Porque acabou? – alguém perguntou.

Sem titubear muito, falei: vocês não souberam amar. São histórias cíclicas, a maioria de nós já passamos por isso.

Falhar no amor não é feio. A gente erra em várias coisas da vida, porque não falharíamos nisso também? Somos um jardim repleto de imperfeições e defeitos. E assim como toda falha, o que fica – com um pequeno gosto de arrependimento – é o aprendizado.

Digo que relacionamentos acabam, mas amores não. Sim, sou daqueles que acreditam que amores ficam. Se o sentimento for real, ele fica, ali, em algum lugar, mesmo que adormecido. O que muitas vezes demoramos em perceber é que nem sempre é amor. Se não do lado de cá, do outro.

É que paixão e apego combinam bem, nos iludem, mas estes uma hora terminam. E para esses, ali termina o amor também.

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Agora, para quem ama mesmo, a história é outra. É provável que você já tenha visto casais que se amam e não ficam juntos, certo? Para mim, isso é amor. O que terminou neles não foi o sentimento, mas o relacionamento. É o tipo de casal que não conseguiu ficar junto porque não aprendeu a amar. É triste, mas se perderam.

Acontece que algumas vezes levamos tempo demais para aprender algumas coisas sobre o amor e em outras vezes, nunca aprendemos, e isso desgasta. Não saber amar o outro, inevitavelmente, cansa.

É que em um primeiro momento, o amor é instintivo, a gente sente e já quer sair amando, e de inicio tudo bem, só que nem sempre estamos preparados para grandes amores, daqueles que vem para ficar por muito tempo. Assim, a gente vai levando, do jeito que pode, da maneira que acha, sem saber realmente amar.

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Além de não saber, amar não é tarefa fácil. É preciso dedicação, negociação, tolerância, empatia e várias outras qualidades que nós, meros mortais, nem sempre temos. E aí está outro erro que cometemos: desqualificamos o amor do outro por ele não saber amar. Sem perceber, que mesmo errado, ainda assim era amor.

Por não saber amar, o amor machuca. É por este motivo que o amor decepciona, ilude, é indeciso, orgulhoso e muitas vezes vai embora. Sim, o amor às vezes volta atrás, mas geralmente ele segue em frente, toma outro rumo. E assim, perdemos amores que deveriam ter ficado.

Demorei muito para perceber que não perdemos amores por causa de distâncias, por causa de diferenças ou por causa de sonhos antagônicos. Não terminamos relacionamentos porque um é de gêmeos e o outro de sagitário, porque um quer morar no centro da cidade e o outro na praia, ou porque um é vulcão em erupção e o outro um poço de calmaria. Características individuais não definem o amor, apenas vão moldando o tipo de relação que haverá entre os dois. Entende? São complementos. Perdemos amores porque não sabemos amar e ponto.

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É que amor mesmo tem a ver com doar-se, com sentir-se alegre na felicidade do outro, mas ao mesmo tempo, ter alguém que respeite e valorize as nossas felicidades particulares. Se você não é feliz na felicidade do outro, então você não sabe amar.

Aprender a amar é largar o medo, a teimosia, o orgulho e o egoísmo. Se você não sabe pedir desculpa no erro, é orgulhoso. Se você não abre mão de algum plano particular, mesmo sabendo que a pessoa também deverá abrir de algum dela para que vocês fiquem juntos, você é egoísta. Então, você não sabe amar.

Com o tempo, a gente aprende que amar é desprender-se e também deixar voar, mas manter esse amor, inevitavelmente, é saber quando é a hora certa de voar juntos.

A verdade é que a gente ainda tem muito que aprender sobre amar outra pessoa. E eu fico aqui me perguntando, quantos amores a gente ainda vai perder na vida até aprender a amar? É que algumas pessoas nem sempre aprendem, e outras, nem têm interesse. Contudo, não aprender a amar é jogar o jogo da vida assumindo o risco de perder quem realmente te ama.

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Felizmente, estamos vivos, então não é tarde para aprender a amar. E no fundo, a gente torce por um dia encontrar um amor para vida toda. Daqueles que irão ficar, que já sabem ou querem aprender a amar. Porque todo mundo merece um amor desses, daqueles que nunca acabam, que ultrapassam o tempo e o espaço, e ainda na morte, ecoam na eternidade.

Você sabe, existem amores assim. Não é sorte, são só pessoas que aprenderam que antes do amor, foi preciso – com muito esforço e vontade – aprender a amar.

(Autor: Francisco Galarreta)
(Fonte: antesdasobremesa.wordpress.com)
*artigo publicado com autorização do site

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