A comunicação humana é um glorioso caos. E imagens, sejam quais forem, arte ou até emojis e emoticons, às vezes, dizem muito mais do que a linguagem pode dizer

“Você poderia dizer em palavras que não haveria nenhuma razão para pintar.”

Estas palavras são atribuídas ao pintor realista Edward Hopper. Poucos podem pintar como Hopper poderia, mas todos nós podemos ter a sensação de que as palavras às vezes não são suficientes. Dito isto, o que fazem a imagens serem melhores? As palavras são, afinal, coisas incrivelmente versáteis.

Até mesmo uma supostamente simples e inequívoca como, digamos, ‘chuva’ pode ser usado para sugerir uma infinidade de significados, uma infinidade de implicações. Como parte de uma conversa sobre o meu humor, a exclamação ‘Chuva!’ pode dizer algo como: “até o tempo tem me deprimido”…

A comunicação comum está repleta de uso figurativo, de uso não literal da palavra. Essa situação é fogo! Tempo é dinheiro! Linguistas têm documentado detalhadamente como a metáfora, entre outros tipos de expressões figurativas, são tão penetrantes na linguagem cotidiana, que geralmente nem notamos. Sociedades não são organismos vivos, mas você não saberia distinguir isso pela nossa linguagem do dia a dia. Falamos de aflições sociais, de corrupção na sociedade, do corpo político sem confiança, e de como devemos dar à nossa nação uma “vacina de honestidade”.

Os exemplos são intermináveis, e essa flexibilidade de expressão é poderosa. Como então a pintura, ou qualquer forma de arte, vai fazer aquilo que a linguagem não pode?

Para responder a esta pergunta, precisamos olhar para a comunicação humana em todos os sentidos. Como no caso, coloca a XKCD – uma história em quadrinhos da web, com temas de “romance, sarcasmo, matemática e linguagem”

“Toda forma de se construir uma frase, soletrar, dar o tom e o tempo carrega consigo uma infinidade de sinais e contextos, subtextos e muito mais. E cada ouvinte interpreta esses sinais da sua própria maneira. Portanto a linguagem não é um sistema formal. A linguagem é um glorioso caos”.

É Isso mesmo. Mesmo algo tão supostamente literal como “ O próximo ônibus sai às 12 horas” pode ser interpretado de uma forma figurativa (as coisas estão realmente organizadas e eficientes aqui! )

E o mesmo é verdade para outros meios, não linguísticos de expressão. Nós damos de ombros, apontamos, fazemos hum hum e ham ham, levantamos as sobrancelhas, gememos e limpamos a garganta.

Às vezes, estes comportamentos são altamente dependentes do contexto . Outros, como um aceno de cabeça, pode ser tão convencional e estereotipada como são as palavras. Há também muitos casos , quase linguísticos , em parte convencionais , como ” Nossa ! ” ” Ai! ” e “O que é isso!”. Podemos piscar para indicar uma indicação de cumplicidade .

O recente sucesso cultural dos Emoticons e Emojis das redes sociais assim como a linguagem, não tem um sistema plenamente determinado, formal de codificação e decodificação. Não é só a linguagem que é um caos glorioso. É a comunicação humana em geral.

Por isso, quando estiver falando, cuidado com as expressões não verbais. Elas dizem muito mais do que você imagina.

Isso serve para ouvir também. Você pode saber se a pessoa está ansiosa, nervosa, mentindo ou dissimulando.

Em Psicanálise e nas terapias de modo geral, o “não verbal” é tão ou mais importante quanto o que é dito.

Algumas polícias do mundo, principalmente as de Alfândega, são treinadas para analisar a coerência, ou não, do que se diz com o movimento das mãos, dos olhos, etc.

Preste atenção!!

Texto traduzido e adaptado do livro de Thom Scott-Phillips – Pesquisador Sênior de Antropologia Cognitiva e Evolutiva na Universidade de Durham, no Reino Unido

Seu livro mais recente é: Falando de Nossas Mentes: Por Que A Comunicação Humana É Diferente E Como A Linguagem Evoluiu Para Torná-la Especial (2014).

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Genaldo Vargas
Psicanalista, Palestrante, Professor Universitário, Viajante do mundo, curioso e eterno aprendiz..... É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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