Assim que começamos a viajar de férias, principalmente nessas épocas de festas, nos deparamos com a seguinte situação:iniciamos as visitas aos avós, tios, primos, pessoas que são queridas da nossa família mas não necessariamente do convívio rotineiro dos nossos pequenos e os parentes geralmente esperam ser recepcionados com muitos beijos e abraços das crianças, não é mesmo?

Infelizmente, nem sempre cenas de reencontro de filmes acontecem nessas horas e confesso que me sinto despreparada às vezes para lidar com as expectativas ansiosas dos parentes e amigos versus o tempo de minha filha se ambientar…

Para lidar com situações como essas, muitas mamães acabam por obrigar a pequena criança a dar um beijo e abraço no parente, mesmo sendo contra a vontade dela. Eu mesma já falei: “ah Clara, dá um beijinho na sua tia!”.

Mas devemos ter esse tipo de comportamento? Que mensagem estamos passando para nossos filhos obrigando-os a ter contato corporal sem a vontade deles?

Pensando nisso, resolvi abordar parte de um artigo da CNN, citado por PopSugar,chamado “Eu não sou dona do corpo de meu filho”, que explora muito esse tema. O artigo original se encontra aqui: http://edition.cnn.com/2012/06/20/living/give-grandma-hug-child/

Katia Hetter, a autora, diz que “forçar crianças a tocar pessoas quando elas não querem, acaba por deixá-las vulneráveis a potenciais pessoas mal intencionadas (futuros abusos sexuais).

Ao assumir que obrigar seu filho a dar um beijo da bochecha da vovó não tem nada a ver com potenciais abusos sexuais no futuro, você estará violando a “zona de conforto” de seu filho e esta criança aprenderá a aceitar qualquer pessoa nesta situação.

O artigo ainda aborda que devemos incentivar nossos filhos a ouvir seu próprio “senso de zonas de conforto” e jamais inventivá-los ignorar esse tipo de feeling. Esse senso é aquele que nos alerta a qualquer situação que nos deixe desconfortáveis perto de outra pessoa. A criança nunca deve tocar ou ser tocada quando se sente desconfortável, sendo essa pessoa da família ou não, justamente para que ela não perca esse senso de proteção no futuro. Beijos e abraços NUNCA devem ser obrigados e sim vir da vontade única e exclusiva da criança de expressar seus sentimentos.

Crianças pequenas geralmente nos testam mesmo (leia mais sobre terrible two) e uma das maneiras que eles encontram de chamar a atenção é negando-se a fazer coisas que nós teremos de qualquer forma que arrumar um jeito de convencê-los a fazer, como comer, tomar banho, se vestir e comportar-se educadamente.

Porém, recusar a demonstrar afeto, como falado acima, nunca deve ser colocado nessas categorias primordiais como alimentação e bom comportamento. Crianças podem sim ser muito bem educadas respeitando seus jeitos individuais de ser e demonstrar afeto.

Uma atitude que ajuda muito a lidar com essas expectativas de parentes, se concordar com essa linha de pensamento do artigo da CNN, é conversar sobre essa linha educacional que está adotando com os seus entes queridos. Eles respeitarão sua decisão como mãe.

Outra coisa que pode ser feita, é substituir a obrigação por beijos e abraços por apertos de mão e “toques”, que é também uma forma super educada de cumprimentar as pessoas. Até as crianças mais tímidas podem aderir. Dá até para criar “cumprimentos de mão especiais e estilizados”, com os parentes mais queridos. Diversão garantida.

Aos poucos, conforme o vínculo da criança com os parentes vão se consolidando, elas naturalmente irão demonstrar afeto, por livre e espontânea vontade.

Este post expressa opiniões do artigo da CNN. Eu mesma fiquei bastante chocada pois frequentemente solicitava a Clara (até insistia) para ela dar beijinhos nos avós que moram em outra cidade e não a veem com frequência. Porém, estou começando a pensar e olhar isso com outros olhos. Realmente nossos instintos são sempre muito importantes e, se não nos sentimos bem com uma pessoa, jamais devemos deixá-la nos tocar. Claro que parentes queridos quebram essa barreira rapidamente e logo, conforme a criança for se sentindo mais confortável, ela mesma pode querer espontaneamente expressar afeto.

(Autora: Marrie Ometto)

(Fonte: mamaeplugada.com.br)

 

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16 COMENTÁRIOS

  1. Muito interessante! Eu sigo exatamente essa linha com meu filho. Entendo e permito que ele entenda que o corpo dele é um espaço dele e que ninguém tem o direito de invadir. Desde que ele nasceu cuido deste modo, principalmente pq ele nunca gostou de ser apertado, agarrado e nem de ficar no colo. É difícil a partir do momento que as pessoas acham que ele tem obrigação de ter certos comportamentos, mas ainda assim eu insisto que ele não gosta e o corpo é dele, e ele deve ser respeitado. Acho muito válido e meu filho, nem por isso, deixa de ser uma criança carinhosa, pelo contrário, ele é muito preocupado com as pessoas à sua volta e é muito atencioso. E ele só tem 3 anos e já sabe se impor e proteger seu espaço.

