Olhando para trás, acho que sempre tive depressão. Eu me sentia só quando era criança, mas não sabia expressar isso de forma clara. As crianças não expressam bem esse sentimento de solidão e de tristeza.

Foi quando comecei a escrever. Para tentar entender o que estava sentindo. Para tentar tirar isso de dentro de mim. A leitura também foi muito importante para tentar entender minhas emoções – e, afinal, o que ia errado em mim.

Alguns livros foram grandes amigos: “Pai, me Compra um Amigo”, de Pedro Bloch, foi um deles – a história de um garoto que se sente só. Eu me sentia só. Muito só. Deslocada do mundo. E foi assim por muitos e muitos anos. Até hoje, vez ou outra, ainda me pego perguntando a meus amigos mais íntimos se eles gostam de mim. O sentimento de não-pertencimento, e de desamor, ainda é um companheiro cruel que me acompanha aqui e ali.

Depois li “O Menino do Dedo Verde”, de Maurice Druon, a história de um garoto que fazia com que as plantas crescessem magicamente, bastando tocá-las com seu dedo. O final da história, melancólico, desprovido de felicidade, me tocou profundamente.

De novo, lá estava eu me identificando com a solidão. Claro que também havia poesia naquela história. Mas quando você está sorumbática, você não enxerga a beleza. Você só enxerga o que é taciturno. Os raios de sol e os sorrisos não lhe alcançam.

Busquei encontrar explicação e sentido, em vários outros livros, para aquela sensação de isolamento, para aquele peso de existir. Eu me sentia um alien. Uma estranha. Sempre deslocada, sempre fora de lugar, sempre diferente dos outros – de uma forma pejorativa.

Tive poucas amigas na escola. Eu não era destas meninas que fazem amizade facilmente. Queria ser assim, mas isso não era eu. Ficava de lado, ficava para trás, vendo o mundo colorido acontecer do outro lado do abismo, na outra margem do rio. Vendo uma festa da qual eu nunca fazia parte. Comigo, a sensação de desolamento e de desconexão. Viver não é fácil para ninguém. Mas para alguns é mais difícil do que para outros.

E nem todo mundo compreende isso. Nem todo mundo trata a dificuldade do outro com respeito. Sofri bullying – na época nem existia esse termo. Mas já havia a crueldade juvenil. Um ser humano sabe melhor do que ninguém machucar outro ser humano. E nunca somos jovens demais para começar esse exercício de poder e de humilhação. Perdi algumas oportunidades na vida por causa disso. Deixei, por exemplo, as minhas aulas de ballet. A desculpa oficial foi a minha coordenação motora – que nunca foi grande coisa mesmo. Mas o real motivo eu e as minhas colegas bailarinas sabemos bem qual era.

Leia mais: Desistir também é um ato de coragem

Busquei respostas em todos os lugares. Aos 15 anos, encontrei a vibe da New Age. Nesse período, também, me deparei com o Tai Chi Chuan. E foi divino. Li J.J. Benitez – Cavalo de Tróia. Numa meditação, vivi uma das experiências mais incríveis do mundo, me senti conectada com tudo à minha volta. Eu pertecia ao todo, finalmente me sentia integrada. Ah, se aquela sensação pudesse ter permanecido em mim… Escrever era o meu jeito de dizer que algo não estava bem. Algo que eu não sabia explicar e que ninguém parecia perceber – nem se importar. Era meu grito surdo. Um dia, com minha mãe, no carro, pedi para ir a um psicólogo. Ela disse que eu não precisava de terapia (e que quem precisava era meu irmão, que tirava notas mais baixas e era respondão e impulsivo). Fiquei quieta e, como tantas vezes, tentei fingir que eu era invisível. Essa postura, com o tempo, cobrou seu preço. A dor não vai embora porque a gente quer. Ela vai corroendo a gente por dentro, em silêncio, de modo lento, como ferrugem. De tanto gritar e ninguém ouvir, passei a me cortar. Comecei com 15 anos. E me cortei diversas vezes ao longo de 23 anos.

