Chrysanta ( do grego : Flor dourada) era uma garota que, como todas as outras, tinha o guarda-roupas abarrotado de armaduras para se vestir na sociedade de guerra.

Cada uma tinha um estilo diferente e um potencial de defesa para ela não mostrar quem realmente era. As marcas eram fashion,de grifes caras, todo mundo estava usando e ela, para ser aceita pelo grupo, não poderia ficar de fora dessa : “Arrogância”, “Lascívia”, “Vítima”.

A armadura da Arrogância, sempre que vestia, deixava seu peito empinado, como um “peito de pomba”. Toda vez que ela se armava dessa marca famosa, sentia-se imponente, pois seus peitos sempre chegavam primeiro do que ela, exibindo seu poder e supremacia. Chrys sentia-se importante com aquela armadura, pois ela lhe dava a ilusão de que era respeitada pelas pessoas.

Ela tinha também a armadura da Lascívia que deixava seu bumbum grande e empinado e a fazia sentir-se superior as outras mulheres e objeto de desejo dos homens mais viscerais. Sempre que Chrys usava essa armadura,sentia-se, mesmo que temporariamente, uma mulher de qualidades invejáveis. Isso alimentava seu ego e ela tinha a ilusão efêmera de que era amada pelas pessoas.

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E a armadura da Vítima ? Essa era Top !! Todos queriam usar essa marca.Sempre que ela se vestia de Vítima ela notava que sua armadura era a maior de todas. Sentia-se a Vítima do mundo.E, toda vez que colocava essa vestimenta da moda, mais pessoas vinham falar com ela, expressando “ajuda”. Essa vestimenta de defesa, a fazia ter a ilusão de que era querida pelos outros.Chrys não percebia, no entanto,que essa armadura tinha enfeites espelhados, que faziam as pessoas se verem neles.

Porém,quando a garota chegava em casa e despia-se das armaduras,sentia-se fraca, triste, abandonada e feia pois reconhecia que não era realmente amada nem respeitada pelas pessoas sendo quem era.

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Quando ela estava nua, notava-se sem poder nenhum, completamente vulnerável.Seus peitos caíam um pouco, e o bumbum não era tão empinado assim. Ela achava, na sua filosofia de guerra aprendida desde a infância que,se alguém a visse sem armaduras, iria execrá-la e excluí-la dos círculos sociais, com um sorriso de deboche.

Eis que, um dia, por uma sincronicidade do universo, conheceu um homem (animus) desarmado que, com seu olhar de amor, a ajudou a derreter as suas armaduras e a ensinou, sugerindo de forma perceptiva, que sem defesas e ao natural ela era muito mais bonita e poderia ser amada e querida pelas pessoas sendo quem era. Ele a ensinou a usar roupas leves, suaves e floridas ao invés de vestimentas de defesa. Mostrou para a menina o quanto aquelas marcas famosas sufocavam e deformavam seu corpo, escondendo sua verdadeira beleza.

Foi difícil para a ” garota armaduras” superar sua vaidade de querer estar na moda bélica. Porém, ela começou a notar que, ao deixar de usar essas marcas caras e veneradas socialmente e vestir-se com com roupas mais leves e sem “grifes”, aquelas pessoas que elogiavam suas armaduras TOP passaram a ignorá-la.

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Contudo, ela começou a atrair outro nível de relações: pessoas com olhar amoroso, também capazes de derreter armaduras, começaram a se aproximar dela e expressar seu real afeto por quem realmente era.

Chrys entendeu, nesse momento, que as marcas famosas de defesa só atraíam para si pessoas que também estavam na moda da guerra. Ela percebeu que o amor que derrete armaduras não estava na moda, pois não era “Arrogância”, “Lascívia”, “Vítima” não tinha grife nenhuma, não era rígido. Esse amor não fazia sucesso. Mas, para ela, era melhor então ser démodé e feliz do que passar uma vida inteira vestindo-se de ilusões para ser aceita socialmente.

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A “garota armaduras” tornou-se “a garota desarmada ” pela alquimia generosa do amor, que poderia flexibilizar até as defesas mais rígidas.

* Qualquer semelhança com essa realidade e realidades paralelas não é coincidência. Afinal, coincidências não existem. Somos todos um!

(Autora: Gisela Vallin)
(Fonte: giselavallin.com)
*Texto publicado com autorização da autora

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