Você já disse a frase: “Não há nada tão bom que não possa melhorar”? Ou então, no meio de uma tarefa de grupo, não disse, mas pensou com seus botões: “Se é pra sair bem feito, é melhor fazer sozinho”?

Se a resposta foi sim, sim, você pode se considerar perfeccionista.

Às vezes, essa mania de perfeição atrapalha mas, por outro lado, já te rendeu muitos elogios…

Afinal, ser perfeccionista é uma ótima qualidade ou um tremendo defeito?

O perfeccionista é aquele que quer fazer tudo e tudo tem que ser 100%, como uma compulsão. O resultado disso é que ele se sobrecarrega profissional e emocionalmente.

“Qualidade, claro!”, diz a estudante de Comunicação Roberta L., 24 anos.

Suas anotações de aula são xerocadas pela turma toda. Seu carro está sempre brilhando. Suas roupas, bem passadas.

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“Vai dizer que isso é ruim? É ótimo! Todo mundo quer fazer trabalho de grupo comigo porque sabe que eu faço tudo. E faço mesmo. Prefiro não arriscar, porque o outro pode fazer nas coxas ou até esquecer. Aí eu fico na mão”, conta ela, adepta do “quer bem feito, faça você mesmo”.

Orgulhosa da sua mania de perfeição, a estudante diz que o único problema é o cansaço: “Ver tudo perfeitinho dá um trabalho danado!”, confessa.

Às 18h você deixa o trabalho e vai para o seu lar, doce lar. Chegando lá, dá pra ser perfeccionista?

Para a funcionária pública Solange V. dá. “Aqui em casa tem que estar tudo lindo e, principalmente, limpo. Senão não consigo receber nenhuma visita”, diz ela, que já deixou de chamar muito amigo para subir por medo de ser tomada como bagunceira.

Pensa que a casa dela estava de pernas pro ar? Nada!

“Como boa perfeccionista, sou organizada. Mas se tem um chinelo na sala ou louça pra lavar, não quero que ninguém veja e deixo de chamar os amigos para entrar por causa disso”, revela, um pouco ressentida por não abrir as portas de sua residência com maior frequência.

O ótimo é inimigo do bom

A publicitária Joana C., 27 anos, sofria desse mal.

Na hora de montar seu portfólio para procurar emprego, achava que estava bom, mas podia ficar melhor. Aí… não terminava nunca e continuava sem emprego.

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“Até que um dia caiu a ficha de que o ótimo é inimigo do bom! Eu podia passar a vida inteira melhorando a minha pasta em vez de mostrar o que eu já tinha pronto, que era muito bom!”, conta ela, que diz ter vivido um processo de libertação.

“Mostrei o meu trabalho em muitas agências, mesmo sabendo que poderia melhorar em alguns aspectos. Acabei conseguindo um trabalho, onde sempre me dedico ao máximo. Mas, agora, sem neura”, diz ela.

Nem qualidade, nem defeito. Para Ana Maria Rossi, presidente da ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil) e organizadora do livro “Stress e Qualidade de Vida no Trabalho – perspectivas atuais da saúde ocupacional” (Editora Atlas), o perfeccionismo não apenas é uma doença como também pode provocar outras.

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“O perfeccionista é aquele que quer fazer tudo e tudo tem que ser 100%, como uma compulsão. O resultado disso é que ele se sobrecarrega profissional e emocionalmente”, explica ela, salientando que a procura pela perfeição é frustrante e estressante uma vez que é irreal.
Ana Maria defende que há uma grande diferença entre excelência e perfeição. “As pessoas devem se dar conta de suas limitações e buscar fazer o seu melhor naquele momento e delegar o que não for sua especialidade”, afirma.

Segundo ela, os perfeccionistas estão sempre tensos, em estado de vigília. Por isso, têm mais tendência a ter enxaquecas, dores musculares e hipertensão arterial. “Para evitar que isso aconteça, em primeiro lugar, a pessoa deve se dar conta de que o perfeccionismo é uma deficiência e não deve ser cultivado. Em seguida, ela deve procurar fazer uma reestruturação mental e se reprogramar para não se colocar em situações de tamanho desgaste emocional”, finaliza.

(Fonte: bolsademulher.com)

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