Me cortava com canivete, alicate de unha, o que estivesse à mão. Mais tarde, descobri que não precisava desses objetos – e passei a me arranhar. Talvez, por isso, de modo meio inconsciente, eu faça questão hoje de manter minhas unhas bem curtas. Ironicamente, a única marca que ficou foi a do primeiro corte – eu estava no meu quarto, precisava me livrar do desespero que sentia, daquela angústia que me sufocava. Abri o canivete e fiz o corte na perna. A dor física aliviou a dor emocional. Era um jeito de aliviar a ansiedade, e a depressão que se seguia a ela, em eterna montanha-russa, e de tirar o foco daquilo que me comia o coração aos poucos. Fui levando assim até que também essa solução se tornou insuportável.

Ainda na adolescência, passei a desenvolver uma vontade muito grande de morrer. Eu me sentia pior e menor do que um verme. Um nada. E ia tocando a vida na inércia. Era o que dava para fazer. Quando a gente é jovem, alguma esperança existe: talvez, algum dia, alguém me ame. Talvez, algum dia, alguém me entenda. Talvez, algum dia, eu me entenda e eu me ame. Talvez, algum dia, a vida entre nos eixos e comece a fazer algum sentido. Talvez… e esse talvez não chegava nunca. Não, ao menos, da forma que eu queria. Ao longo do tempo, acreditava que o único maldito talento que eu tinha na vida era escrever. Então criar histórias se tornou uma obsessão. Minhas narrativas eram todas tristes. Até hoje, são. Escrevi um livro com uma trama bem estranha sobre incesto. Aliás, ao analisar as coisas que já escrevi na vida, dá para ver o quanto de carga pesada existe dentro de mim. Eu queria ser leve, sorridente, fresca e agradável como uma brisa. Mas ainda não encontrei esse ponto de mutação em mim.

É trabalho para uma vida. Prestei vestibular para Administração. E passei. Odiava o curso. Primeiro, porque era o que meu pai queria. Segundo, porque implicava em alguma matemática – e eu não nasci para os números. Dois anos depois, resolvi que queria Jornalismo. Afinal, eu ia ajudar o mundo com os meus textos, não é? E o Jornalismo me mantinha perto do meu sonho de ser escritora.

Continuava buscando as respostas para as minhas angústias. Caí na prateleira de auto-ajuda. Li muitos daqueles livros. Desesperadamente. O que eles fizeram por mim? Nada! Aliás, fizeram, sim: me trouxeram uma tremenda sensação de culpa e desespero. Como assim eu não consigo ter pensamento positivo? É tão fácil! Como assim eu não consigo mudar a minha vida em cinco passos ou com sete hábitos? Como assim eu não consigo pensar da forma correta, nem mudar a minha postura? Eu devia ser muito esquisita e muito incompetente. Afinal, bastava seguir aquelas listas que tudo daria certo. Só eu mesma para tomar tanta porrada na vida. Todo mundo à minha volta era bonito, radiante e vencedor. Só eu que não.

Com 26 anos, engravidei, casei e tive um filho. O casamento não vingou. Juntos, éramos um enorme silêncio. E a pior solidão é aquela que você sente estando acompanhada.

Quando percebi, a situação estava séria. Bati no peso de 45 kg com meus 1,58 m de altura. O processo de definhamento começou dois anos depois que meu filho nasceu. O pânico já estava instalado. Eu tinha medo de ir aos lugares sozinha (a primeira crise de pânico se deu aos 15 anos quando tive medo de dormir por achar que ia morrer. Era 1988, ninguém soube me explicar aquilo e não havia internet para que eu pudesse me informar). Aos 28, no raiar do novo milênio, a depressão profunda se instalou.

