É bem provável que se reveja nesta frase simples: a vertigem dos dias enche-nos a cabeça com ideias teimosas.

E não são precisos especialistas para compreender as implicações que isto pode ter para a vida pessoal e social de cada um. Ideias, preocupações ou pensamentos repetitivos, qualquer argumento serve para nos tirar o sono.

Megan Mann, colaboradora do Elite Daily, refletiu sobre o assunto e partilhou, na primeira pessoa, o prejuízo de “pensar demais”.

Estas considerações são sempre subjetivas mas são também uma boa base para refletir sobre o modo como muitos de nós lidam com problemas que, em bom rigor, toda a gente tem. A diferença está, como quase sempre, no modo como lidamos com o que nos passa pela cabeça.

É relativamente fácil julgar que a vida nos reservou os maiores problemas. Há quem não se leve a si e à vida a sério, mas nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Os “ses” facilmente ganham um peso desfasado da real importância das coisas. Isto porque é fácil cair na tentação de pensar pela cabeça dos outros. Um problema que pode deixar de o ser.

Como? Megan Mann responde com mais uma pergunta.

Falar ou não falar?

Falar, quase sempre. Assumir como certo o pensamento do outro pode tornar-se num erro fatal para as relações interpessoais, a todos os níveis.

É certo que cada um de nós tem a sua versão da verdade que determina as nossas decisões (ou preocupações), mas quantas vezes somos surpreendidos por aquilo que o outro pensa ou sente, de tão diferente do que imaginávamos?

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Uma conversa esclarecedora pode representar para si um ato de coragem, mas provavelmente será surpreendido por um desfecho contrário à sua teimosia.

Ou simplesmente, ouça a sua própria voz enquanto desabafa as suas inquietações. Concretizar os pensamentos em sons pode ajudar a colocar os problemas em perspetiva.

Quando os pensamentos provocam insônias

É durante o sono que damos tempo ao cérebro para se reorganizar. Levar os problemas para a almofada é meio caminho andado para garantir uma noite em claro. E talvez o pior seja manter-se às voltas na cama ao ponto de se irritar com o facto de ver as horas passar sem que o sono chegue.

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Acenda a luz e leia umas quantas páginas de um livro, tente preencher o pensamento com outras imagens. Os problemas não vão desaparecer, mas talvez os consiga arrumar na gaveta do dia seguinte.

As consequências de uma cabeça às voltas

É comum assumir que os problemas são só nossos. É um erro. São raros os que conseguem a proeza de impedir que o que sentimos tenha reflexo direto ou indireto na relação com os outros, seja em casa, na esfera de amizades ou no trabalho.

As nossas preocupações refletem-se no outro de uma forma inconsciente, facilmente abalam as relações. E se o lastro da amizade e do amor não for suficientemente forte, facilmente entramos numa espiral negativa de onde pode ser difícil sair.

Mas o que fazer com uma cabeça que não para? Há alternativas? Muitos especialistas sugerem a meditação, alterações positivas dos hábitos de vida, nomeadamente o exercício físico e a alimentação saudável.

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Mas não é preciso complicar. Todas as pessoas têm mecanismos de escape, seja uma ação, uma pessoa ou um lugar. Concentre-se em descobrir qual é o seu, é tempo bem perdido. E desabafe com um amigo, brinque com os seus filhos, leia um livro, oiça um disco que o anime. Por falar nisso, dançou este fim de semana?

Fonte: Observador

Autor: Pedro Esteves

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