A infância é um momento único e com potencialidades muito particulares. É nesta fase que a criança tem a possibilidade de construir de modo encantador sua personalidade, seus primeiros desejos, suas primeiras perspectivas de mundo e a chance em vir a ser humano.

A criança, antes mesmo do início de sua formação intrauterina, deve ser acolhida e na mesma proporção em que aos poucos conquista seu espaço no ventre materno, quando nascer,necessitará de espaço para continuar seu desenvolvimento e esse espaço nãoé unicamentefísico, mas, espaço psíquico, ou seja, espaço na vida de seus cuidadores. Espaço para ser desejada, sonhada, potencializada e projetada além de um organismo composto por órgãos, veias, músculos e ossos.

Dessa maneira, um ponto de grande importância para o desenvolvimento saudável nos primeiros anos de vida é a presença de um suporte social e afetivo que proporcione as mínimas condições para o desenvolvimento saudável e construção da personalidade, algo como um alicerce para a construção de um edifício ou de uma casa. Estabase na ordem original da realidade constituída pelas relações sociais, entendemos e chamamos de família.

Segundo Winnicott¹ “no interior da família, a criança poderá avançar passo a passo, do relacionamento entre três pessoas para outros mais e mais complexos. É o triângulo simples que apresentará as dificuldades e também toda a riqueza da experiência humana. Na estrutura familiar, os pais forneceram também a continuidade no tempo, talvez uma continuidade desde a concepção da criança até o fim da dependência, que caracteriza o término da adolescência”.

É a partir das relações construídas no enlace familiar que a criança descobrirá o mundo, brincará por entre os papeis sociais, descobrirá as emoções, poderá desejar, conhecer seus próprios limites, compreender as regras sociais, assimilar a cultura do seu grupo, absorver juízo de valores e de modo subjetivo, principalmente após a adolescência e no início da juventude, criar seus próprios desejos, crenças e valores.

Em todas as fases do desenvolvimento, a família exerceum papel fundamental e delicado neste processo dialético de desenvolvimento e precisa saber oferecer amor, sem ser permissivo; colocar regra, sem ser punitivo ou agressivo; ensinar pelo exemplo e não por imposição. O fundamental de uma família é a experiência emocional enquanto célula social decuidado, amor e educação. Não é ser perfeito, mas é estar disposto aredescobrir suas limitações e buscar desenvolver-se tal como o novo integrante do núcleo familiar, para que assim, juntos, cresçam enquanto seres humanos.

Referência:

¹Winnicott, D. W. (1990). Natureza Humana. Rio de Janeiro: Imago.

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João Paulo Zerbinati
Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, atendendo em Itápolis-SP. Graduado pela PUC-Campinas. Mestrando pela Faculdade de Ciências e Letras, UNESP-Araraquara. Membro do grupo de pesquisa SexualidadeVida USP\CNPq. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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