Por volta de agosto de 2002 – há exatos 13 anos – comecei a sentir algo que é pouco conhecido: terror noturno. Eu dormia 24 horas por dia, não tinha energia para absolutamente nada. Tinha pesadelos dormindo, e pensamentos negativos, obsessivos naqueles momentos em que deveria repousar. O looping era eterno e o desespero era não conseguir me manter acordada por nada deste mundo.

Antes de bater no fundo do fundo do poço, um médico me passou antidepressivos e ansiolíticos. E aí descobri que a gente sempre pode escavar o fundo do poço e descer um pouco mais. Os remédios me deram barato. A chuva fina batia no vidro do carro e eu disse: “Nossa, que lindo! Parecem estrelas!” Depois voltava para meus sentimentos tóxicos e minhas emoções negativas.

Desisti dos remédios por conta própria. Um mês depois, a coisa desandou e eu estava no consultório do médico outra vez. Ele me disse duas coisas importantes. Uma: “por que você não me falou nada?” Chegou à conclusão de que meu corpo aceitava apenas doses infantis de antidepressivo e ansiolítico. Agradeci aos céus pelos remédios existirem. Provavelmente, eu não estaria aqui contando tudo isso para você se não fossem as pílulas. A outra coisa que o médico me disse: “o remédio resolve 30% do problema. Os outros 70% são com você”.

Eu alternava depressão e ansiedade. Vivia uma gangorra entre o terror noturno e a insônia. A angústia bate em mim, fisicamente, na ausência de apetite. Até sentia fome, às vezes, mas não conseguia comer. Em um período de ansiedade aguda, posso perder até 4 quilos em uma semana. Aí sou obrigada a forçar comida goela abaixo. Foi o que fiz naquela ocasião. As pessoas me viam muito magra e diziam que eu estava bonita. Eu estava doente. Muito.

Um ponto sobre a depressão. Não se trata de uma tristeza profunda. É a ausência total de sentimentos. É sentir um nada avassalador. Um buraco oco. Um vácuo sugando tudo que está em volta. Pense no filme (ou no livro, excelente) “A História Sem Fim”, em que o Nada vai consumindo a Fantasia. Ou pense em uma das melhores expressões literárias da depressão – os “dementadores” que J.K. Rowling criou de forma brilhante na saga Harry Potter.

Comecei a me tratar com um neurologista. Dois anos depois, achei que estava curada. Ou, ao menos, boa – às vezes, tudo que nos resta é administrar a doença. Aprender a conviver com ela. Pedi para começar a desmamar dos remédios tarja preta. A ignorância é uma coisa estúpida. E a prepotência, idem.

Eu me sentia energizada, com aquelas ajudas químicas, para voltar ao mundo, para voltar à vida. Só que ainda me achava um pária, ainda via a festa do outro lado do abismo – ou seja, ainda estava no mesmo lugar de antes. Não tinha resolvido nada. E ainda estava fragilizada. A tal ponto que, ao ouvir alguém importante para mim dizer que eu era uma inútil, eu tentei me matar.

Veja mais: Você pensa em desistir? Leia esse texto!

Tomei 19 comprimidos de um ansiolítico. Minha mãe me salvou. Fui parar num pronto-socorro. Me impressiono, ainda hoje, com a falta de coração de alguns médicos que odeiam suicidas. A médica do plantão olhou para mim e disse: “Por que você não deu um tiro na cabeça?” Fui fazer a lavagem estomacal. Havia uma enfermeira furiosa, que parecia querer que eu sofresse. Felizmente cruzei também com uma enfermeira gentil, que teve compaixão por mim. Lavagem estomacal acordada, sem anestesia, é um procedimento que dói muito.

