Depois de muito tempo tentando dar nome a uma tristeza contínua finalmente o ato de ir atrás de ajuda, foi o primeiro passo para a cura. É comum as pessoas associarem tristeza a depressão, deixo claro que é normal estar triste todos temos esse direito, porem quando essa tristeza se perpetua por anos a fio, fica claro que algo está errado então, sim eu tenho depressão crônica.

Escrevo esse texto com o intuito de estimular mais pessoas a procurarem ajuda, por que esse estado faz mal não só a você como a todos que te cercam. Hoje depois de iniciar meu tratamento vejo o quanto me fiz mal, me isolando, fingindo estar bem comigo mesma, mascarando com outras síndromes o que até não sabia nomear, passei por diversas síndromes de consumidora compulsiva, buscando um prazer imediato ao comprar ou virando uma obsessiva pelo trabalho, tudo isso era uma forma de desviar o foco para o problema real… Incrível o fato de às vezes ser necessário um diagnóstico profissional para se tomar consciência de algo que te assola há anos, se por um acaso você está lendo esse texto e notar alguma semelhança, espero sinceramente que lhe ajude a tomar a decisão de procurar uma cura. Antes de iniciar a história do fato que culminou na minha procura por ajuda profissional, preciso voltar anos atrás, diferentes de uma depressão comum, uma depressão crônica é algo que se perpetua por anos, não existe um fato culminante ela simplesmente sempre esteve lá.

Nunca fui o tipo de criança que buscava interação social, sempre procurei um isolamento, como forma de proteção, na adolescência as pessoas só eram permitidas ir até certo ponto, e assim continuou na vida adulta, até que essa tristeza sem fim, esse abatimento constante essa aparente falta de vontade, nada mais era que uma doença que estava tendo seus sintomas agravados, tiveram sim responsáveis por esse agravamento, problemas de saúde com familiares, insatisfação no trabalho, amizades desfeitas, e afins… Até que a depressão ganhou força e veio destruindo tudo pela frente.

Sempre achei incomoda as perguntas as quais me faziam como “por que você não se anima com nada?”, “quando sorri parece que não tem vontade”, como se fizesse por obrigação, porem nenhuma das pessoas que apontavam a minha apatia jamais tentou ajudar saber qual o motivo real não as culpo, porem julgar sempre é mais fácil que dar a mão quando mais se precisa, não é todo ser humano que é capaz de fazer isso.

Mas depois de algumas crises, instabilidade de humor e total confusão mental chegam o ponto onde tudo desmorona e foi aí que minha cura começou, quando aceitei que tinha um problema e fui atrás de ajuda, dar nome ao que se tem é de crucial importância, não tenho vergonha e nem vou esconder minha doença de ninguém, não preciso ser forte o tempo todo, isso foi uma das lições da minha tão querida e importante psicóloga me passou. Meu tratamento está apenas no começo, porem só o fato de começar a fazer as mudanças necessárias já me deixam melhor.

Estou quebrando minha rotina, saindo da zona de conforto ou zona segura como costumo pensar, fazendo pequenas viagens as quais sempre tive vontade de fazer, porem a apatia nunca me deixava ir alem, praticando um novo exercício pelo menos 3 vezes por semana, afinal se você não sabe quem possui depressão crônica tem uma seria deficiência de serotonina e como vem em baixa produção a anos, alguma medicação para repor e muitas atividades que estimulem a produção da mesma são essenciais para a tão esperada cura. É só o começo dessa caminhada de alguns meses, mas posso dizem que já sinto melhoras finalmente estou entendendo e aceitando meus pensamentos, é como uma reprogramação, esse texto só tem o intuito de dar a você leitor a chance de também se reconhecer através das minhas experiências e ir procurar ajuda.

“Não tenha medo de enfrentar os demônios que habitam o seu interior a única forma de superar é encarando o problema de frente.”

(Autora: Prescila Rizzardi)

(Fonte: http://lounge.obviousmag.org)

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Fãs da Psicanálise
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