  2. Esse comportamento dos pais só vai antecipar no novo ser o que o mundo moderno esta vivendo nos tempos de hoje….frieza humana. Laços afetivos familiares são muito caros, Só joga fora esse valor quem não foi amado como tal. Sou do tempo em que abençoar filhos, sobrinhos, afilhados e netos tem um valor muito grande e isso não tem preço. Tenho 46 anos e tenho contato afetivo com primos de quarta geração, os responsáveis por este vinculo preciosíssimo, são de meus pais…e como é bom receber um telefonema desse primo(a). e como é bom reencontra-los e abraçar o seus filhos ..netos… e é recíproco…

  3. Exagero essa linha de pensamento! Não é questão de obrigar, mas ensinar as crianças a cumprimentar de forma devida e preestabelecida quando se encontra um parente, um desconhecido etc. Acho que tem assunto mais importantes para se debater, principalmente porque abraço, contato físico de forma respeitosa e amorosa salva vidas. Mente poluída que pensa assim!

  4. Concordo! Quando eu era pequena odiava dar beijos fosse a quem fosse e muitas vezes era obrigada! E também odiava que me dessem. Ainda hoje não gosto ! Por isso sempre pensei que não vou obrigar o meu filho a fazê-lo contra vontade. Mas isto aqui tudo se resume a cultura! Em Inglaterra todos se cumprimentam com apertos de mao e eu própria decidi aderir. Um dia até houve um homem que me perguntou se eu era homossexual !!!!!!???? Meu deus… Não meu, eu não quero é andar aí a beijar ou ser beijada por toda a malta !!

  5. Boa noite a todos, eu não iria comentar nada, sinceramente, mas após ver tantas pessoas afirmando que as coisas ditas no artigo são frescura, bem, acho que é bom opinar quando se pensa diferente. Atualmente evito contato físico com a grande maioria das pessoas, sinceramente não me sinto bem, e quando era nova meus pais me incentivavam sempre a abraçar e beijar parentes… Inclusive um primo meu, que junto com os pais dele brincavam dizendo que iriamos nos casar no futuro, e sabe, nunca contei a eles, que fui abusada por esse mesmo primo, que acredito ter sido influenciado por seus primos mais velhos, que coisa não? Vocês acham que é brincadeira, que nunca vai acontecer com um filho de vocês. Deixo aqui esse relato, que não foi fácil de escrever, para tentar alerta-los sobre a real possibilidade de acontecer sim um problema. Afeto deve ser natural, eu abraço e beijo quem eu quero, jamais farei isso por me sentir forçada e nunca incentivaria alguém a faze-lo.

  6. Acho que a quantidade de comentários que refutam essa questão é feita sem pensar sobre como a cabeça das crianças funcionam. Todas as estruturas de pensamento estão sendo formadas e elas não sabem ainda julgar ou separar situações, isso é aprendido, ela pode sim se confundir com a situação de ter que tocar ou ser tocada contra sua vontade e ser abusada e só perceber depois de um tempo o que aconteceu, depois que a maturidade mental/ cognitiva possibilitar isso. Em crianças pequenas uma boa parte do aprendizado é feito por associação ela vai associar as situações de forma inconsciente, mas não vai saber julgar e nesse ponto o abusador tem vantagem. O mundo é uma merda tá cheio de louco, vários abusadores estão entre nós. Essa forma de ensinar a criança a se respeitar é uma forma de ensiná-la a se defender sem dizer pra ela o que ela não precisa saber, sem deixá-la receosa com as pessoas. Se vocês tiverem contato com psicológos vão descobrir que abuso infantil é super comum, é uma realidade terrível, precisamos criar condições para as crianças se defenderem.

  7. Texto simplesmente ridículo, para não dizer histérico. Quando pais pedem para seus filhos beijarem ou abraçarem parentes, isto não significa, ao contrário do que diz o texto, que as crianças estejam sendo “obrigadas” a tanto. Não bastasse essa visão literalmente histérica de um simples pedido para que uma criança abrace ou beije um parente, o texto dá um “salto qualitativo” e vislumbra um futuro de possíveis abusos sexuais contra a criança (!). Isso me lembra o conselho que um pai ouviu de uma psicanalista no Rio Grande do Sul: que a filha deste homem não fizesse uma viagem para a Europa, “pois ela ficaria esquizofrênica”. Por isso sempre recomendo que quem quiser buscar psicoterapias que nem pense em procurar psicanalistas.

  8. Na cultura americana (CNN) o toque ou qualquer demonstração de afeto por contato é um exagero, nós latinos, calientes e extremamente afetuosos vemos isso como falta de educação, talvez isso funcione bem com as crianças americanas, mas cá em terra brasilis onde seu filho está exposto a cultura do afeto excessivo, isso é um exagero, uma frescura…
    Creio que subestimamos nossas crianças, e evitamos diálogos sobre o que é afeto e o que é abuso, tenho filho adolescente, que já passou por essa educação de cumprimentar os parentes e outro mais novo que está sendo educado a cumprimentá-los. O papo é reto: isso pode, isso não pode. Se é certo, não sei, mas dizer o que é certo pra todo mundo isso sim é um exagero.

  9. Basta nos lembrarmos de como nos sentíamos quando éramos crianças, diante da exigência de beijos nas bochechas das tias velhinhas, abraços nos tios barbudos, manifestações de afeto ensaiadas, desajeitadas, constrangedoras! Muitas pessoas se lembrarão disso, tenho certeza! As crianças não são propriedades, bonecos ensaiados por nós para que façam o que os nossos próprios corpos fariam. Elas tem seus próprios corpos, e este é o limite do respeito! Devemos educar nossas crianças para que sejam sociáveis, mas existe um limite, e este limite é o afeto demonstrado pela linguagem corporal, pelo beijo , pelo abraço , que devem ser espontâneos. Só assim a criança aprenderá , não só a respeitar seus próprios impulsos, mas também o verdadeiro significado do carinho e do afeto, que não pode ser obrigatório, de jeito nenhum , e que se traduz nestes beijos e abraços.

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