Autoestima é o sentimento de importância e valor que uma pessoa tem em relação a ela própria, e influencia todos os campos da vida.

Uma pessoa com autoestima baixa não faz escolhas conscientes, pois não gosta de si mesma, de seu comportamento, sofre por se considerar inadequada, não acredita em seu potencial, não consegue enxergar a sua capacidade, atrai relacionamentos destrutivos, tende a se ver como inferior, não acredita que seja merecedora de coisas boas…entre outras coisas.

Há muitos fatores que podem contribuir para uma baixa autoestima.

Antes de falar dos principais fatores que afetam a autoestima, vamos entender um conceito, que pode influenciar a baixa autoestima.

Em 1974 Timothy Gallwey ( fundador do conceito Coaching, a ferramenta mais utilizada nos dias de hoje para desenvolvimento humano) lançou o livro “The Inner Game” (O jogo interior).

No livro Gallwey relata que observava muitos dos tenistas (que eram treinados por ele), falando frases específicas quando erravam jogadas, coisas do tipo: “Errei de novo!”. “Como pude fazer isso?”. “Não era para ser assim”.

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Intrigado com esses diálogos, ele foi conversar com esses jogadores pra entender o quê, e com quem estavam falando: Perguntou para um deles: “Você está falando com quem?”. E a resposta foi: “Estou falando comigo mesmo”.

A partir de respostas repetidas como essa, Tim despertou o interesse em entender quem era o “EU” e quem era o “Comigo mesmo”. E então ele conceituou o “EU” e o “Comigo Mesmo” como Self 1 e Self2.

Self 2 ou Eu 2:

Falador, o que julga, o que crítica como as coisas deveriam ser, sempre espera a perfeição, impede de estar livre para aprender.

Consciência pronta para julgar a nós mesmos. Ele é basicamente aquela vozinha que está sempre nos dizendo que não somos capazes, que a vida é muito difícil, que felicidade não existe, homem não chora, mulher não briga, enfim…tudo aquilo que ouvimos a nossa vida inteira, seja da sociedade, do meio, dos familiares, professores e etc.

Tudo isso fica “incubado” no self 2 e essas informações mal trabalhadas têm o poder de nos paralisar e nos limitar.

Self 1 ou Eu 1:

Nosso verdadeiro EU, nossa essência, aquilo com o que nascemos, nossa parte sábia, que procura crescimento e que arrisca sem medo de errar.

As crianças pequenas, por exemplo, quando começam a andar e caem várias vezes, elas continuam, exatamente porquê não possuem, ainda, o self 2 para lhes dizer: “Eu avisei que você ia cair, eu disse para não fazer isso, você não vai conseguir”.

O Self 2 é moldado de acordo com a nossa cultura, sociedade, família, meio, amigos e afins, é através das nossas vivências/experiências que ele se desenvolve. O Self 1 é a nossa essência, aquilo que viemos para ser, nosso potencial infinito.

E o que isso tem a ver com a Autoestima?

TUDO!

A forma como você se auto estima será moldada de acordo com a “alimentação” do seu Self1 e 2.

Matthew Mckay em seu livro “Autoestima, como está a sua?” nos diz que o crítico (Self2) nasce durante a experiência inicial de socialização com os pais.

o longo da infância nossos pais nos ensinam quais comportamentos são aceitáveis, quais são perigosos, quais são moralmente errados, quais conquistam o amor e quais são irritantes. Isso é feito abraçando e elogiando o comportamento dito como apropriado e punindo o comportamento perigoso, errado ou irritante.

É impossível virar um adulto sem passar por diversos momentos de punição, e por conceito, os gestos de punição e proibição são carregados de rejeição.

Basicamente muitas crianças crescem com resíduos emocionais dos gestos de proibição. Elas retém memória conscientes e inconscientes de todos os momentos em que se sentiram más e inadequadas.

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Essas são as inevitáveis cicatrizes que o crescimento deixa na autoestima. E é nessa experiência também, que o crítico (Self 2) tem seu começo, alimentando­-se desses sentimentos iniciais de “não ser bom”

Essa voz crítica, que pode te dizer, por toda sua vida, que você não é capaz, que você não pode, não consegue, que você é feia, gorda, burra e só faz coisas erradas, terá o poder de decidir os seus comportamentos.

Nos momentos mais importantes, naqueles que você mais precisa, no momento de realizar um sonho, crescer, prosperar, ser feliz, ela pode, simplesmente, te paralisar e te limitar e você nem percebe, e pior, acredita nela sem questionar, e aumenta, cada vez mais um padrão inconsciente de se sentir incapaz.

Uma criança quando é rejeitada pelos pais, quando não recebe atenção e reconhecimento suficientes, nutre um sentimento de não valor, ela acredita não ser merecedora de coisas boas e passa a rejeitar a si mesma e a procurar reconhecimento no outro, isso gera um adulto sem confiança e que anseia ser aceito por todos, deixando de lado aquilo que acredita, gosta e deseja.

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Uma criança que foi muito criticada em sua infância normalmente terá autoestima baixa, uma criança que foi comparada de forma negativa com outras crianças tende a desenvolver uma autoestima baixa, bullyng causa baixa autoestima, violência física e verbal, preconceitos, abandonos (mesmo aqueles que nós, como pais, acreditamos não fazer nenhum mal), abuso sexual, falta de elogios e pouco reconhecimento de suas habilidades e talentos tendem a causar autoestima baixa.

Tudo isso alimenta o seu self2 e quando você precisar agir, ele vai tentar te proteger, essa voz não é ruim ou má, ela só não sabe o que está fazendo, ela reage, ela foi moldada com base em tudo que você já viveu, ela se empenha em tentar te proteger quando identifica um possível “perigo”.

A quantidade e a dureza dos ataques do Self2 estão diretamente relacionadas á intensidade dos seus sentimentos de não ser bom. Se os primeiros gestos de proibição (da sua infância) foram relativamente moderados, o crítico pode atacar apenas raramente. Mas se você recebeu mensagens muito fortes sobre ser errado ou mal na infância, o crítico adulto vai atacar com ferocidade sempre que encontrar uma chance.

Em algumas pessoas ela (voz crítica) é mais “poderosa” que o self 1 (voz essência) e esse padrão, muitas vezes ignorados por nós, é o que gera baixa autoestima e desfavorece o nosso desenvolvimento.

Reflita…Qual a sua voz interior predominante? Aquela que te impulsiona e te faz acreditar e agir ou aquela que te limita e te faz temer os resultados de possíveis escolhas?

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Tente se manter presente para o seu diálogo interno e perceba o seu padrão de conversa interior. A consciência de que esse diálogo não te favorece já é um ótimo começo para o resgaste da sua autoestima. E lembre-­se sempre da frase de Jean­Paul Sartre:

“ Não importa o que fizeram com você, o que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.”

Referências bibliográficas:

Autoestima Como Está a Sua? Matthew Mckay e Patrick Fanning e O Jogo Interior de Tênis ­ W. Timothy Gallwey.

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Bethania Albuquerque
Coach formada pelo Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento (IPPC). Idealizadora do Projeto Viver e Melhor. Autora do livro digital O Poder do Otimismo Diário. Life Coach com foco no Positive Coaching e no desenvolvimento pessoal, profissional e emocional da mulher. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



1 COMENTÁRIO

  1. Sempre achei que não tinha baixa autoestima. Talvez por não saber de fato o que era autoestima. O seu texto, Bethania, foi para mim bastante esclarecedor, fez com que eu identificasse na minha vida comportamentos que denunciam baixa autoestima. É, fazer o quê?! Agora é trabalhar isso. Obrigada!

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