Outros dois anos se passaram até que eu, finalmente, ficasse livre das medicações tarja preta (quase) para sempre. Voltei ao médico que havia me diagnosticado, aos 28 anos, com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Eu o considero um dos melhores psiquiatras da cidade – eu moro em Brasília – porque não saiu me entuchando de remédios apenas para que eu voltasse pedindo mais. Em 2013, tive uma recaída. Voltei a me sentir oprimida além do ponto que conseguiria suportar sozinha. Voltei para o antidepressivo. Depois de uns 3 meses, fiquei bem de novo. E parei. Ano passado, crise de pânico. Novamente, medicação. Depois, novo desmame. Hoje, tomo só a medicação para o transtorno de humor.

Na primeira crise, meu filho era muito novo. Não sei como isso afetou a cabeça dele. Ele tinha 2 anos. Eu não pude ser para ele a mãe que eu gostaria até ele ter uns 6 anos. No entanto, busquei recuperar o tempo perdido. Nossa relação foi de aproximação. Lógico que ele preferiu minha mãe, por muito tempo. E ao mesmo tempo em que eu era agradecida a ela, pelo suporte de maternidade que oferecia a meu filho, aquilo me matava. Ele cresceu. E nos tornamos companheiros, cúmplices. Assistíamos TV juntos e toda vez que aparecia uma cena de suicídio, eu desatava a chorar. Até que um dia contei a verdade a ele. Eu estava doente. É meu maior arrependimento na vida.

Ele precisava da mãe. E eu não pude estar ali, naquele momento, com ele, da forma como nós dois gostaríamos. Hoje, aos 15 anos, ele é meu amigo. E essa é uma grande conquista. A condição de rirmos e nos divertirmos juntos. Tenho certeza que ele veio a este mundo para me ensinar as coisas. Eu aprendo muito com ele. Meu filho me deu e me dá todas as ferramentas para superar e suportar coisas que antes me pareciam impossíveis.

Trata-se de um amor que não cabe em mim. E esse sentimento cura. Em paralelo ao meu calvário pessoal, a vida profissional que nunca andou. Recém-formada e doente, sem forças e nem condições de procurar emprego, nem de acreditar nas possibilidades da vida, achando que todo mundo era melhor que eu e que eu nunca seria boa o suficiente para nada, atrasei minha carreira.

Então, as aulas de yoga surgiram. Aprendi as técnicas e, em seguida, passei a ministrá-las. Mas elas não me ofereciam sustento. O neurologista, que cuidava de mim, cortou os remédios quando eu lhe disse que estava dando aulas de yoga. Deu certo. Não trabalhava com yoga por dinheiro, mas por prazer. Para me sustentar, virei secretária em uma escola de música.

Fiquei lá enquanto foi divertido. Voltei para a casa dos meus pais. E continuo minha busca pela vida – tentando encontrar a mim mesma. Não tem sido fácil, mas me sinto renovada e pronta para tocar projetos como o meu blog. Aos 41 anos, estou descobrindo talentos nunca antes explorados. Estou me conhecendo. E vendo que sou criativa, que mexo bem com conteúdo e com marketing. Espero, em breve, me tornar a empreendedora que nasci para ser.

Considero que a yoga me salvou. Aprendi a respirar e a me perceber, a localizar as tensões. A yoga entrou na minha vida quando engravidei e ela tem sido uma importante ferramenta para me tornar uma pessoa melhor – inclusive na relação que travo comigo mesma.

Tudo que passei faz parte mim. Tenho orgulho de cada cicatriz que carrego. Elas me tornaram melhor. Me tornaram quem sou. Meus tombos me fazem querer lutar por um mundo com menos tombos – para mim e para os outros. Os sofrimentos que vivi me fazem querer tornar o mundo um lugar com menos sofrimento, onde todos possamos nos sentir mais acolhidos. Eu seria hoje uma pessoa pior se não tivesse passado por tudo de ruim que vivi.

