Mulheres que amam de menos…

Eu quero dar meu depoimento. Creio ter um problema. Se mulheres que amam demais são aquelas que sufocam seus parceiros, que não confiam neles, que investigam cada passo que eles dão e que não conseguem pensar em mais nada a não ser em fantasiosas traições, então eu preciso admitir: sou uma mulher que ama de menos.

Eu nunca abri a caixa de mensagens do celular do meu marido.

Eu nunca abri um papel que estivesse em sua carteira.

Eu nunca fico irritada se uma colega de trabalho telefona pra ele.

Eu não escuto a conversa dele na extensão.

Eu não controlo o tanque de gasolina do carro dele para saber se ele andou muito ou pouco.

Eu não me importo quando ele acha outra mulher bonita, desde que ela seja realmente bonita. Se não for, é porque ele tem mau gosto

Eu não me sinto insegura se ele não me faz declarações de amor a toda hora.

Eu não azucrino a vida dele.

Segundo o que tenho visto por aí, meu diagnóstico é lamentável: eu o amo pouco. Será?

Obsessão e descontrole são doenças sérias e merecem respeito e tratamento, mas batizar isso de “amar demais” é uma romantização e um desserviço às mulheres e aos homens. Fica implícito que amar tem medida, que amar tem limite, quando na verdade amar nunca é demais. O que existe são mulheres e homens que têm baixa autoestima, que tem níveis exagerados de insegurança e que não sabem a diferença entre amor e possessão. E tem aqueles que são apenas ciumentos e desconfiados, tornando-se chatos demais.

Mas se todo mundo concorda que uma patologia pode ser batizada de “amor demais”, então eu vou fundar As Mulheres que Amam De Menos, porque, pelo visto, quem é calma, quem não invade a privacidade do outro e quem confia na pessoa que escolheu pra viver também está doente.

(Autor: Martha Medeiros)

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Fãs da Psicanálise
A busca da homeostase através da psicanálise e suas respostas através do amor ao próximo.



8 COMENTÁRIOS

  1. Perfeito, amei o texto. Concordo com tudo, isso não é amar de menos e sim possuir amor próprio, auto confiança e confiar em quem escolheu, agora se a outra pessoa não pensa e não faz da mesma forma precisa ver que tem de errado e uma terapia ajudaria a descobrir.

  2. Olha gente, também sou psicanalista. Na verdade o q menos importa neste caso é o nome que foi dado ao grupo, o importante é que de certa forma ajuda e muito as mulheres com auto estima baixa, insegurança, como foi citado no texto.
    Não existe uma competição e a intenção não medir a quantidade que cada um ama, até pq isso é impossível.
    É um grupo que estudei, tive o prazer de passar um tempo com alguns grupos e sim é uma alternativa válida, já que consiste em seguir alguns passos de conscientização para que a mulher que sofre dessa patologia, possa sentir-se apoiada e ver q não é a única e assim diminui a ansiedade de certo modo.
    A intenção é boa, paliativa com certeza, mas não faz mal a ninguém, não tem fins lucrativos e não deveria ser julgado dessa maneira.
    Quando tratamos de um ser humano, principalmente em quadros de patologia, lembrar apenas de que somos também seres humanos e sê-lo.
    O importante é respeitar o outro como ele é, se não podemos ajudá-los a encontrar um melhor caminho, também não devemos por obstáculos.
    “Mais amor por favor”…

  3. Me identifico parcialmente com o texto. Sinto da mesma forma em minha relação com meu marido, respeito o ponto de vista apresentado, mas – no meu caso – não posso dar crédito apenas à minha auto estima. Demos muita sorte em nosso encontro pois, com o tempo e o amadurecimento da relação, percebemos que valorizamos as mesmas coisas: colocamos a nossa relação em primeiro lugar, investimos muito tempo em diálogo e compreensão, cedemos muito (confesso que mais ele do que eu), somos muito sinceros um com o outro. Isso nos ajuda a dar uma base para que a desconfiança não exista e esse é um motivo claro da falta de ciúme e controle. Acho muito dura a realidade de mulheres/homens que se envolvem, se apaixonam, se casam com parceiros imaturos emocionalmente e que não bancam a relação, o que muitas vezes causa uma reação doentia como essa. Não quero ser simplista, sei que muitos outros fatores estão em jogo, mas esta é minha realidade. Uma relação, para amadurecer, demanda honestidade, empenho e tolerância. Dos dois.

  4. Acho que há uma confusão entre amar de menos e ter confiança na pessoa que se ama… Eu sei que não amo de menos, mas tb sei que não tenho esses comportamentos obsessivos de tentar achar que a vida do meu parceiro parceiro tem de girar à minha volta e controlar a mesma. Respeito as opiniões mas amar assim danifica ambas partes.

  5. Claro que temos que ter confiança em nos mesmos…e não viver em plena obcessão…vigiando e manipulando o campanheiro…mas tenho observado alguns relatos de pessoas que sofrem de “preguiça emocional”. Conceito que revela o quanto o sujeito se embotou emocionalmente para não sofrer a decepção da perda ou frustração no amor.
    No fundo é um mecanismo de defesa que o sujeito consciente e inconscientemente desenvolve para se proteger, mas que acaba afastando-o de experiências emocionais que o ajudariam a se desenvolver e conhecer mais profundamente este sentimento e, consequentemente, conhecer melhor o outro… a natureza humana de maneira mais profunda.

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