Depende. Falar das angústias às vezes parece acalmar o coração. É bom sentir o afeto e a compreensão das pessoas quando estamos inquietos, infelizes, aflitos ou ansiosos. A atenção a nossos reclames, principalmente quando é dada por quem esperamos que o faça, é uma carícia, uma massagem no nosso ego! E pode até funcionar como um remanso…

Ocorre que nem sempre os outros estão dispostos a ouvir assuntos que não lhes diz respeito. A maioria das pessoas está tão “em si mesmada” que ou não tem disposição para a escuta ativa ou não está preparada o suficiente para nos ajudar a levantar nossa autoestima, ou calibrar o amor-próprio, há muito em baixa.

Ora, cada um de nós tem os seus próprios perrengues e estamos todos em um processo parecido, ou seja, com alguma dificuldade em algum setor ou segmento da vida.. E nesse caso o desabafo pode ter aquele desagradável efeito de ocupar o ouvido alheio como lixeira.

Que tal inovar e surpreender-se consigo mesmo? Proponho a utilização da função autolimpeza no modo “on”. E como se faz? Uma dica boa é OUVIR-SE. Escutar a própria voz enquanto reclama. Preste atenção no que fala, do que lamenta, e pergunte-se: será mesmo que isso precisa ser verbalizado? Preciso, de fato, de um interlocutor? Não esquecendo de que talvez o que ouviremos pode não ser exatamente o que esperávamos! Sim, porque nosso interlocutor provavelmente vai dar um pitaco, e o que poderia ser bom para ele nem sempre seria o melhor para nós.

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Quando abrimos nosso canal íntimo, permitimos que os outros entrem e nos digam o que fazer. Pois então eu pergunto, se a gente não quer escutar o palpite dos outros, para que falar?

Experimente em vez de verbalizar… SILENCIAR. Escute o barulho mental da sua voz ansiosa na cabeça. Sentir o efeito dos pensamentos desordenados no corpo, perceber o poder de uma mente inquieta dominando as emoções, e nada dizer, parece impossível? Não é não. É só DECIDIR e calar.

Seja um observador. Observe-se sem resistir a nada. Perceba os queixumes, as dores que os provocam, as mágoas, a raiva.. vigie os julgamentos que transitam na mente e pergunte o que realmente precisa entender? Nós temos demasiadas perguntas mas não paramos para ouvir as respostas. Esse é o momento.

E se você se permitir fechar os olhos e continuar notando seus pensamentos, sem análises, e sem emitir opiniões, acabará que os discursos mentais nem mais precisarão sair da boca para que a serenidade se reinstaure.

Esse é o início de um processo meditativo. Você tomando consciência do seu próprio pensamento (a consciência que o percebe). E aquele sentimento que tanto precisava ser expulso do corpo com palavras, gestos ou ações, por consequência natural vai perdendo forma.

Assim é, até que no dia em que não houver mais qualquer resistência do nosso corpo, mente e emoções, pelo simples processo de observação e aceitação, a ansiedade vai embora de vez!

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Márcia Nyland
Servidora Pública Federal, rastreadora incansável do desenvolvimento pessoal, e colunista do site Fãs da Psicanálise.


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