VOCÊ TEM MEDO DE SAIR DE SUA CASA?

Você está sempre apreensivo sobre a possibilidade de sair de casa? Você fica amedrontado em espaços públicos e multidões? Você fica com medo de perder o controlo sempre se está sozinho e por esse facto sai à rua sempre acompanho de uma pessoa da sua confiança?

Então você pode ter agorafobia, um transtorno de ansiedade que é muitas vezes referido como: medo incontrolável de espaços abertos.

Este medo compulsivo pode ser extremamente inibidor, e as pessoas que sofrem com isso tendem a desenvolver um padrão comportamental de evitamento de cenários triviais, como ir às compras ou assistir a um show público.

A agorafobia é geralmente baseada numa preocupação persistente sobre qualquer possibilidade de vir a ter ataques de pânico ou perder o controle em público. Qualquer que seja o caso, o diagnóstico e o tratamento poderão variar.

AGORAFOBIA NÃO É O MESMO QUE FOBIA SOCIAL

Na fobia social, o foco da preocupação e o medo são oriundos da incapacidade da pessoa para lidar com a interação social. Na agorafobia é um pouco diferente.

Os agorafóbicos, na grande maioria das vezes são bastante capazes de ter um comportamento funcional e adequando na interação social, não experimentando o mesmo tipo de dificuldades no relacionamento com os outros, tal como os fóbicos sociais.

O foco de Agorafobia não é tanto o medo da exposição pública, mas sim o medo incontrolável de ter ataques de pânico ou de perder o controle físico e/ou emocional num ambiente onde a ajuda pode não estar disponível, ser ineficaz ou simplesmente ser embaraçoso.

Existem dois tipos documentados de Agorafobia: com e sem história de transtorno do pânico. Em termos leigos, a distinção entre os dois tipos de agorafobia pode parecer um pouco subtil, mas a partir de uma perspectiva psicológica, há implicações significativas.

O curso real de tratamento irá variar dependendo se a pessoa está preocupada com a possibilidade de experimentar um ataque de pânico real ou se nunca teve tal coisa e está apenas com medo de perder o controle em público.

TRANSTORNO DE PÂNICO COM AGORAFOBIA

Para que se confirme o diagnóstico de transtorno de pânico com agorafobia, a pessoa teve de ter ataques de pânico no passado, o que induziu o medo de ter mais episódios de pânico num ambiente público. Além disso, todos os três critérios seguintes devem ser observados:

-O medo de locais públicos onde possa estar sozinho e desamparado (como em pé na fila do banco, viajando num ônibus ou atravessar uma ponte).

-Evitamento recorrente de tais situações, especialmente quando não existe a possibilidade de uma pessoa de confiança estar disponível.

Leia mais: Especialistas explicam sintomas e tratamento da síndrome do pânico

-O evitamento fóbico não é atribuível a problemas de abuso de substâncias ou transtornos mentais específicos além do transtorno de pânico.

O diagnóstico diferencial entre agorafobia e outros transtornos de ansiedade às vezes é bastante subtil e desafiador, até mesmo para os psicólogos experientes. Por exemplo, se os seus sentimentos de temor parecem manifestar-se apenas quando anda de ônibus (ou pensa em fazer isso), então você pode ter uma fobia específica, em vez de agorafobia.

Se os seus medos parecem depender da possibilidade de contaminação fora de casa, então você pode ter TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), em vez de agorafobia.

AGORAFOBIA SEM HISTÓRIA DE TRANSTORNO DE PÂNICO

A distinção fundamental nesta forma de agorafobia é a não-existência de ataques de pânico reais, embora você ainda possa experimentar sintomas idênticos aos do pânico.

Este transtorno é bastante raro em comparação com a agorafobia regularmente adquirida pelo Transtorno de Pânico, apenas o mínimo de 5% de todos os casos documentados de agorafobia não dependem da presença de ataques de pânico (embora isto, possivelmente aconteça porque, na ausência de pânico, as pessoas sentem-se menos inclinadas a procurar ajuda profissional).

No caso de Agorafobia sem história de Transtorno de Pânico, os pacientes simplesmente evitam certos locais públicos, porque têm medo de perder o controle físico (tal como desmaios ou ter um ataque de diarreia incontrolável, mesmo que nunca tenham realmente experimentado tal coisa ).

Embora esta evasão seja geralmente disparada pela presença de um pânico, as pessoas com esta condição não satisfazem todos os critérios que justifiquem um diagnóstico de transtorno de pânico.

PREVALÊNCIA E TRATAMENTOS DA AGORAFOBIA

Estima-se que cerca de 2,2% da população nos países desenvolvidos sofre de agorafobia, em algum momento das suas vidas, com o início entre as idades de 20 a 40 anos de idade. A população feminina diagnosticada com agorafobia é aproximadamente duas vezes a da população masculina.

Embora ainda não confirmado pela pesquisa, isto verifica-se, possivelmente, devido a estereótipos sociais, sendo que os homens podem oferecer mais resistência na procura de ajuda por problemas de ansiedade.

Os tratamentos mais eficazes para Agorafobia são a TCC (terapia cognitivo-comportamental) e tratamentos farmacêuticos, os quais têm-se mostrado mais eficaz quando combinados.

Leia mais: 10 coisas que as pessoas não entendem sobre a ansiedade

Em todas as circunstâncias, os medicamentos para a ansiedade são mais utilizados como última opção para cenários extremos de ansiedade. Você realmente não precisa de medicamentos para superar este problema, e os poucos benefícios que pode obter, provavelmente não serão compensados pela possibilidade de experimentar efeitos colaterais indesejados.

De acordo com vários estudos desenvolvidos em universidades de prestígio, como a Universidade de Oxford e a Universidade da Pensilvânia, a eficácia da TCC de forma única no tratamento de Agorafobia é de 85% a 90%.

A FONTE DOS SEUS MEDOS DARÁ INDICAÇÕES PARA UM DIAGNÓSTICO CORRETO

O diagnóstico de um determinado transtorno de ansiedade dependerá não dos medos que você possa experimentar, mas sim o que a fonte desses medos representa. Você deve ser capaz de ajudar o seu terapeuta a entender exatamente porque possui um determinado medo.

Essa descrição irá permitir chegar a um diagnóstico correto e melhorar a rapidez e a taxa de sucesso do seu tratamento.

Por exemplo, vamos supor que você tem uma predisposição a ter ataques de pânico sempre que tem de subir uma determinada escada no prédio onde trabalha. Do que é que você tem medo, exatamente?

A) Algo sobre aquela escadaria em particular? Então você pode ter uma fobia específica.

B) Cair escada abaixo e ser ridicularizado? Então pode ser fobia social.

C) Ter um derrame por conta de problemas cardíacos previamente diagnosticados? Então poderá ser Transtorno de Pânico.

(Autor: Miguel Lucas)
(Fonte: escolapsicologia.com )

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