Insônia, irritabilidade, falta de memória e fadiga são sinais de que a pessoa pode estar com o problema. O excesso de informações e estímulos da atualidade é apontado por psiquiatras como um dos principais motivos para o surgimento da síndrome.

Pensar em várias coisas ao mesmo tempo, participar de muitas reuniões, checar o celular a todo momento e chegar ao fim do dia com a sensação de que são necessárias mais 24 horas para cumprir todas as obrigações. Era assim que se sentia a jornalista Flavia Lobo, de 40 anos. Ela se cobrava demais no trabalho e na elaboração da tese de mestrado. Não percebeu que o excesso de perfeccionismo e a má gestão do próprio tempo anunciavam o esgotamento físico e emocional.

“Me cobrava estar perfeita no trabalho e perfeita com a demanda do estudo. Um dia, voltando do mestrado, eu passei mal dentro do ônibus. Eu tive um desmaio curto, mas foi um desmaio. E desci do ônibus bastante fraca, no meio do caminho. O meu corpo inteiro doía. Como se fossem câimbras, ele doia muito. Eu fui ao hospital, os médicos vieram conversar comigo, eles falaram: Flávia, você está com o que a gente chama de Burnout. Ou seja, é como se você tivesse queimado o seu corpo até o talo”.

O excesso de informações no dia a dia e a rotina desgastante são os principais fatores para o surgimento de sintomas típicos de ansiedade. A falta de atenção, dificuldades de memória, fadiga e, principalmente, alterações no sono e irritabilidade são características da chamada Síndrome do Pensamento Acelerado. O termo ainda não é amplamente adotado por psicólogos e psiquiatras, mas pessoas relatam sentir os sintomas. Pesquisador do assunto, o psiquiatra Augusto Cury explica que essa vontade de querer checar e resolver tudo ao mesmo tempo funciona como uma bomba-relógio para a saúde e pode impactar as relações pessoais.

“A Síndrome do Pensamento Acelerado ocorre devido aos excessos de uma sociedade altamente consumista e urgente. Por exemplo: excesso de informação, excesso de uso de smartphones. Há jovens que têm depressão…angústia, quando ficam algumas horas sem contato com redes sociais. Adultos que ficam o dia inteiro no celular, inclusive no final de semana, o que trai a sua saúde, o seu sono. Tenha uma conexão com o celular, mas tenha uma conexão consigo mesmo”.

Já a professora do departamento de psiquiatria da Escola Paulista de Medicina, Elisa Bretzke, pondera e afirma que a sensação de sobrecarga mental nem sempre é sinal de algum transtorno.

“Essa dificuldade que algumas pessoas referem de se sentirem sobrecarregadas podem acontecer em uma variedade de contextos. Ela pode ser uma coisa normal, esperada, se a pessoa está numa situação de vida que tem uma demanda maior. Ela pode ser um sintoma de transtorno de ansiedade, uma depressão. Ou ela pode ser uma adaptação a alguma circunstância normal da vida”.

A palavra de ordem para quem sofre os sintomas do Pensamento Acelerado é… desacelerar. Dedicar períodos a momentos de descanso e lazer, se cobrar menos e procurar uma atividade física são formas de aliviar a correria. Professora de yoga há 10 anos no Rio, Roberta de Amorim conta que muitos alunos relatam sintomas de ansiedade.

“A maioria dos alunos é assim, né? A maioria das pessoas que procura a gente, claro que tem outros motivos, mas 98% das pessoas são aceleradas demais.  Vivem no 220. Então eles querem, até pelo estresse. A ansiedade também é causada pelo estresse que a pessoa está vivendo. Então a prática do ioga ajuda bastante”.

Embora seja mais comum em adultos, a Síndrome do Pensamento Acelerado também pode atingir crianças e adolescentes. Por apresentarem traços semelhantes, transtornos de ansiedade podem ser confundidos com hiperatividade. Foi o que aconteceu com a estudante de psicologia Natália Margem, de 23 anos. Na adolescência, ela foi diagnosticada como hiperativa e tomou ritalina por cinco anos. Hoje, depois de ter passado pela faculdade de psicologia, ela afirma que o diagnóstico estava errado…

“Tudo começou com as notas baixas do colégio. Eu sou uma pessoa acelerada, falo alto, é uma coisa minha. É uma coisa controlável mas que não precisa ser diagnosticada como hiperatividade. As vezes é um momento. Hoje em dia eu sou bem menos ansiosa do que eu era com 12 anos de idade”.

Não há dados oficiais sobre a incidência da Síndrome do Pensamento Acelerado, cuja nomeclatura ainda não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde. No entanto, segundo os últimos dados da OMS, de 2013, 10% dos brasileiros sofrem de algum transtorno ligado à ansiedade.

(Autora: Gabriela Viana)

(Fonte: http://m.cbn.globoradio.globo.com/)

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