Desde a infância nutrimos curiosidade pelo sentido das coisas.

Quem não bombardeou os pais com perguntas do tipo “por que o céu é azul?”, “para que servem as formigas?”, “onde as estrelas se escondem?”.

No entanto, com o tempo, esse olhar sobre o mundo se volta mais para dentro de nós mesmas e começamos a querer entender a razão pela qual estamos aqui e, sobretudo, de que forma podemos nos tornar realizadas.

Em outras palavras, buscamos significados – algo fundamental para o ser humano.

“Isso fica claro quando refletimos sobre os rituais de passagem, como aniversários e casamentos, que aparecem em todas as culturas. Eles sinalizam que alcançamos um ponto da trajetória, ganhamos experiência e aprendizado e iniciaremos um novo ciclo, com outras buscas”, observa a psicóloga Cleonice de Andrade, de Santa Catarina, especialista em terapia cognitiva comportamental.

Para ser mais feliz, então, é necessário descobrir o nosso propósito de vida – e é nesse ponto que muita gente empaca. “Afinal, como dizem os bons navegantes, nenhum vento é favorável para quem não sabe aonde quer chegar”, diz o psicólogo e antropólogo Roberto Crema, de São Paulo.

Reunimos aqui cinco exercícios para ajudá-la a desvendar o seu propósito.

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Eles devem ser um encontro com você mesma. Tenha esse momento de reflexão quantas vezes precisar – basta reservar alguns minutos para ficar sozinha, sem interrupções.

Se gostar, coloque uma música relaxante, acenda um incenso, uma vela… O fundamental é sentar-se confortavelmente, com a coluna reta, e concentrar-se nas perguntas, ouvindo a sua voz interior.

Qual é o sentido da humanidade? E como eu contribuo?

Sim, a primeira questão é grandiosa e complexa, mas faça silêncio e ouça os palpites que vêm do seu interior.

Reflita, por exemplo, sobre o que a humanidade precisa aprender para evoluir: ter mais compaixão e tolerância, maior consciência ambiental…

Pense também nas lições que você deve absorver para crescer. Em algum ponto, esses caminhos certamente vão se encontrar e você descobrirá então como pode contribuir de uma forma que lhe dê prazer.

Entenda que o seu sentido não fala apenas sobre você: ele influencia a sua família, os seus amigos, a vizinhança… toda a humanidade! “Cada ser humano tem um papel no universo, como se fosse um pedacinho de uma praça pública. Assim, a nossa primeira tarefa é introduzir qualidade nesse pedaço de mun¬do ao qual pertencemos e que influencia algo maior”, acredita Roberto.

Dá para aproveitar melhor os meus talentos?

Todo mundo é bom de verdade em alguma coisa: fotografar, cozinhar, cuidar de crianças, escrever…

Mas, geralmente, o que nos faz desacreditar dos nossos talentos é a baixa autoestima. “Recebemos da própria vida os dons indispensáveis para a realização da nossa tarefa individual e intransferível, que é o nosso propósito”, afirma Roberto Crema.

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No entanto, não basta se sair bem em algo. Para ter real valor, essa tarefa deve trazer motivação e alegria e fazer você se sentir útil.

Pergunte-se, então: que talentos eu possuo que me dão verdadeiro orgulho e prazer? Anote e deixe esse lembrete sempre à vista, para não se esquecer do seu potencial. Avalie, ainda, se você usa todas essas aptidões com a frequência que gostaria. Se a resposta for negativa, explore na sua rotina oportunidades para colocá-las em prática.

De que forma posso ser mais eu?

Descobrir o sentido da sua vida nada mais é do que entender melhor quem você é, o que pode oferecer a si mesma e ao mundo.

E o segredo está, principalmente, em passar mais tempo em sua própria companhia. “Buscar um propósito mirando só o que está em volta nos impede de entrar em contato com as nossas emoções. E as respostas mais verdadeiras vêm do coração e da intuição”, destaca a terapeuta holística Paula Siqueira.

Comece pensando, numa nota de zero a dez, quanto você realmente se sente viva. Zero representa um cenário muito aflitivo e dez quer dizer uma existência plena e proveitosa.

Agora vá mais fundo e questione o que faz você se arrepiar e a coloca em sintonia com a vida.

Para viver o seu propósito, é preciso atrever-se a ser, com ainda mais intensidade, quem você é de verdade. Por isso, se não estiver recebendo da vida aquilo que gostaria, é hora de agir.

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Isso não significa, por exemplo, sair do emprego sem ter nada em vista, uma postura bastante arriscada. Mas, sim, plantar sementes, paralelamente, para chegar a uma situação que a deixará realizada.

Afinal, qual é o meu trabalho?

Vivemos ocupadas com o nosso emprego, buscando reconhecimento, promoções, um salário melhor…

Há muito desgaste nessa jornada que, em geral, se sobrepõe à satisfação de realizar os nossos afazeres. Aí, acionamos o piloto automático e nos esquecemos do que nos fez escolher aquele serviço. “Quando nos desconectamos desse chamado, que é a vocação, sofremos doenças e outros males”, explica Roberto.

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Uma maneira de se realinhar com a verdadeira missão que você desempenha é criar um cartão de visitas original. Em vez de escrever nele o nome dado à sua função, escreva o seu propósito.

Tente usar três palavras, no máximo. Exemplos: uma cabeleireira pode ser, na verdade, “consultora de autoestima”, e uma médica, “promotora de saúde”.

Como estar presente de corpo e alma em tudo o que faço?

A descoberta de um propósito exige foco em cada uma das situações que você vive: para perceber e sentir melhor como as coisas se desenrolam, as sensações que provocam e as consequências que geram.

Então, torne um hábito vivenciar, de fato, cada etapa do seu dia a dia – seja uma reunião, a conversa com um amigo, seja a hora de buscar os filhos na escola.

Esteja o mais atenta possível ao que está acontecendo naquele momento à sua volta. “O presente é o único tempo que permite a nossa real atuação. É onde está a vida de fato”, pontua Roberto.

Mantenha-se consciente também sobre a forma como age e certifique-se de que está de acordo com o que você pretende experimentar na sua vida. O seu propósito deve ser vivido todos os dias!

(Fonte: mdemulher.abril.com.br )

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2 COMENTÁRIOS

  1. Gosto muito de seguir fãs da psicanálise mas é péssimo quando leio e vejo que foi escrito única e exclusivamente para o público feminino, triste.

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