Há três tipos principais de Depressão: uma sem causas aparentes, chamada de Endógena, Maior ou Constitucional; uma segunda que tem causas muita claras e que se chama de Depressão Reativa e uma terceira, gerada por causas ligadas a uma educação muito culpabilizante de causas de início inconscientes no início do tratamento, a que se chama Depressão Neurótica. Neste artigo abordarei a Depressão Endógena ou Constitucional. As outras abordarei em mais dois artigos.

Não é a mais comum das três, mas tem características muito próprias. O paciente relata que não há fator ou fatores desencadeantes e que, embora também tenha algumas preocupações em sua vida, estas não explicariam o profundo desalento, desânimo, tristeza e pessimismo de que padece. Uma frase típica: “- Doutor: tirando esta tristeza grande que de vez em quando me abate e me esmorece totalmente, não tenho maiores queixas da vida. Mas este sofrimento já é demais para aguentar, não sei se há coisa pior”.

Realmente, o paciente relata desconhecer hipóteses para explicar seu quadro. A causa que provoca estes quadros é que o organismo da pessoa produz habitualmente uma pequena quantidade de algumas das endorfinas cerebrais e que são anti-depressivos naturais do organismo (serotonina, noradrenalina ou endorfina). Via de regra, há na família mais casos, quer de parentes ascendentes, quer de descendentes ou contemporâneos.

Há necessidade de um tratamento com remédios específicos para tais quadros, acompanhados de uma psicoterapia de apoio. A medicação é fundamental nestes casos e deve ser afastado um possível pré-conceito quanto aos remédios psiquiátricos. Hoje em dia há um bom nº de remédios muito eficientes e o sofrimento dos pacientes pode ser muito atenuado ou até extinto. Mas dever seguir uma acompanhamento de tempos em tempos, como, por exemplo, fazem os Hipertensos. Não há nenhum preconceito em se tomar um remédio de longo prazo para Pressão Alta, para Diabetes, para Artrite, para regular o Ciclo Menstrual das mulheres, para tratar de algum distúrbio da Tireoide, para pingar colírio nos olhos em casos de Glaucoma e em outros casos.

Estes é que servem de exemplo para que o paciente aceite fazer uso de um tratamento medicamentoso da Psiquiatria num prazo mais longo, e que produz uma melhor qualidade de vida para ele. Felizmente a possibilidade de êxito aumentou muito.

Compartilhar

RECOMENDAMOS


Cláudio Persio

Médico Psiquiatra e Psicanalista. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here