De acordo com a Organização Mundial da Saúde, todo ano, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio, enquanto muitas outras tentam, em vão, tirar a própria vida. No Brasil, estima-se que 40% dos casos não sejam notificados. Mesmo assim, acontece um suicídio a cada 40 minutos.

Mas se as taxas assim são tão preocupantes, por que nós só falamos sobre quando os casos mais extremos e chocantes vêm à tona?

Recentemente, dois se tornaram públicos: o motoboy Carlos Ti On Martins Kon pulou, abraçado ao filho, do alto do prédio do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, na Barra Funda (São Paulo), e o administrador Nabor Coutinho se jogou da varanda do próprio apartamento depois de matar a esposa e os dois filhos, no Rio de Janeiro. No bolso de Kon, um bilhete dizia: “Às vezes tem um suicida na sua frente e você não vê”.

O que faz alguém se matar?

O suicídio não é um desvio moral ou uma falha de caráter, mas sim uma atitude extrema resultante de um transtorno grave com causas psíquicas e/ou emocionais.

“Ele é o último dos sintomas de um quadro gravíssimo que abala todo o pensamento, assim como o infarto é o último sintoma de uma doença cardíaca não diagnosticada”, explica a psiquiatra Maria Cristina De Stefano.

Em 2012, seu filho, Felipe, então com 34 anos, se matou. Desde então, ela se dedica à prevenção do suicídio, dá palestras, escreveu livros sobre o tema e é voluntária no Grupo de Apoio à Vida de Jundiaí (SP).

Estudiosa do assunto, ela explica que o suicídio é uma questão fisica, desencadeada por alguns maus funcionamentos do organismo: “É uma modificação dos neurotransmissores, uma alteração neuroquímica mental e já é conhecida a genética que determina o mau funcionamento físico de um neurônio”.

Transtornos que precedem o suicídio

Em meio a esse mau funcionamento do corpo humano, podem surgir diversos distúrbios que, posteriormente, desencadearão o comportamento suicida. O motivador mais comum é a depressão grave, seguida pelos transtornos psicóticos, como a esquizofrenia, e, depois, pelos transtornos de personalidade.

Leia Mais: Está na hora de falar sobre suicídio

As depressões mistas – que unem episódios de depressão e de mania, como inquietação e euforia – são as que mais causam o abatimento psíquico, marcado pela dificuldade de pensar, elaborar e decidir, associado à agressividade, à violência e ao isolamento. “Existe, nesses quadros, um inquietude muito intensa e desorganizada”, explica a psiquiatra.

Degradação mental progressiva

Com a evolução da doença mental, o comportamento da pessoa tende a mudar. Não existe uma regra, as alterações dependem da personalidade prévia. “O extrovertido vai falar sobre a morte, coisas como ‘a vida não tem mais sentido’, passar a se isolar mais, enquanto quem já era introvertido tende a ficar ainda mais isolado”, explica Maria Cristina.

Pode ocorrer também um desapego em relação às suas coisas, seus valores sociais e afetivos e seus relacionamentos. “Vai havendo um desligamento, porque a dor vai ficando muito grave e insuportável”, explica a especialista.

O abuso de álcool e drogas ilícitas é um agravante para os quadros mentais. Além disso, apesar de haver uma intenção e planejamento para o ato suicida, ele costuma ser desencadeado por um impulso, mais fácil quando se está sob ação dessas substâncias.

É importante ressaltar que nem toda doença mental se transforma em suicídio. Quanto antes o problema for detectado, maiores são as probabilidades de um desfecho positivo. E se olharmos de frente para a questão estigmatizada da doença mental e do suicídio, maiores são as nossas chances de diminuir sua incidência.

(Autora: Manuela Pagan)

(Fonte: vix)

(Imagem: Elizabeth Gadd)

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