora de casa. Graças a Deus.

Mesmo assim, ainda afirmo que, juntas, elas constituem o maior partido conservador do mundo. Ensinam o autoritarismo e as chamadas grandes virtudes da família, que são uma balela na sociedade.

No mundo, ninguém consegue ser educado, honesto e dizer sempre a verdade. E o que é ainda mais grave e mais grotesco: elas ainda fazem questão de se manterem sagradas diante dos filhos, como se não tivessem sexo. Com isso, os filhos aprendem que só pode existir amor da cintura para cima.

     O DNA da transmissão social
As mães são o DNA da transmissão social. A função delas é pôr na cabeça das crianças todo o lixo da civilização, que nós criticamos de todos os lados, mas continuamos transmitindo. Então se não houver uma nova mãe não haverá um novo homem.

      Modelo de Mãe
Durante muito tempo eu concordei com todos os psicólogos, dizendo que o problema da criança era a mãe, até que percebi que não são as mães individuais que estão erradas. É o modelo de mãe que está errado. Todas as doutrinas psicoterápicas afirmam que a neurose começa antes dos cinco anos, no lar, quase sempre por influência materna.

(Autor: José Ângelo Gaiarsa, psiquiatra)

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15 COMENTÁRIOS

  1. Não podia discordar mais: a forma leviana como este assunto é tratado num site de psicanálise, a generalização é sempre o pior dos males uma vez que cria estigma e descrimina. Não são as Mães que tem de mudar, mas a forma como a sociedade impõem essas restrições e dogmas. Essa do Graças a Deus que elas trabalham é muito perturbador do ponto de vista da complexidade e da criação de autonomia das crianças. A função da Mãe é por lixo na cabeça dos seus filhos é uma afirmação leviana e redutora do papel de mãe. Deve ter tido uma mãe muito castradora para ter uma opinião tão circular do papel da Mãe; que nutre, alimenta e dá colo físicamente e emocionalmente.
    A generalizaçao é um dos maiores lixos sociais, o senhor quando prescreve um antidepressivo tem a preocupação de encaminhar os seus pacientes para psicoterapia, o que deviam fazer a maioria dos psiquiatras, ou vai deixar-me cair na tentação da generalização de que psiquiatra só se preocupa um prescrever fármacos, a maioria deles inúteis?
    O seu artigo carece de suporte científico, além de ser um artigo de opinião sem qualquer fundamentação teórica, baseia-se numa opinião de alguém que se rodeou de mulheres pouco sensíveis e muito estigmatizadas, e que leu muito Freud e pouco Winnicott. Vê como é fácil cair na opinião e julgamento. Difícil é vermos e descobrirmos o melhor do mundo, ao invés de apontar os erros, nomeia as qualidades, talvez assim consiga inspirar Mães a modificarem o seu papel social para que a sociedade mude perante as suas obrigações.
    Este site devia ter preocupação nos conteúdos que coloca.
    Bom Dia

  2. E oq seria esse modelo maternal correto?

    Até onde podemos criticar as mães sobre como criam seus filhos?

    Eu vejo um texto q faltam essas abordagens…

    A função das mães não é por na cabeça das crianças o Lixo que é a sociedade

    Mas sim, orienta-las para os males do mundo

    A mãe ensina valores

    Mostra o certo e o errado

  3. Jura que isso é um artigo. Ideias jogadas no vazio, argumentação frágil e escassa. Sem sustentação, o texto pretende sabe-se lá o que quando arranha algumas ideias senso-comum. Lamentável!

  4. Lamentavel este texto. Quem o escreveu precisa muito amadurecer e deixar de dar respostas as coisas de forma covarde. Is covardes adoram atribuir seus fracassos justificando a criaçäo que teve, ao invez de se responsabilizar pelas suas escolhas

  5. Achei muito precipitado e generalista o conteúdo deste artigo.
    Pondo culpa na mãe, como se a mulher por trás desse papel não estivesse também inserida no contexto de influência e absorção dos costumes e da cultura ideológica da sociedade! Não existe uma resposta certa ou exata de quem é o “culpado” para as falhas humanas que TODOS nós estamos suscetíveis, já que nós, todos seres humanos, somos passíveis de “erros”.
    E que “erro” seria esse? De uma decisão que a todo tempo pode ser contestada ou mudada de acordo com a vontade de cada um. O autor deste artigo que se diz psiquiatra precisa ser mais neutro ao explicitar fatos de uma realidade, nem sempre aplicável em todas as situações.

  6. Concordo inteiramente com os comentários acima. E ainda acrescento uma questão: se a mãe não se incumbir de passar o “lixo social” para o filho, quem deveria fazê-lo?
    Sim, porque alguém deve passar aqueles “valores, autoritarismos e outros procedimentos civilizatórios”… Ou deveriamos, talvez, prosseguir ” evoluindo” até a barbárie total?
    Alguém precisa mostrar à criança, com amor, o que nos torna humanos, as regras que tornam possível a convivência pacífica com nossos iguais, a lei e sua observância.
    Não parece um “conservadorismo vcioso” por parte de uma mãe querer inserir seu filho da melhor maneira na sociedade que o rodeia. Até porque, para vir a modificá-la, este sujeito terá de conhecê-la e vivenciá-la primeiro.
    Lastimável a pseudo-iconoclastia de Gaiarsa. E digo pseudo porque a sua argumentação é vazia e completamente insustentável.

  7. A mãe é cercada de sacralidade mas esta longe de ser santa… somos mulheres humanas sujetas a erros inclusive por amor. E como se erra por muito amar. O texto e um contraponto necessário. Gosto de Gaiarça por isso, tocar a ferida. Nada e absoluto existem as Medeias, as mães que criam debaixo das saias crianças dependentes inabeis que vão penar num mundo que é hostil, ( egoismo… amor?) Existem as mães dos pequenis reis do mundo egoicos que servem com escravas e ensinam por assimilação que os demais devem agir da mesma forma… São mas? Não! Amor … Será que há tanta incoerencia assim no texto ou será que nosso ego foi ferido e nosso “sagrado” foi maculado?

  8. Que texto horroroso!
    O autor dever ser filho de chocadeira!
    Decepcionante!
    Não deveriam publicar um artigo tão grosseiro, infeliz e que mostra o total desamor!

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