Parece óbvio, mas em algumas escolhas não é. Querer tudo ao mesmo tempo e sem perdas é uma das características mais marcantes das gerações do fim do século XX e começo do séc. XXI. Tudo tem que ser imediato!

Se posso ler o resumo, para que ler o livro todo? Se posso jantar sozinho enquanto assisto TV, por que vou esperar para jantar em família? Se acho a resposta no google, para que preciso pensar para responder?

Esta lógica passa pela alimentação – baseada no modelo fast food – até a excessiva medicalização para tudo: depressão, atenção, ansiedade, insônia… Esta também é a perspectiva dos manuais de auto-ajuda: “como ser uma boa mãe em 12 passos” – “como ser um milionário antes dos 30” – “5 dicas infalíveis de sucesso” e por aí vai. As pessoas consomem tudo o que prometem trazer resultados rápidos: “perca peso em poucos dias”, “aprenda um novo idioma em um mês”, “escolha seu novo amor pelo celular”.

É como se a todo o momento quiséssemos ganhar tempo e o método mais ágil passa a ter mais valor. Fazemos isso em diferentes contextos da nossa vida sem nos darmos conta do tempo de espera: do seu tempo, do tempo do outro, do tempo natural da vida. Queremos colher os frutos sem esperar as árvores crescerem.

Mas o que tem haver o tempo com o título do texto? Tudo haver: é que na ânsia por agarrar o mundo, algumas pessoas temem deixar um pé para trás ao dar um passo a frente. Resultado: preferem pular.

Mas há também as pessoas que por falta de ambição, de flexibilidade e por insegurança, ficam paralisadas sem conseguir se movimentar. É a lógica do tudo ou nada: ou me jogo de cabeça ou fico no comodismo. As duas escolhas são perigosas e estão relacionadas ao tempo.

Na primeira, a lógica é a do imediatismo. Você quer alcançar um objetivo e aposta todas as fichas, na ideia de que, assim, conseguirá acelerar o processo. Mas esta atitude só da certo em contextos muito específicos. Em geral, não é a melhor estratégia para se chegar nem mais rápido nem mais longe. Se no seu caminho tiver um buraco, ao pular você cai de vez, ao caminhar não necessariamente.

A segunda lógica é muita mais óbvia. São as pessoas que tem medo do novo e, portanto, não se arriscam. Preferem ficar na zona de conforto. Não pensam em novos roteiros, muitas vezes, por achar
que podem se perder no trajeto desconhecido e, com isto, perder tempo.

Dar um passo de cada vez é ter a tranquilidade necessária para pensar no momento certo de caminhar, no movimento, no cenário e na direção. Seguir em frente pela perspectiva do step by step pode até parecer monótono, sobretudo para os jovens cheios de disposição para sair pulando por aí.

Por isto, reflita antes quando é a melhor hora para caminhar, correr, pular ou permanecer no lugar. Quais as consequências de cada um? A frase “devagar se vai ao longe” pode ser uma boa pista para esta reflexão.

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Rosa Abaliac
Psicóloga e mestre em Psicologia Social. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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