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Ah, o amor…

Que atire a primeira pedra quem nunca sofreu por amor. Seja na adolescência, ou em qualquer fase da vida adulta.

As razões podem ser as mais diversas: falta de coragem para se aproximar da moça/rapaz de seu interesse; ou, teve coragem e foi rejeitado; ou porque esteve num relacionamento “perfeito” e foi abandonado(a); seja porque sofreu uma traição; ou porque, por medo ou insegurança, sempre fugiu de relacionamentos.

Não importa a razão, e existem milhares. Todo mundo já sofreu por amor.

-E esse sofrimento vem de onde?
-Orgulho ferido?
-Medo da solidão?
-Necessidade de uma companhia?
-Falta ou insatisfação com o sexo?
-Idealização demais?
-Frustração?
-Um pouco de tudo isso?

Freud dizia que, quando uma pessoa está apaixonada, ela se torna incrivelmente frágil. Isso acontece porque nosso aparelho psíquico, nossa mente, tende a concentrar seus esforços, sua libido, sua energia, na pessoa que é alvo do nosso amor.

Mesmo que sem perceber, nos tornamos bastante “dependentes” daquela pessoa, no sentido de que ela passa a ocupar um lugar de grande destaque em nossa mente.

Caso essa relação seja recíproca, ou seja, haja uma retribuição, a pessoa também nos ame de volta; bom, aí são os fogos de artifício do réveillon de Copacabana elevados à milésima potência.

Freud dizia que, quando uma pessoa está segura de ser amada, ela se torna incrivelmente forte. Isso acontece porque uma relação amorosa nos aproxima da ilusão de completude.

Leia mais: O amor e suas complicações: uma análise do comportamento de amar

Sentimos como se não nos faltasse mais nada: essa pessoa que consideramos fantástica, espetacular, maravilhosa nos aceitou, e não só isso, ela também acha que somos fantásticos, espetaculares, maravilhosos.

Essa relação nos daria, inclusive, a sensação de sermos imunes à dura realidade da vida, da sociedade, do mundo. Quantas canções, desde sempre, e no mundo inteiro, não falam sobre isso?

Mas, obviamente, isso não passa de uma ilusão. Somos seres faltosos, que estão sempre em busca de algo mais, atrás de uma satisfação que nunca é alcançada.

Sempre há uma nova queixa. Para começar, estamos sempre idealizando essa pessoa, esse objeto amoroso. E buscando nelas características que são nossas. E, claro, toda essa expectativa, idealização, é impossível de alcançar.

Da mesma forma, quando estamos numa relação, e somos abandonados pela outra pessoa, parece que o mundo vai acabar.

Freud dizia que “nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desamparadamente infelizes como quando perdemos o nosso objeto amado ou o seu amor”.

Leia mais: Acabou, encare isso

É como se fosse a história de colocar todo o dinheiro numa ação da bolsa de valores, e ação despencar 90%. Já no caso do sentimento recíproco, mencionado nos parágrafos acima, o sentimento é o oposto, da ação subir 200%.

A comparação com a bolsa de valores, embora pareça boba, tem um sentido: enquanto lá é investimento financeiro, no nosso caso é investimento psíquico, libidinal, energético.

A questão é termos consciência de que o objeto idealizado não existe (a não ser em nossa cabeça). E criar expectativas é o segredo para a infelicidade, o stress, a tensão.

Tentar aproveitar o que nos é ofertado (que afinal, é o melhor que a outra pessoa pode fazer, e também o melhor que podemos fazer) pode tornar o processo menos aflitivo, e mais leve e proveitoso.

Um relacionamento é uma aproximação entre duas pessoas bem diferentes; ainda que possamos achar a outra pessoa super parecida com a gente, ela é um outro ser humano, o que por si só já cria um oceano de diferenças.

Pra finalizar, deixo o que muitos conhecem como o “dilema do porco-espinho”, de Arthur Schopenhauer, exposta em 1951. Em resumo, a fábula é mais ou menos assim:

Durante uma era glacial muito remota, quando o globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos, por não se adaptarem as condições do clima inóspito.

Um grupo de porcos-espinhos, perambulando num dia frio e para não congelar, chegavam mais perto uns dos outros, mas no momento em que ficavam suficientemente próximos para se aquecer, começavam a se espetar com seus espinhos.

Para fazer cessar a dor, dispersavam-se, perdiam o benefício do convívio próximo e recomeçavam a tremer. Isso os levava a buscar novamente a companhia uns dos outros, e o ciclo se repetia, em sua luta para encontrar uma distância confortável entre o se aquecer e o conviver.

Mas como iriam eles encontrar a distância exata em que ficariam aquecidos sem se machucar?

Como encontrar a distância exata? Essa é a pergunta que não quer calar…

(Autor: Arthur Engel)
(Fonte: opsicologoonline.com.br )

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