Para me lembrar da minha luta, e de que ainda não é fácil viver (talvez nunca vá ser), e para não esquecer que é possível viver, e buscar a felicidade, eu abracei o projeto Ponto e Vírgula, criado por Amy Bleuel, que quis homenagear seu pai tatuando o símbolo de ponto e vírgula e criou o projeto para ajudar outras pessoas, que estivesem lutando contra depressão, transtornos psiquiátricos e que sobreviveram a tentativas de suicídio. Amy cunhou a frase: “Minha história ainda não acabou”. Pode ser que para você soe óbvio. Mas, acredite, para mim, e para muitos, é um mantra.

Fiz uma tatuagem para me lembrar de quão forte eu sou. Meu pai estava hospitalizado, eu lhe fazia companhia, e pedi para ele traduzir a frase da Amy para o grego. Ele disse: “por que você não tatua ‘Minha história não tem fim’”? Achei genial. Meu ponto é um coração e a vírgula, uma asa. A frase tem quatro significados para mim: uma homenagem ao meu pai, por estar em grego; uma lembrança de um dos livros que mais amo, “História Sem Fim”, de Michael Ende; o fato de que sou uma escritora e o fato de que eu ainda tenho muito o que viver. Minha vida começa agora. A cada novo dia.

Só superei tudo por que passei e estou aqui escrevendo esse depoimento por causa do amor. Não o amor romântico, de alguém por mim. Mas o amor que sinto pelo meu filho. Foi isso que não me permitiu desistir, que me fez ir adiante.

Infelizmente, nem todo mundo consegue superar sua dor. Alguns decidem acabar com ela e acabar consigo. A cada morte voluntária, a cada um que se vai, eu lamento. Nunca mais consegui assistir um filme do Robin Williams. Toda vez que assisto o documentário “Boy, Interrupted”, de Dana Perry, as lágrimas me escorrem pelo rosto, do início ao fim.

Rezo todos os dias para que pessoas como eu encontrem o que lhes falta. Ou que não desistam da busca nem desistam de si. Quem decide morrer não o faz por falta de amor à vida, mas porque o sofrimento se torna em determinado ponto tão imenso e tão profundo que a única saída parece ser a morte. Eu descobri que não é. Que há outras saídas. Mesmo assim, continua sendo difícil, às vezes.

(Autor: Nana Calimeris, 41 anos, é professora de yoga e escritora, autora do livro “Cidade dos Anjos”,

(Fonte: http://projetodraft.com)

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42 COMENTÁRIOS

  1. Estou na mesma situação, sua história é a minha história,( co raras exceções) e estou agora no fundo do poço, andando de um lado pra outro para não começar a chorar novamente

  2. Wow!

    Com poucas diferenças…me imaginei lendo minha história…que ainda não acabou também!
    Sem folêgo estou! Força a tod@s nós!
    <3 <3 <3

    "Tenho certeza que ele veio a este mundo para me ensinar as coisas. Eu aprendo muito com ele. Meu filho me deu e me dá todas as ferramentas para superar e suportar coisas que antes me pareciam impossíveis."

    p.s.: acho o livro O Pequeno Príncipe bem triste e solitário também. "A queda para o alto", idem. ( lembro que escrevi uma carta imensa à autora/autor, mas não tinha lido o prólogo, "descobri que ela tinha morrido e desandei a chorar, um desespero como se a vida sofrida daquela pessoa estivesse tão intimamente ligada à minha…

    é isso!
    Força!!

  3. Eu estou num momento que não quero nem falar o que acontece. Não tenho coragem de cometer suicídioas penso que morrer seria bom. As vezese pego pedindo pra morrer ou achando que seria melhor. Meu casamento está acabando por conta disso e eu sei que depois que definitivamente me separar, ficarei pior ainda. Não tenho sono e depois que consigo dormir não quero sair da cama. Não estou trabalhando, nem estudando, não tenho animo. Não sei se vou conseguir sair dessa situação pois sempre fui depressiva mas agora está só piorando

