Sempre existiu em nossa sociedade a ideia de uma boa mulher como sendo aquela que casa e possui filhos, desempenhando um bom papel de mãe e esposa. Antigamente isso era muito evidente, pois a grande maioria das mulheres casava, tinham filhos e se dedicavam a eles e aos afazeres domésticos, enquanto o homem provia o sustento da casa trabalhando fora.

Com o tempo, a configuração familiar e os papéis desenvolvidos tanto pela mulher, como pelo homem, foram sendo modificados e atualmente vemos muitas mulheres que trabalham em empresas, que provém o sustento da casa, mas ainda assim precisam ser “boas mães” ou “boas esposas”, ou seja, ainda que tenham ocorrido diversas mudanças sociais e culturais, ainda que tenhamos o objetivo de nos desenvolver enquanto profissional, nós – mulheres – ainda somos cobradas a termos como objetivo de vida: casar, ter filhos e ser uma boa mãe e esposa.

Embora exista essa cobrança, é importante que tenhamos consciência que existem mulheres que não querem se casar e muito menos ter filhos, não se sentem preparadas para isso e não existe nada de errado nelas, pois, parafraseando Simone de Beauvoir – escritora e ativista francesa – ninguém nasce mãe, torna-se.

Não existe nenhuma característica biológica, psíquica ou econômica que define que uma mulher é obrigada a ter filhos e desempenhar o papel de mãe, nem que ela seja obrigada a casar-se: isso foi construído culturalmente. Por outro lado, também existem mulheres que não podem ter filhos, seja por algum problema emocional ou fisiológico e que se sente frustrada, pois ela “nunca será uma boa mulher”, visto que não poderá desempenhar o papel de mãe.

Além disso, não existe um manual de instruções que diga o que é ser uma boa mãe, ou seja, caso uma pessoa ainda decida ser mãe, queira assumir essa responsabilidade e esse compromisso, ela está fadada a erros, a acertos, a fracassos e vitórias, pois cada experiência é única e ninguém está preparado para isso. Portanto, tornar-se mãe é também um ato de coragem, de assumir um compromisso de tentar ser o melhor que se pode.

Ser mãe é, então, uma definição subjetiva, que dependerá de vários fatores como a historicidade dela, suas características psicológicas, físicas, financeiras e culturais, o contexto da gravidez e do nascimento do filho, e outros. Logo, podemos dizer que ser mãe é cuidar de seu filho e prover suas necessidades básicas de maneira única e singular.

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Isabella F. Batista
Psicóloga (CRP 06/129341), com experiências nas áreas: Clínica, Social e Organizacional. Amante da arte e da vida, gosta de compartilhar experiências e de conhecer vivências novas. Atualmente trabalha com treinamento e desenvolvimento, possui consultório particular e é colunista do site Fãs da Psicanálise.



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