A paixão muitas vezes resulta em frustração porque a pessoa idolatra tanto o outro que não enxerga os defeitos e as situações a que se submete.

“Ligo ou não ligo? Mas eu já liguei duas vezes!”, “Faço ou não?”, “Por que ele(a) não me liga de volta?”.

Se você já se pegou com esses pensamentos, você está numa zona de perigo. Se o objeto do seu desejo faz algo que você não gosta — mas você faz de conta que gosta ou finge que não viu; se você vive fazendo coisas para agradá-lo; se você se recrimina internamente por gostar de alguém; se dorme e acorda pensando no seu “amado”: cuidado! Você pode estar sofrendo com um desequilíbrio. “Isso não é amor: é uma obsessão. É uma paixão e a paixão é um desequilíbrio emocional!”, afirma a psicoterapeuta Maura de Albanesi, que tem mais de 30 anos de atuação.

Segundo ela, esse desequilíbrio desenvolve-se com a projeção, que é um mecanismo automático. “Automaticamente, a pessoa já faz a projeção. Ela começa a ver características do outro que não condizem com o que o outro realmente é”, explica.

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“Na paixão você só está vendo o bom. Há casos de gente que se apaixona e só ela não percebe, por exemplo, que o cara é um bandido. Ela está enaltecendo um lado bom que às vezes nem existe. É uma projeção total, por isso que a paixão é um estado de desequilíbrio emocional”, analisa. E sentencia: “Então quando alguém está apaixonado, essa pessoa está desequilibrado psiquicamente porque ela não está vendo a realidade. Tanto que quando cai essa paixão, ela se pergunta como foi gostar de alguém assim”.

Enfrentando a situação

Para sair dessa situação, a psicóloga analisa que a pessoa tem que começar a olhar seus próprios atos e questionar se isso que ela sente não está sendo criado por ela mesma. “E se perceber que está projetando, ela pode olhar concretamente o que a pessoa faz e fala sem a projeção. É trazer para o real, porque existe essa questão da projeção e para sair dela você tem que trazer dados reais. Como se você tirasse os óculos que sou “eu no outro”. E às vezes esses dados reais, uma pessoa que não está na relação consegue ver”, explica.

Paixão x Amor

Essa paixão descrita pela psicoterapeuta é muito confundida com o amor. No entanto, Maura de Albanesi ressalta que o amor tem outras características. “O amor é quando você vai além do lado bom e olha o lado sombra da pessoa, ou seja, os defeitos, e você não se incomoda tanto com eles — mas sabe reconhecê-los. Quando os defeitos não são empecilhos.”

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De acordo com a especialista, todos nós temos defeitos, mas só ama quem consegue enxergá-los e não ser afetado por eles. “Quando esse lado sombra não me desestabiliza, eu estou pronta para amar essa pessoa. O amor consegue entrar”, completa.

Mas isso também só acontece quando a pessoa está preparada no sentido de amar a si mesmo: “O amor que você tem a si não pode estar em questão pelo amor que você sente pelo outro e nem tampouco pelo amor que o outro sente por você. Quando você não vê o outro como um objeto seu, você está pronto para amar. Na hora que eu amo e aquela pessoa tem que estar comigo para eu ser feliz, eu coloquei uma condição para minha felicidade em que eu dependo do outro.” Nesse caso, com a felicidade condicionada, o caminho para a frustração está aberto, de acordo com ela.

Mas apesar de todo o sofrimento que a paixão desperta, ela também tem um lado bom. “Tudo aquilo que você projeta no outro, na paixão, são qualidades que você tem e que não está reconhecendo que tem.

Então uma forma também de sair dessa paixão é pensar que tudo que eu pensei que o outro era é, na verdade, o que eu sou. E que isso às vezes não está tão claro para a pessoa, por isso ela projeta. Então são as qualidades adormecidas em mim que vão despertar no meu olhar pelo outro”, finaliza.

(Fonte: rac.com.br )

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