Vamos retornar ao ponto onde paramos no texto anterior. Existem mesmo diferentes tipos, graus de autismo? Quais são as diferenças entre eles?

Veja mais: Precisamos Conversar Sobre o Autismo - Parte 1

O autismo é um espectro que engloba uma ampla gama de níveis de funcionamento, que vão desde o autismo não-verbal (baixo funcionamento) até a Síndrome de Asperger – verbal (alto funcionamento). É importante compreender esses diferentes tipos de autismo e aprender a lidar com cada um deles.

O Autismo Clássico é caracterizado por problemas na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos, sendo geralmente diagnosticado antes dos três anos de idade. Devemos nos manter atentos aos atrasos no desenvolvimento da criança, principalmente no âmbito da linguagem. Classifica-se em leve (alto funcionamento) ou grave (baixo funcionamento).

A criança autista de alto funcionamento apresenta sintomas como atraso das habilidades linguísticas, o que compromete seu desenvolvimento social, além de padrões do “brincar” diferentes das demais crianças (jogos solitários, apego ou fixação em algum objeto, etc), no entanto, apresenta um QI na faixa normal. O autismo de baixo funcionamento é um caso mais grave da doença. Os sintomas são profundos e envolvem déficits graves em habilidades de comunicação e sociais, comportamentos compulsivos, estereotipados e auto-destrutivos, além de um QI situado abaixo da média.

A Síndrome de Asperger é um tipo de autismo de alto funcionamento que apresenta algumas características dinstintas, como excepcionais habilidades verbais (linguagem atípica ou excêntrica), interesse excessivo por assuntos específicos, apego a rotinas, movimentos estereotipados e repetitivos, dificuldades com linguagem não-verbal, jogos simbólicos e habilidades sociais.

O Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem outra especificação (PPD-NOS), também conhecido como autismo atípico, envolve algumas, mas não todas as características do autismo clássico, como dificuldades de linguagem, habilidades sociais ou apresentação de comportamento repetitivos.

O Transtorno Desintegrativo da Infância (CDD) caracteriza-se pela perda da comunicação e das habilidades sociais entre as idades de dois e quatro anos.

Assemelha-se ao autismo regressivo.

É importante salientar que a Síndrome de Asperger, o Transtorno Invasivo do

Desenvolvimento sem outra especificação (PPD-NOS) e o Transtorno Desintegrativo da Infância (CDD), são considerados transtornos do espectro autista e não mais realizam diagnósticos separados, desde a última revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V).

Tornar-se ativamente envolvido no tratamento de um filho com autismo, realizando um plano de tratamento juntamente com os profissionais responsáveis – médico, psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, entre outros, faz toda a diferença no desenvolvimento da criança, no estabelecimento de um bom prognóstico, bem como em sua qualidade de vida!

Bibliografia

American Psychiatric Association. (2014). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Artmed Editora.

Camargos Jr., Walter. (2012). Que grau de autismo meu filho tem? Revista Autismo.

Espaço Autista. Tipos de Autismo. Disponível em

<http://espacoautista.blogspot.com.br/2012/10/tipos-de-autismo.html> Acesso em 17/02/2016.

Gadia, C., Tuchman, R. & Rotta, N. (2004). Autismo e doenças invasivas de desenvolvimento. Jornal de Pediatria, 80(2),83-94.

Klin, A., & Mercadante, M. (2006). Autismo e transtornos invasivos do desenvolvimento. Revista Brasileira de Psiquiatria, 28 (1), s1-s2.

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Raíssa Tebet
Psicóloga clínica, especialista em Neuropsicologia e Psicologia Hospitalar, com ênfase em acompanhamento Pré e Perinatal. Realiza atendimento psicológico individual, grupal e avaliação/reabilitação neuropsicológica. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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