Pense na sua semana e nos diversos compromissos que você precisa cumprir. É possível realizá-los despercebidamente, mesmo tendo recebido todas as estrelinhas por excelência. Ao acompanhar pessoas em fase de fim da vida, comprovei que isso pode ser possível.

Essa é uma das conclusões a que algumas delas chegam ao olhar para trás e perceber com clareza o que fizeram de essencial e de supérfluo, e que relações poderiam ter sido mais vividas. Pode ter faltado a elas presença e contato para perceber a motivação que conduzia as diferentes escolhas…

Temos uma tendência a facilmente entrar na roda viva dos afazeres cotidianos. Todos os dias podemos realizar uma sequência de atividades convencionais: acordar, escovar os dentes, dirigir o carro, entrar no ônibus, participar de uma reunião. Cumprimentamos as pessoas com um “tudo bem” plástico, que muitas vezes pode representar uma saudação em vez de um real interesse em saber como o outro está. Ligamos o botão do piloto automático, seguimos, e esquecemos de desligá-lo.

Podemos morar com a nossa família sem saber como eles estão. As tarefas que eles realizarão no dia a dia escondem a riqueza das motivações para iniciar e concluir cada ação. “Como você está” é bem diferente de “o que você está fazendo”.

Em pesquisa realizada pela ONU Mulheres, em parceria com o portal Papo de Homem sobre a masculinidade, 56.5% dos homens disseram que gostariam de ter uma relação mais próxima com amigos, expressando mais afeto, falando sobre sentimentos e dúvidas.

Proponho então algumas práticas, sugestões para desenvolver mais presença na vida. Uma consiste em estar atento às atividades diárias como escovar os dentes, tomar banho e comer. No banho, por exemplo, perceba a sensação da água em contato com a pele, do corpo sendo encharcado aos poucos, do membro que ensaboa primeiro, dos movimentos que realiza durante toda a atividade. Cada banho será um momento único, pode acreditar. Do mesmo modo, estenda a atenção para como você se alimenta, como escova os dentes.

Leia Mais: O privilégio de não saber o que fazer da vida

A ampliação do estado de presença também se dá pelo contato com as emoções. Na esfera individual, fique atento ao surgimento de uma emoção, seja alegria, raiva, amor, percebendo quando ela surge e se esvai, como o seu corpo se afeta e que pensamentos surgem.

Com a mesma atitude de presença, esteja disponível para entrar em contato com a emoção do outro, perguntando como está e escutando com atenção sua história. Quando nos aproximamos dos sentimentos, percebemos nossas semelhanças nesta incrível experiência de sermos humanos.

E assim, temos em cada momento da vida uma grande oportunidade de aprendizado. Cada relação, cada atividade diária pode ser vivida em toda a sua intensidade, tecendo os significados da nossa existência.

(Autora: Claudia Comaru)

(Fonte: blog.zenklub)

*Texto publicado com a autorização da administração do site.

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