  4. A sua historia, de uma certa forma, parece com a minha. Tenho depressão desde quando era criança e também não sei descrever o que sinto até hoje. Atualmente, tive momentos muitos críticos começando em 2012, quando perdi a minha avó materna a quem eu era bastante apegada, e até 2015 foram 5 tentativas de suicídio. Não acredito que estou curada e parece que as pessoas que acompanham a situação acham “Você sorriu, está boa!”. Passo mais tempo calada, não porque eu quero mas porque não sinto a mínima vontade de conversar. Hoje não penso em suicídio como antes, graças a Deus, mas não tenho boa convivência com a minha família. Tenho dois filhos e é por eles que não quero pensar em abandoná-los. Sei que li em algum lugar que depressão não tem cura, apreendemos a conviver e no meu caso, além de depressão, foi diagnosticado bipolaridade. Você ver a sua vida escorrendo entres seus dedos, o casamento acabando e o medo de perder os filhos é o mais doloroso. E as pessoas, quanto mais descobrem os malefícios da depressão, se afastam cada vez mais por não suportarem a dificuldade de comunicação. Sofremos muito por vários motivos. Inclusive, não consigo terminar nada que começo e então, a alto-estima caí desenfreadamente. Parei no terceiro semestre de psicologia e todo vez que tento voltar, tranco e não consigo ir adiante. Também conheci o movimento Ponto e Virgula, gostei muito principalmente pelo fato de ter descoberto que não estou sozinha.

  5. Está doença vem me consumido já faz uns dois anos. Já nem sei mais quem sou, pois não acredito mais em mim. Meus planos, sonhos foram abandonados…
    Mas ainda não perdi a fé de que um dia irei superá-la.

  6. Eu gostaria de entrar no grupo, ma não o achei…
    Eu tatuei “exit”… Afinal, sempre terei outra saída ao invés de tentar me machucar…
    Ninguém que não tenha passado por situações como essas, entendem.
    O pensamento me vem sempre, mas aprendi a neutraliza-los…

  7. Acho que me identifiquei em vários momentos. Tive sérios problemas e crises depressivas também. O que eu sentia era uma dor indescritível… Mas, depois da última crise, aprendi coisas importantíssimas, como, tentar manter pensamentos positivos, acreditar que tudo vai passar – por pior que seja -, ter fé em dias melhores e entender que tudo depende de mim. É uma luta diária comigo mesma, não tem outro jeito. Todos os dias tenho que fazer tudo isso. Entendi, definitivamente, que pra eu ficar boa vou ter que querer e fazer com que eu fique boa, pelo resto da vida. Não é fácil, mas as coisas podem melhorar muito se a gente não desistir de querer ficar melhor!
    PS: também tomei vários remédios, e acho que são muito importantes, sim. Mas quando vc já está bem e pode desmamar não tem outro jeito: ficar bem vai depender muito de vc querer e fazer isso acontecer.

  8. Siga em frente com fé, determinação e coragem, vc é uma guerreira tem vontade de vida e com certeza está fortalecida e esperançosa. Felicidades…PAZ E BEM!

  9. Eu me vejo bem aí nessa sensação de ser alien, no meio de depressao e ansiedade tive uma sibdrone do panico que me deixou bem cansada psicologicamente e ha uns 2 anos estive com inumerad piulas na minhas maos mas o medo da dor me fez parar ali no meio.Hoje tento me reerguer mas me sinto muito estranha ainda no mundo, querndo mas nao fazendo muuta coisa, com preguiça e sem myita vontade, tenho medo da minha psicologa desistir de mim porque ai sim saberia que nao tenho jeito mesmo. Tb godtaria de entrar nesse grupo, como faço?

  10. Já me senti da mesma forma por algumas vezes, especialmente na adolescência. E quando me pegava com pensamentos obscuros chorava pedindo a Deus um alívio. Orei muito, falei com Deus das minhas angústias. Escrevi muito sobre o que eu sentia e não vou dizer que os pensamentos maus pararam mas são bem raros. Muito amor, muita força, vocês são incríveis e muito mais fortes do que imaginam. Deus ama muito vocês, sua família os ama, logo se amém também. É o primeiro passo para continuar…sua história merece um final feliz! Muita luz! ?

