Quando o mundo está ao contrário, é hora de buscar a sabedoria que cura, a compaixão que acalenta e a alegria do compartilhar

Ninguém gosta de ficar pendurado de cabeça para baixo. É o símbolo do sofrimento, da dor, do desconforto. Você está de cabeça para baixo?

Esses dias me telefonou um grande amigo de muitos anos.

— Você está bem? — perguntei, e ele me respondeu:

— Não! Estou de cabeça para baixo.

Conversamos.

Como levantar a cabeça? Como evitar que as dificuldades, as doenças, as perdas nos revirem de cabeça para baixo?

No Japão medieval houve um samurai famoso chamado Musashi Sensei. Era capaz de lutar com duas espadas simultaneamente e ninguém jamais o venceu.

Quando jovem, o samurai era muito briguento e violento. Foi aprisionado e seria julgado — provavelmente com a pena de morte —, quando o monge Takuan, que o conhecia desde a infância, convenceu os policiais a prenderem Musashi numa árvore, de cabeça para baixo.

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Ele ficou muito bravo. O monge Takuan sentou-se aos pés da árvore e o provocava com perguntas tolas. Musashi, enfurecido, o insultava, cuspia, gritava palavrões.

O monge, sorrindo, disse:

— Essa sua raiva pessoal não serve para nada. Se você tivesse uma reflexão correta, além de si mesmo, poderia se libertar.

Musashi queria se libertar. Comprometeu-se (palavra de Samurai é palavra) e o monge o libertou com o compromisso de que ficaria três anos trancado em um aposento, estudando estratégias de lutas e estudando a si mesmo.

Depois de passado esse período, o jovem estava transformado. Já não se encontrava mais de cabeça para baixo.

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Percebia que cada adversário — ou cada adversidade — era apenas um aspecto de si mesmo.

Passou a respeitar seus oponentes, passou a respeitar a si mesmo.

Quando respeitamos a realidade, assim como é, colocamos nossos pés no chão sagrado, no caminho iluminado.

Nesse caminho as dificuldades são portais. Falta-nos um dos sentidos? Os outros são capazes de compensar.

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Não controlamos a vida — somos a vida.

Não controlamos a velhice, a doença nem a morte.

Passamos.

Nada permanece o mesmo.

De cabeça para baixo, vejo o mundo de pernas para o ar.

Quando a cabeça está em seu lugar o mundo faz sentido.

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Nossa atuação se clarifica e encontramos a plenitude, a alegria de viver e a alegria de morrer.

Neste momento, você se encontra de cabeça para baixo?

O mundo está de cabeça para baixo?

Vamos ajudá-lo a revirar em si mesmo e encontrar a sabedoria que cura, a compaixão que acalenta e a alegria do compartilhar?

Experimente colocar em prática tudo o que você tem lido, ouvido, ou estudado — quer nas grandes obras religiosas, quer nas literárias ou nos “faces”.

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Experiência, prática na vida diária, é o único e verdadeiro Caminho.

Mãos em prece.

(Autora: Monja Coen)
(Fonte: monjacoen.com.br)

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