Algumas pessoas têm medo de aranha, outras de morcego, muitas temem cobras. Eu tenho medo mesmo é da maldade humana, da ruindade que habita certas pessoas. Há indivíduos muito mais traiçoeiros e perigosos do que qualquer animal peçonhento. E o pior é que, na maioria das vezes, a gente não consegue perceber a natureza má da pessoa a tempo de nos defender.

Eu tenho medo da maldade, porque ela é capaz de destruir o que estiver pela frente, ela fere, ataca a reputação das pessoas, ela é escuridão. Em tempos de internet, por exemplo, a maldade vem alcançando níveis absurdos. Contas são hackeadas, mentiras são plantadas, golpes são feitos virtualmente. Nem dá tempo de a vítima se defender e o público já a condena, caso tenha sido exposta de alguma forma. E pode ser tarde demais, quando a verdade vem à tona.

Eu tenho medo da maldade, porque ela nos pega desprevenidos, ela nos deixa sem ação, afinal, jamais esperávamos que alguém pudesse agir daquela forma. E, quando somos alvos da maldade, a gente se enfraquece de início, pois a perplexidade paralisa e deixa tudo meio nublado. A maldade tem sua força exatamente no elemento surpresa, pelo fato de que quem a recebe esperava tudo, menos aquilo. Ninguém está preparado para o mal do outro, a gente espalha coisa boa e espera o mesmo de volta.

É por isso que devemos sempre manter a bondade dentro da gente, haja o que houver, porque, mesmo que ela adormeça enquanto a nossa decepção se afogue em raiva momentânea, ela jamais morrerá, jamais se apagará. E o melhor remédio contra a maldade alheia sempre será a força de tudo o que for bom em nós. A bondade cria raízes fortes em nossa alma e, na hora certa, ela nos fortalece, para que tenhamos força para combater o mal.

Eu tenho medo da maldade das pessoas, mas não desisto da bondade. Ainda acredito que as atitudes de amor são muito mais fortes e duradouras do que o contrário delas. Ainda acredito que ajudar, acolher, doar-se e se colocar no lugar dos outros é o melhor que podemos fazer. Por mais que nos peçam o nosso pior, manter a nossa luz acesa é o mais digno a se fazer. Por mais que nos instiguem a pagar o mal com o mal, acredito que a resposta sempre será o amor. A maldade ficará no outro e o amor reinará em nós.

Imagem: Luriko Yamaguchi

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Prof. Marcel Camargo
Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

3 COMENTÁRIOS

  1. Notaram que quando o Chapolin Colorado dizia “- Sigam-me os bons!”, ele ia sozinho? Será porque não confiavam na capacidade dele como herói ou porque não eram realmente bons?
    A maldade humana é algo incrível. A pessoa sabe que está sendo má, aqueles que o apoiam também sabem do mesmo, mas o “poder” de destruição do outro é tão enebriante que ao ver destes compensa qualquer coisa!
    Uma língua mentirosa acaba com muitas vidas e mesmo depois que a verdade vem à tona, aquela mentira sempre é lembrada como verdade, mesmo que de forma inconsciente por quem a ouviu.
    A mentira pode ter pernas curtas, mas a maldade por detrás da mentira, em geral, tem vida muito longa!
    E lá vai a maldade humana destruindo uns e outros e todo o planeta!
    Existe bondade? Sim, mas notaram que dificilmente ela é capa de jornal? Em geral aparece num cantinho, quase invisível.
    O dia que for manchete, então saberemos que a malvada foi derrotada.
    Por enquanto ainda temos que esperar!….

  2. Muitos questionam. Como ser bom se o manipulador e desonesto ganha grana e prestigio.
    Este tema precisa ser abordado amplamente , pois pode concretiza valores ruins nos jovens, quando eles saem do ambiente familiar e passam a viver de forma mais ampla na sociedade.

  3. Sempre costumo dizer que as pessoas estão muito preocupada com os demônios invisíveis, repreendendo, exorcisando etc. Mas as pessoas esquecem dos demônios visíveis, que caminha sobre o chão.

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