  11. Nana seu texto é belíssimo apesar de expressar toda a trajetória sofrida de um ser humano. Mas ele permite às pessoas a oportunidade de identificar-se e perceber que muitas outras também estão na outra margem do rio, o que acaba sendo muito reconfortante para quem está enfrentando problemas similares. Obrigada por compartilhar sua história e trazer mais esperança para muitos de nós.

  12. Uma bela história de vida.
    Teu calvário não foi em vão.
    Deu resultados: transformou-se em ferramenta para auxiliar pessoas nas mesmas situações.

    Parabéns!

  13. Uma saída pra essa dor insuportável não é o suicídio. É a busca e o fortalecimento da espiritualidade, o despertar para a compreensão de que cada um de nós é pertencente a um grande fluxo de energia e amor. Deus. Experimentem.

  14. Que história poderosíssima! Com certeza nem todos tem a sensibilidade de compreender a dor do próximo. Eu entendo o que você passou e me identifiquei com algumas partes, a sua história é maior do que a minha mas a lição que ambos tiramos disso parece ser a mesma. Muitas pessoas não são capazes de sentir como o outro se sente por não terem a sensibilidade que nós temos/desenvolvemos ao longo desse processo. Se estamos aqui nesse mundo, com certeza que é pra fazer a diferença para aqueles que não conseguem entender isso… Como você disse, muitos não conseguem suportar a dor, mas saiba que pessoas como você que criam textos que descrevem uma história tão forte como essa são as responsáveis por haver menos suicidas no mundo. Seu texto com certeza ajudará milhares de pessoas a perceberem que não estão sozinhas e que não são as únicas por passar dificuldades (seja ela qual for) que são capaz de superar. Um abração a você com enorme carinho. Felicidades a ti e a seu filho. “A vida começa quando percebemos que temos tudo quando não temos nada.” Tem e-mail?

  15. Aos 40 anos e pela primeira vez me senti confortado por saber que existe alguém no mundo capaz de traduzir em palavras o que sinto. Também faço um esforço imenso para sobreviver.

  16. Gostaria que a vida fosse menos complicada,ou talvez seja eu que a complique tanto.Admiro pessoas que conseguem tirar boas experiencias de situaçoes desastrosas,reconstruindo suas vidas em meio a tantos destroços.Parabens a todos aqueles que conseguiram superar crises,tristezas e tantas outras dores existentes em nossa alma,porque isso nos torna mais do que fortes,nos torna invensíveis.

  17. Ótimo texto, identifico-me com bastantes relatos dele.
    Posso dizer que tentei terapia, remédios, – e não tiro a importância deles no processo de autoconhecimento e de controle de ansiedade, no estímulo para acordar e ter ânimo -, recorri até a mim mesma tentando me virar sozinha, mas a minha salvação foi e tem sido Deus, todos os dias nessa guerra, tem sido a certeza do amor dele por mim que me sustenta, e me faz querer descobrir o agora e viver o que há por vir!

  18. Texto de sensibilidade e bastante vivência no calvário da depressão. Compartilho de suas questões e angústias, pois estou no processo de permanecer na vida e encontrar um sentido bom para ela, dia após dia. Quando eu cheguei novamente no fundo do poço (sim, porque houve uma vez anterior), novamente o que me fez sair foi o amor verdadeiro por alguém importante para mim, alguém que me quer bem e precisa de mim. Pois é, eu por mim mesma já teria terminado com a minha vida sem sentido, mas ela em si era muito importante para alguém que eu não queria machucar ou ver sofrer. Esse, então, foi o motivo inicial que me fez buscar ajuda e que me faz buscar o sentido do dia e da minha existência de maneira diária.
    Obrigada por compartilhar a sua história e, assim como eu, espero que você consiga achar a sua força a cada novo dia. Um abraço, querida.

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